Insisto. Mande-me
um texto pra gente curtir, meu nobre. Até ontem, apenas o Zé Alves e a Carmen
Lobbo deram o ar da graça. Hoje, recebi uma supimpa prosa da leitora Silvana
Bezerra. “Um continho, Tião”, escreveu ela. Continho uma píula. Um contão,
gente. Leia e diga que estou mentindo, se tiver coragem.
Obrigado, Silvana
e boa leitura a todos,
Tião
PEGAÇÃO MENTAL NO
METRÔ
Olhou para as sonolentas axilas do esposo e sorriu.
Não o costumeiro, o vermelhão da espontaneidade, e sim um amarelão protocolar.
Havia dias estava nas nuvens da insegurança, como a provar que o toque no ombro
e o “moça” daquela moça tivessem bombardeado seu clima emocional. Tentava tirar
aquilo da mente, mas chover no molhado era o que acontecia.
O marido se
remexeu, ela acariciou-lhes as cabeludas coxas. Quis beijá-las, refugou. Aquilo
não estava acontecendo. Seu homem ao lado, desnudo, em que singela carícia na
orelha soltaria as rédeas do prazer e faria os cavalos da volúpia relincharem,
e ela, ali, encurralada pelo sussurrado aviso de solidária ruiva. Como não
beijar o Afonso, galã global, cobiçadíssimo pela mulherada? Desaprovou-se, foi
ao banheiro, visitou as recordações. As lágrimas deram-lhe as boas vindas.
Depois do respiro oceânico e da fungadinha básica, a volta para a cama. Na
companhia, quinze dias atrás:
Apanhara o
metrô na Estação da Luz. Minutos depois,