sexta-feira, 13 de setembro de 2024

Pontos de vista e pontos de ativista

 

Pontos de vista e pontos de ativista

           Diabinhos literários tiram plantões, sim, na cachola de escrevinhadores. Havia semanas, um bando deles me azucrinava por causa de um texto em gestação:

Escreve essa porra, cara. Escreve fazendo um joguinho com a galera. Escreve. Só tens a ganhar. No mínimo, zombarias. Pensando melhor. Podes ganhar também pauladas de lulistas e de bolsonaristas. Vai, escreve.

Então vou escrever e fazer o joguinho.

Tudo começa, gente fina, há coisa de dois meses, quando leio um articulista de jornal e me deparo com este destaque no miolo do artigo:

“Mas isso é o meu ponto de vista. Não tenho a pretensão de convencer ninguém”.

Passo dias incomodado com a cautelosa sentença. Pois bem. Agora, no fim de agosto, leio idêntico enunciado no Estadão - o primeiro foi num jornal natalense.

Entendo a cautela dos articulistas. Mas, se o ponto de vista não foi para convencer ninguém, fico me perguntando o motivo de tê-lo exposto. Levantar a bola de um assunto, fazer alguém refletir, coisas assim, dirá você, gente fina. Isso faz parte do contexto, é certo, mas a defesa do ponto de vista está escondida no levantar da bola, no alguém refletir e no coisas assim. Analise a essência de pontos de vista:

Ponto de vista é postura em relação a algo, enfoque, opinião, visão, convicção.

Já viu um ponto de vista nascer, gente fina? Bote a máscara. Acompanhe o parto: