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CERTO INTRUSO NO HISTÓRICO JULGAMENTO
“Deixem-me ir lá, deixem-me entrar.
Peçam autorização ao presidente da sessão. Liguem. Quero falar com as suas
excelências”.
Expressava-se dessa maneira a
exótica figura no entorno do Tribunal Regional Federal, em Porto Alegre. Não usou
essas palavras, diga-se. Saíram assim no Jornal do Porco (JDP) em razão da
censura de meu chefe. Não havia nada afrontoso nos termos da exótica figura, mas
a implicância do chefe cortou a naturalidade. Vivo às turras com o JDP. Não me
demitiram ainda porque são reféns de minha perspicácia. Sou realmente um
repórter especial. E era nessa condição que estava ali, já que acompanhava aquele
caso havia bastante tempo.
O caso em questão começou em 2009,
num lava a jato, em Brasília. Alguém se interessou por certa figura e pôs em
ação as tratativas de entendimento. Coisa banal, pois desde que o mundo é mundo
que ocorrem tais tratativas. Mas o mundo mudou com o nascimento da internet. Começaram
a mimá-la a divulgação em massa, a pressão social, os grupos formadores de
opinião, mas deformadores, em certos momentos, a linguagem imprecisa, a notícia
em cima do fato. E, como ninguém é de ferro, a brincadeira e a fofoca.
Mudado o mundo, aquele alguém do
lava a jato de Brasília se viu nas garras do Ministério Público. Garras que
foram se alargando, se estendendo, se expandindo... Certo é que chegaram ao
agora réu em julgamento no TRF. Julgamento histórico, com caravanas, marchas,
manifestações e um aparato de segurança jamais visto no Brasil. Julgamento que
vinha deixando a boca do país aberta, posto inimaginável figura tão carismática
sofrer tamanha humilhação. Suavizada, registre-se, pela ausência do réu, já que
desobrigado de comparecer por se tratar de um recurso judicial, condenado que
fora em primeira instância.
Bom, dizia eu que o chefe mudou as
palavras da exótica figura. Mas, aqui, distante da censura, posso ser fidedigno
aos fatos. Fato é que a exótica criatura usou estas palavras: