SENHORAS E SENHORES, ACACINHO!
Ih, esquecemos de pegar a alimentação
das ofídias, amada Socorro.
Mesmo, Acacinho. Vou pegar ovo. É
só o que teve ter aqui pra cobra. Se você não tivesse se esquecido dos ratos...
Nós, querida consorte. Eu e você
esquecemos de acomodar os roedores na mudança. Pegue os ovais. Amanhã elaboraremos
o cronograma alimentício delas.
Conversavam alto, já que Socorro encontrava-se
na área externa dos caixas e Acacinho falava da fila. Da maior, pois gostava de
conversar: não lhe convinha filas menores de caixas preferenciais. Na fila há
cinco minutos, Acacinho já panfletava impaciência. Não pela fila não andar, mas
sim por andar depressa. E ser muda. O panfleteiro caçava empatia, mas pegava
apenas dedos bulindo em celular. Certo que o diálogo com a esposa fizera dedos
repousarem e lábios soltarem sorrisinhos, mas logo os dedos voltaram aos
celulares. Exceto os de um jovem casal. Para a alegria de Acacinho, o casal
segurou a atenção. Como um alpinista desesperado, Acacinho apoiou-se na altura
da voz:
O ser humano é assaz convencido de
superioridade, meu jovem casal. Vive prenhe de jactância, julga-se infalível.
Se fosse eu teria feito assim, no lugar dele eu faria isso. Apesar de jovens,
já devem ter ouvido essas sentenças soberbosas, não? Viram a minha senhora?
Deslembramos os roedores, eu e ela, a incumbência era compartilhada, mas toda a
paternidade nociva ela impingiu a esta indefesa criatura. Ora, num evento a
dois, de responsabilidade comum, louros e desditas devem ser repartidos
igualitariamente e não se achar alguém no direito de aquinhoar-se do doce e
empurrar o amargo para o sócio.
Desculpem não ter me apresentado,
meus jovens. Meu nome é Acácio de Queiroz e