Oi, gente.
Fiquei um tempão sem postar porque estava numa missão econômica. Eu,
Keynes, Samuelson, Smith, Furtado, Marx e Friedman. Trata-se de ambicioso projeto
para alterar a ordem política e econômica mundial. Daí o ecletismo dos doutrinadores.
Mas avançamos pouco. O tempo foi gasto em chamar o Paulo Guedes de burro e bucéfalo.
O PG conseguiu a unanimidade nesses nomes. É mole?
Consenso: democracia alguma sobrevive sem uma classe média.
Corolário 1: é a classe média quem ajuda um vizinho, um amigo, um
parente.
Corolário 2: rico não dá um pão dormido a ninguém. Mesmo porque só
quem tem acesso a um rico é outro rico.
Conclusão: o bucéfalo e burro PG abriu-se pros lá de cima - os ricos
-, fodeu os debaixo - os pobres - e tá botando sem cuspe nos do meio – os médios.
De volta, estou me dedicando a um projeto mais complexo: selecionar algumas
postagens a fim de que Osair monte uma coletânea. De 12 a 15 textos, acho. Vou
postar um deles agora. Chama-se “A opinião em palácio”. Esse conto, escrito por
um tal de Kião, passa pelo crivo de uma irmã dele, daí que, aqui, acolá, vocês vão
topar com o Kião interagindo com essa irmã.
É isso. São 12 minutos de vista baixa.
Depois quero a sua opinião; Ou não tem?
A OPINIÃO EM PALÁCIO
O Rei fartou-se de reinar
sozinho e decidiu partilhar o poder com a Opinião Pública. ― Chamem a Opinião
Pública ― ordenou aos serviçais.
Eles percorreram as
praças da cidade e não a encontraram. Havia muito que a Opinião Pública deixara
de frequentar lugares públicos. Recolhera-se ao Beco sem Saída, onde,
furtivamente, abria só um olho, isso mesmo lá de vez em quando. Descoberta,
afinal, depois de muitas buscas, ela consentiu em comparecer ao Palácio Real,
onde Sua Majestade, acariciando-lhe docemente o queixo, lhe disse: Preciso de
ti.
A Opinião, muda como
entrara, muda se conservou. Perdera o uso da palavra ou preferia não o
exercitar. O Rei insistia, oferecendo-lhe sequilhos e perguntando o que ela
pensava disso e daquilo, daquilo e disso, o que ela achava de autoteste covid,
se tomaria a vacina CoronaVac, se acreditava em disco voador, se botaria o dedo
em urna eletrônica, se lia horóscopos, se se ligava na taxa Selic, se confiava
no presidente, se participaria dum ménage à trois, se temia a reação dos filhos
caso abrisse uma offshore, essas coisas. E outras. A Opinião Pública abanava a
cabeça: não tinha opinião.
Vou te obrigar a ter
opinião ― disse o Rei, zangado. ― Meus especialistas te dirão o que deves
pensar e manifestar. Não posso mais reinar sem o teu concurso. Instruída
devidamente sobre todas as matérias, e tendo assimilado o que é preciso achar
sobre cada uma em particular e sobre a problemática geral, tu me serás
indispensável.
E virando-se para os
serviçais:
Levem esta senhora para o Curso Intensivo de Conceitos Oficiais (CICO). E que ela