BRUXARIA
LITERÁRIA
Não sei explicar. Mas suspeito de alguém. Ou de
algo. Não do nosso amigo Algo, aquele que sempre nos diz, o que nos aconselha
no pé do ouvido. O algo aqui é o do mal, o da coisa feita, o da macumba braba.
Embora certo amigo tenha tido a petulância de me dizer que eu sofrera simples
recaída de duas semanas.
Certo é que
fiquei dois fins de semana sem olhar pra uma gela ou saborear uma branquinha.
Daí o meu branquíssimo gelo inspirador ter travado o Pocilga nesses dias. E
lhes poupado de textos emborrachados de besteirós (o último, supimpa,
lembrem-se, foi colaboração da Silvana).
Dou-me muito
bem com a dupla cambaleante. E dela faço apologia, sim. Quem quiser fazer
mungangas que faça. Tô nem aí! Não é uma apologiazinha de sinceridade que vai
fazer o sujeito encher a careta e cair na sarjeta. De qualquer jeito. De jeito
nenhum, não é verdade? Vejam estas estatísticas e me digam se não tenho razão
de aplaudir as estimulantes líquidas.
92,27% de
minhas amizades foram costuradas com agulhas (Fritas no dendê, no mais das
vezes) de papos cervejados.
90,38% de meus
trabalhos são realizados
com a ajuda de solitários copos rosariados de
correntes. Explico. Minhas tarefas não são rotineiras, requerem planejamentos.
Então – solitariamente - consulto aquelas ardentes estrategistas engarrafadas,
retenho as orientações, sorrio e nos dias seguintes só tenho o trabalho de
pô-las em práticas. Ah, mas todo mundo planeja suas ações, dirá você. É fato.
Porém, duvidodêodó, que com o nível de confiabilidade das minhas.
Mais um dado.
100% de meus textos nascem de influências copeiras. Aqui surge um complicador.
Os diabinhos, gente. Na terceira emborcada, a cachola fica lotada deles. Os
pestinhas enchem-me de palpites, empurram-me alucinações, abarrotam-me de safadezas.
Fico piradão, pessoal. Começo a escrever e termino embaralhando os assuntos,
tal o alvoroço que os caras me impingem.
Mas, como
falei, fiquei carente das alcoólicas benesses por duas semanas consecutivas.
Antes de lhes revelar como me curei, deixem-me falar acerca da precisão
percentual exposta ali em cima. Os números estão corretíssimos, pois usei –
pirateei, confesso -, o software utilizado pelas construtoras dos estádios da
Copa 14. Nossa Arena das Dunas, por exemplo, já está 88,39% pronto. O programa
é absurdamente fiel. Coisa de cinema. Os capetinhas estão doidos que eu lhes
diga como o aplicativo funciona, mas não vou dizer. Talvez em outra postagem,
tá?
Como fiquei
curado? Bom, hora do almoço se aproximando, feijão verde no fogo, a mulher preparando
peixe no coco, eu zanzando dentro de casa, o computador tirando onda comigo.
Vejo a desarrumada estante, dou de cara com o Paulo Coelho, lembrei-me de certa
conversa, senti uma descarga, a ficha caiu. Nossa! O cheiro do feijão verde
misturou-se com o do tucunaré, dei o goto em seco e foi só o que deu: tomei
duas largonas, corri para o computador e comecei a digitar esta prosa.
O lance foi o
seguinte. Tenho um amigo, o Anchieta, que é fã do Paulo Coelho. No quarto desse
amigo tem um retratão do Paulo que toma praticamente uma parede. Por aí vocês
tiram a adoração do cara. Então, caí na tolice de lhe segredar que o meu
romance, o QUÊ?!, estava pega não pega a vendagem do Coelho. Confidenciei ainda
que no próximo ano iria lançar um livro de crônicas, já escrevera cinco delas,
e que a tiragem do bicho certamente ultrapassaria a do Paulo, posto eu estar
entrando no mercado chinês. O infeliz sorriu sem jeito, deu um tempinho e foi
embora. Uma semana depois teve início a minha insensatez abstêmica e, por lógica
decorrência, a derrocada criativa. Muita coincidência, não?
Não posso
provar, mas o bruxo do Anchieta foi direto a algum terreiro e feito uma tramoia
a fim de amarrar meu livro. “Torne-o arredio à bebida”, deve ter dito à
catimbozeira. Vender mais do que o Paulo? Nem pensar! Tanto é certeira a minha
intuição que me bastou ver o Paulo na estante para tudo vir à tona. Algo me diz
que estou certíssimo. E o que acha você?
Safado, o cabeção do Anchieta.
“O almoço tá
num pé e noutro pra sair. Quer pirão?”, anunciou a minha mulher.
Também,
respondi. Respondi e mandei o word dar uma corrigida no texto.
“O almoço tá
na mesa”, gritou ela, enquanto a gramática do word brigava com a do texto.
Já vou.
“O pirão vai
esfriar, homem de Deus!”
Vou já.
E fui!
São servidos?
Até mais ver,
TC
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