RECEITA PARA ESCREVER UMA PROSA CONFUSA
Pensa que é fácil? Baita tarefa, a menos que
deliberadamente a escrevamos confusa. Aí é moleza. Moleza, mas carente de
graça, porque o leitor logo perceberá o lé sem cré, o tomé sem bebé, o tanto
sem quanto, o quanto sem tanto, os pingos fora dos is. O texto indigesto a que
me refiro é aquele cujo tema fica roendo os miolos do autor, o infeliz lhe dá
os pertinentes paralelismos, mas do contexto acaba fugindo, seja por falta
de substância, seja por incompetência, seja por simples birra.
Exemplo.
Pensei em rascunhar alguma coisa sobre biografias não autorizadas, um dos
assuntos do momento. Matutei, matutei e peguei a veredinha da curiosidade.
Liberdade de expressão, privacidade, aspectos legais, disso não sairia sequer
uma linha. Meu foco seria descrever a vontade que sente o leitor em querer
acariciar as recônditas virtudes do biografado.
Peguemos um de
nossos políticos governantes. Aquele, por acaso. Então,