Babaquices de babaca escrevinhador
Não nego as minhas
babaquices literárias. Fiquei consciente delas no primeiro livro, A
Senhora 2, em 2010, quando estava no boteco de Amarildo tomando cerveja
com Damião. Puxei um papo de literatura só para lhe dar um livro. Daí fui me
acostumando com a babaquice. Comecei a entupir de exemplares o banco traseiro do
carro. Bastava uma pessoa rir pra mim pra eu engatar uma resenha de livros,
escrever um “Espero que goste, fulano” e dar o livro ao incauto. Bom. Damião vai
embora, mas dali a mais ou menos uma hora está se lamuriando diante de mim.
Lamuriava-se e eu me comprazia:
Tião, cara, roubaram o
livro enquanto eu tomava uma cerveja em Assis. Deixei o carro aberto, cara. Me vende
um livro, mas só pago no fim do mês, tá legal?
Ter meu livro roubado é a
glória, exultei. Pensei, mas passei-lhe a reprimenda:
Porra, Damião. Deixar o
carro aberto, meu. Vou lhe dar outro livro e emprestar 50 paus pra você voltar
pro Assis, já que está na pindaíba.
Mas gritei quando ele
dava partida no carro:
Deixe o carro aberto,
viu?
Pior é quando a babaquice aparece de mãos dadas com a insanidade do
escritor pé- rapado. Se bem que babaca insano de paletó existe em todas as
atividades. Inclusive nas governanças. A propósito, vou dar singela resumida numa
insana historinha narrada por Luís Fernando Veríssimo. Veríssimo chamou-a de Sebo.
Deu-se assim. Com poucos dias do livro na rua, certo autor descobre sacaninha
cacófato e sai recolhendo os exemplares. Fácil nas livrarias, pois ainda
encaixotados. Difícil foi identificar os compradores dum sebo, onde havia
deixado 17 exemplares. Mesmo assim, o escriba consegue rastreá-los. Estrangula um
a um. Até que chega ao adquirente 17:
Leu?
Li.
Leu todo?
Li. Li. Todinho. Aliás, peguei e não larguei até chegar ao fim.
Depois li de novo.
Cadê ele?
Vou pegar. Veja. Que livro! Puxa!
Mas o escritor não o escutava. Apertava o livro entre as mãos.
O último, finalmente.
Quê?
