quinta-feira, 25 de março de 2021

UM LÍDER, POR FAVOR – UM MURRO NA MESA, PELO AMOR DE DEUS

 




UM LÍDER, POR FAVOR – UM MURRO NA MESA, PELO AMOR DE DEUS

 

Isso mesmo. Esta postagem é sobre o presidente Jair Bolsonaro no contexto da pandemia do novo coronavírus. Mostrarei a prova de que a administração dele é genocida. E exibirei os seus certificados de indecente, fascista e sociopata. Atentem para o fato de que não escrevi “provarei”. Escrevi mostrarei e exibirei. A opção verbal é simples: ele próprio deu a prova e os certificados dessas coisas à sociedade brasileira. Já sabíamos, é lógico. Mas o presidente, num rasgo de franqueza, julgou por bem nos mostrar o protocolo de suas sandices.

É óbvio que os fanáticos bolsonaristas vão querer me enterrar vivo. Paciência. O fanatismo, seja por alguém, seja por aquilo, revela que certas pessoas nasceram desprovidas do genes que nos faz humanos. Nasceram sem a CONSCIÊNCIA. Devemos ter pena delas.

Imagine uma manhã de céu azul, bem-te-vis em festa. Você escuta o espocar de balas. Precavido, não vai à rua. Por isso não vê o sujeito de metralhadora, sorriso aberto,  atirando a esmo. Não vê correrias. Não vê pessoas jogando-se no asfalto. Não vê pessoas fechando portas. Não vê crianças procurando braços. Não vê corpos agonizando.

Misericórdia, dirá você.

É o jeito dele. Ele é assim mesmo, dirá o fanático pelo sujeito.

Ao sujeito e aos seus fanáticos nada dizem as desesperadas mãos na cabeça. As descontroladas lágrimas nos olhos. Os desvairados olhos de súplica. Os suplicantes gritos de socorro. Os corações cortados. Os desorbitados espantos.

A pergunta é: o que poderia ter sido feito para diminuir a matança. Pedir, argumentar, demover? Conversar com megafone, enfim? Não me parece razoável, pois o impiedoso estava ensandecido. Abatê-lo, então? É lógico que sou contra, já que terrivelmente cristão. Um disparo paralisante dos sentidos, em que o tirano quedasse de joelhos, babas a lhe escorrer pela boca, parece-me o procedimento correto. Porque aí os bombados de branco não teriam dificuldades em agarrá-lo pelos sovacos.

Direi agora quando o presidente Bolsonaro se confessou indecente, fascista e sociopata. E provou que sua administração é genocida. Não atino, aliás, o porquê de a imprensa não ter repercutido o fato. A confissão era pra ser manchete mundial. Na verdade, esperei por isso  até hoje. Como não repercutiram...

Antes, preciso

domingo, 14 de março de 2021

Luizinho, o Galo e o Coronavírus

 




Olá, gente,

A história a seguir me foi contada por Bião. Contou-me o episódio, é claro. Passou-se com ele. Meu trabalho foi transformar o fato em literatura. Mas não acrescentei nada. Juro. Bião é meu primo. É o filho caçula de tio Arão com D. Avião. A família “ão” é grande, gente. Sou eneneto do Abraão.

Vamos nessa, então?

 

 

 

Luizinho, o Galo e o Coronavírus

 

O inusitado começa com D. Viviane e o filho, Luizinho. Luizinho tem treze anos de sapequices. Tanto que é conhecido como Seu Danado:

Luizinho, meu filho, não tenho como fazer o almoço. O Bolsa Família só deu pra pagar a bodega de Seu Lira. Seu Lira tá muito cu-doce, meu filho. Disse que não vendia mais fiado a gente. Bom. Pegue esse galo, veja se vende por aí, e compre um quilo de feijão, um quilo de farinha, um quilo de arroz, um pacote de café, um quilo de açúcar e uma bandeja de ovos.

O galo é difícil de vender, mãe. O bem-te-vi é bem mais fácil. O povo até me chama de mentiroso quando eu digo que a gente cria um bem-te-vi. Dizem que bem-te-vi não se acostuma com gaiola. Morre de desgosto. Então se eu sair com ele...

O bem-te-vi não, meu filho. O finado seu pai é capaz de se levantar do túmulo só pra brigar comigo. Venda o galo. Vá. Mas venha logo. Não vá ficar aglomerando por aí não, viu? Leve umas máscaras. Quem sabe não consegue vender algumas.

Dessas que a senhora faz não vende não, mãe. Depois que o filho do homem mandou o povo socar máscaras de pano no rabo, só... Ah, mãe, tô cansado de dizer a senhora: bote quenga de coco no lugar de pano e bambu ensebado no lugar de elástico que tem um bocado de gente que vai adorar a compra. Vamos vender feito água. Mas a senhora é uma mula de teimosa.

Misericórdia! Deixe de coisa e vá, meu filho.

Luizinho balançou a cabeça do sim, botou algumas máscaras no bolso da bunda e saiu. Na mão esquerda o galo,  na direita uma garrafinha de álcool em gel..

Aí, ao passar no oitão duma casa, vê uma janela aberta e escuta uns gemidos estranhos. Luizinho para, assuntando. O danado dá uns pulinhos, apoia-se no parapeito da janela e fica de boca aberta com a presepada. Um homem aglomerando com uma mulher:

Mas óia só! Caramba! Puxa-vida, eu pensava que essa arrumação só acontecia de noite. Então o pestinha coça o queixo, ri, olha em volta. Não dá pra subir na janela com o galo. Mas isso é café pequeno pra ele. Chama um menino que passava do outro lado da rua:

Ei, boy. Chamo, chamo e mãe não atende. Me ajude a subir aqui. Aí depois tu me dá o galo, tá ligado?

Em segundos, Luizinho está sentado no beiço da cama. Bate duas vezes no ombro do homem:

Moço, me compre esse galo, vá lá!

Mas que porra é essa! Como entrou aqui, moleque? Tá maluco?, berrou o homem, subindo a ceroula.

Entrei

segunda-feira, 8 de março de 2021

SIMPLESMENTE MULHER

 

 


                                                        Beatriz, minha neta

SIMPLESMENTE MULHER

    Amaro ficou de mutuca nos quatro cantos da piscina pra ver em qual deles a Sylvia iria aparecer. Dificilmente errava o ponto. Tinha o faro bom pra essas coisas. Apostara no canto do barzinho. Amaro errou feio: Sylvia apareceu na quina em que havia mergulhado.

    “Dado o olhar de decepção, acho que dei um quinau em você, não foi, meu nobre?”, gritou Sylvia, num sorriso só.

Amaro deu uma coçadinha na cabeça, estirou a língua e ficou a admirar a sorridente dama. Quis ir lá, mas preferiu deixá-la com os pensamentos.

    Se quisesse papo, ela teria vindo aqui, matutou.

  Sylvia dirigiu-se à mesinha do pé de romã, seu sítio predileto. Gostava daquele cantinho porque era ali que os amigos bem-te-vis mantinham o hábito de vir saudá-la. Acomodou-se, beijou o buquê que de manhãzinha o marido lhe aninhara nos seios, descascou uma banana, pôs-se a saboreá-la e releu a mensagem do marido anexada ao buquê:

    Pessoas nobres recebem, em dias de aniversário, auras cósmicas que as iluminam. Simultaneamente, contudo, repassam essa irradiação divina aos amigos que delas se aconchegam. Porque aconchegado já vivo, sinto a cada segundo o resplendor dessa dádiva.

    Parabéns, Sylvia, pelo aniversário. Pelo aniversário e pelo o seu dia que é também o dia de todas as mulheres. Do todo seu e somente seu.

Seu amor

    Vou mandar essa beleza pelo WhatsApp para as meninas. Pena que elas não estejam aqui, pensou a Sylvia. Pensou, mas em segundos reavaliou o pensamento: “Quer saber? Está sendo melhor assim”.

    O motivo da reavaliação era a mudança de contexto da festa. Ocorre que,

terça-feira, 2 de março de 2021

AGLOMERAÇÃO – DE PRONOMES E DE NOMES

 

                            Meu pé de romã
                            


AGLOMERAÇÃO – DE PRONOMES E DE NOMES

A aglomeração do título, porque literária, é isca para a leitura. A da leitura, porque contextual, é chamariz para a reflexão. Ambas são neutras. Mas com viés de conforto. Mas a do conforto, mesmo, até porque medicinal, é a aglomeração da foto acima, a das romãs. O pé fica no meu jardim. São delas que produzo vinho. Santa bebida. Aglomera consciência na cachola que é uma beleza.

Tim-tim

 Aglomeração? Quais? Quem?

 

Corrida, corrida, corrida...

Corrida pra extinguir pigarro. Pigarro pra não virar tosse. Tossir. cuspir. Escarro. Escárnio.

Quem são eles? Quem eles pensam que não são?

 

Corrida, corrida, corrida...

Corrida pra coisar as coisas. Coisas, choros, caos, casos concretos. Baladas. Botecos. Bizarrices. Bitolados. Bastantes.

Quem são eles? Quem eles pensam que são?

 

Corrida, corrida, corrida...

Corrida pra vender, comprar, vendar os olhos. Jogar a rede... Contra a parede. Jogar o laço... Contra a carcaça.

Quem é ele? Quem ele pensa que é?

 

Corrida, corrida, corrida...

Ele quer te deixar com sede. Ele não quer te deixar pensar.

Ele quer te vender (e não é a um zeus). Ele quer te comprar (e não é de um deus). Ele quer te sedar (e não é de prazer). Ele quer te matar (e não é de rir).

Ele te quer podre. Ele te quer fedido.

Ele já te fez chorar? (de aflição). Ele já te fez rir? (de nervosismo). Ele já te fez ruborizar? (de vergonha).

Ele já te deixou chateada? (por distorção). Ele já te deixou amofinada? (por desaprovação). Ele já de deixou envergonhada? (por mentira).

Já, não já?

Não? Nunca? Juras? Sabes o que quer dizer tirano, insano, desumano?

Não? Então quem és tu? Humana não és, não é?

Quem és tu? Quem pensa que és? Que pensas o que ele pensa que és?

Quem é ele? Quem ele pensa que é?

 

Corrida, corrida, corrida...

Corrida pra esquerda do ambiente. Pra direita do recinto. Pra prover a consciência. Pra perder-se de desatinados destinos.

Quem são eles? Quem eles pensam que não são? Quem elas pensam que não são?

 

Corrida, corrida, corrida...

Corrida contra o cronômetro. Corrida pra coisar as coisas. Coisas, carinhos, caridades, casos concretos. Devoção garantida. Consciência programada. Vão ganhar a corrida. Mesmo depois de largada.

Quem são eles? Quem eles pensam que não são? Quem são elas? Quem elas pensam que não são?

 

Corrida, corrida, corrida...

Corrida na carona da consciência.

Corrida contra cês. Canalhices combinadas. Camaradagens casadas. Calamidades. Catástrofes. Comoções. Cadáveres. Cemitérios, Covas, Caveiras.

Corrida a favor de efes. Festas familiares. Feições faceiras. Fraternidades. Finezas. Fidalguias. Felicidades.

Quem são eles? Quem são elas? Quem eles pensam que não são? Quem elas pensam que não são?

Somos nós. Aqueles que eles pensam que não somos. Aqueles que eles pensam que não pensam? Somos quem queremos ser.

Pensamos e construímos. E nos indignamos. E agimos. Já que indignação sem ação é o protocolo de ações indignas. Somos da cozinha da consciência e do ateliê da empatia. Cozinhamos afinidades. Costuramos entendimentos.

Somos perseverantes pensadores. Somos plurais. Somos engenheiros. Pegamos trabalho lá, aqui, ali. E até no Hawaii.


Março de 21. Março de machos e machas maricas. Mas mulherengos e maridengos (ops).


Té mais,

TC