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DETERMINADOS
Segundo Drummond, foi o rapaz do
posto de gasolina quem primeiro viu os três vultos. Caminhavam a pé, sem pressa, no leito dos
carros, indiferentes ao risco. Motoristas jogavam-lhes palavrões, sem que eles
se importassem. Estavam vestidos de maneira inabitual: um de vermelho, outro de
verde, outro de roxo. As roupas se assemelhavam a túnicas e usavam boinas amarelas,
pontiagudas, aparentando coroas. Pareciam personagens de filmes históricos.
Os estranhos estavam a quinze metros
do posto. O rapaz teve vontade de se antecipar e perguntar o que desejavam. Mas
deteve-se. Eram três homens, ele estava desarmado, não sabia que espécie de
gente era aquela.
O mais alto deles ficava ainda mais
esguio olhando para o céu, como quem indaga o tempo. Os outros miravam um ponto
vago, esperando decerto que ele comunicasse o resultado da inspeção. Não houve
palavras, entretanto. O homem comprido baixou a cabeça e fitou os companheiros.
Entendiam-se pelo olhar. Não careciam de palavras, ou temiam empregá-las.
Tratava-se, realmente, de indivíduos suspeitos.
Mas a suspeição foi logo embora. O
rapaz do posto — já é tempo de chamá-lo Levi, pois assim fora batizado e
registrado, embora os colegas o chamassem de coletor — imaginara no primeiro
instante que fossem ladrões. Depois, pela excentricidade dos trajes,
supusera-os simplesmente loucos. Decidiu-se e foi ao encontro deles:
Oi, posso ajudar em alguma coisa?
Deram calado como resposta.
Falam não, é? Tão com medo da
chuva? O céu tá limpo.
Outra
resposta calada.
Ah, malucos mesmos.
Levi deu de ombros, fez uma selfie
e postou no grupo do futebol: “Apareceram do nada. Acho que saíram do mar. Não
falam, não escutam, não têm medo de carro”.
Estão imaginando, minhas lindas, no
que deu a postagem do Levi? Isso mesmo. Deu no que deu.
Bom,
os estranhos deixaram