Pontos de vista e pontos de ativista
Diabinhos
literários tiram plantões, sim, na cachola de escrevinhadores. Havia semanas,
um bando deles me azucrinava por causa de um texto em gestação:
Escreve
essa porra, cara. Escreve fazendo um joguinho com a galera. Escreve. Só tens a
ganhar. No mínimo, zombarias. Pensando melhor. Podes ganhar também pauladas de
lulistas e de bolsonaristas. Vai, escreve.
Então
vou escrever e fazer o joguinho.
Tudo
começa, gente fina, há coisa de dois meses, quando leio um articulista de jornal
e me deparo com este destaque no miolo do artigo:
“Mas
isso é o meu ponto de vista. Não tenho a pretensão de convencer ninguém”.
Passo
dias incomodado com a cautelosa sentença. Pois bem. Agora, no fim de agosto, leio
idêntico enunciado no Estadão - o primeiro foi num jornal natalense.
Entendo
a cautela dos articulistas. Mas, se o ponto de vista não foi para convencer
ninguém, fico me perguntando o motivo de tê-lo exposto. Levantar a bola de um
assunto, fazer alguém refletir, coisas assim, dirá você, gente fina. Isso faz
parte do contexto, é certo, mas a defesa do ponto de vista está escondida no
levantar da bola, no alguém refletir e no coisas assim. Analise a essência de
pontos de vista:
Ponto de vista é postura em relação a algo, enfoque,
opinião, visão, convicção.
Já viu um ponto de vista nascer, gente fina? Bote a máscara. Acompanhe o parto: