segunda-feira, 13 de junho de 2022

A OPINIÃO EM PALÁCIO

 



                                            Imagem google


Oi, gente.

Fiquei um tempão sem postar porque estava numa missão econômica. Eu, Keynes, Samuelson, Smith, Furtado, Marx e Friedman. Trata-se de ambicioso projeto para alterar a ordem política e econômica mundial. Daí o ecletismo dos doutrinadores. Mas avançamos pouco. O tempo foi gasto em chamar o Paulo Guedes de burro e bucéfalo. O PG conseguiu a unanimidade nesses nomes. É mole?

Consenso: democracia alguma sobrevive sem uma classe média.

Corolário 1: é a classe média quem ajuda um vizinho, um amigo, um parente.

Corolário 2: rico não dá um pão dormido a ninguém. Mesmo porque só quem tem acesso a um rico é outro rico.

Conclusão: o bucéfalo e burro PG abriu-se pros lá de cima - os ricos -, fodeu os debaixo - os pobres - e tá botando sem cuspe nos do meio – os médios.

De volta, estou me dedicando a um projeto mais complexo: selecionar algumas postagens a fim de que Osair monte uma coletânea. De 12 a 15 textos, acho. Vou postar um deles agora. Chama-se “A opinião em palácio”. Esse conto, escrito por um tal de Kião, passa pelo crivo de uma irmã dele, daí que, aqui, acolá, vocês vão topar com o Kião interagindo com essa irmã.

É isso. São 12 minutos de vista baixa.

Depois quero a sua opinião; Ou não tem?

 

 

 

A OPINIÃO EM PALÁCIO

 

O Rei fartou-se de reinar sozinho e decidiu partilhar o poder com a Opinião Pública. ― Chamem a Opinião Pública ― ordenou aos serviçais.

Eles percorreram as praças da cidade e não a encontraram. Havia muito que a Opinião Pública deixara de frequentar lugares públicos. Recolhera-se ao Beco sem Saída, onde, furtivamente, abria só um olho, isso mesmo lá de vez em quando. Descoberta, afinal, depois de muitas buscas, ela consentiu em comparecer ao Palácio Real, onde Sua Majestade, acariciando-lhe docemente o queixo, lhe disse: Preciso de ti.

A Opinião, muda como entrara, muda se conservou. Perdera o uso da palavra ou preferia não o exercitar. O Rei insistia, oferecendo-lhe sequilhos e perguntando o que ela pensava disso e daquilo, daquilo e disso, o que ela achava de autoteste covid, se tomaria a vacina CoronaVac, se acreditava em disco voador, se botaria o dedo em urna eletrônica, se lia horóscopos, se se ligava na taxa Selic, se confiava no presidente, se participaria dum ménage à trois, se temia a reação dos filhos caso abrisse uma offshore, essas coisas. E outras. A Opinião Pública abanava a cabeça: não tinha opinião.

Vou te obrigar a ter opinião ― disse o Rei, zangado. ― Meus especialistas te dirão o que deves pensar e manifestar. Não posso mais reinar sem o teu concurso. Instruída devidamente sobre todas as matérias, e tendo assimilado o que é preciso achar sobre cada uma em particular e sobre a problemática geral, tu me serás indispensável.

E virando-se para os serviçais:

Levem esta senhora para o Curso Intensivo de Conceitos Oficiais (CICO). E que ela