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Tchau, querida!
Acerta
quem está supondo que o título acima se refere ao diálogo da presidente Dilma
com o ex-presidente Lula, ocorrido neste turbulento março de dois mil e dezesseis.
Lula estava no aeroporto de Brasília quando recebeu o telefonema de Dilma,
estão lembrados?
Pois!
Vou transcrever
o ponto central da conversa, o período responsável pelo turundundum que deixou
perplexo o país. A presidente falou assim para Lula:
“Seguinte,
eu tô mandando o Bessias junto com o papel pra gente ter ele, e só usa em caso
de necessidade, que é o termo de posse, tá?”
Palavras,
sejam escritas, sejam faladas, manifestam atitudes e só formam sentido com a
leitura dos fatos que lhes deram origem, o tal do contexto. Não sabe ler quem ignora
esse princípio, embora estar ciente dele não garanta a leitura correta. Não garante,
posto a variedade de leituras, mas, no mais das vezes, é grande a possibilidade
de acerto.
Bebeu,
não foi fulano, pergunta a esposa do sujeito que bebe escondido dela. Não! Em absoluto,
responde o infeliz. Conquanto aparentemente sóbrio, mas o olhar morto e os
sinais de euforia o desmente. A leitura do mundo desmascarou a leitura da voz.
Voltemos
à presidente.
O contexto
comunicativo dela, diz parte das ruas brasileiras, era a iminência de Lula ser
preso por ordem do juiz Sérgio Moro. Então, como ministro, com o termo de
posse, a tensão acabava, haja vista a prisão só ser possível agora se a mando
do Supremo Tribunal Federal.
“Tudo
intriga da oposição. Não tínhamos certeza de que Lula comparecesse à solenidade
de posse. A assinatura antecipada do termo foi tão somente uma precaução
burocrática”, diz o governo.
Qual
é a sua opinião? Primeiro a minha? Vejamos a leitura. Do telefonema e dos fatos.
A presidente
se expressa muito mal, gente. “Tô mandando o Bessias junto com o papel”, disse
ela. Pensei até que “o papel” fosse o apelido de alguém que acompanhava o
Bessias. Depois percebi que era o termo de posse. “E só usa em caso de necessidade”,
alertou. Aqui a porca torce o rabo e vai de encontro ao que pensa parte das
ruas. Ora, o termo estava sem a assinatura da presidente. Não valia nadica de
nada, portanto. Qual era a serventia dele, se Lula não poderia esfregá-lo na
fuça da Federal? Pior. O termo voltou com o Bessias (Bessias ou Messias?), afirma
o “pra gente ter ele”. Daí que mesmo para outra “necessidade” o danadão do
papel não poderia ser usado. Incongruência total, portanto. A precaução do
Governo tem mais sentido. Mas por que a tamanha precaução?
Certo
é que, mesmo numa conversa informal, disfunções linguísticas não devem
prevalecer, mais ainda por parte da servidora número um do país. A língua é a
mais viva expressão da nacionalidade. Saber se expressar na própria língua faz
parte dos deveres cívicos. A propósito, o ex-presidente Lula e a presidente Dilma
devem ter um pé atrás com o Brasil. Há um quê de desdém quando pronunciam “esse
país, desse país”. É este e deste país, autoridades. Orgulhem-se. Por favor!
Bom,
e qual seria a leitura do contextão da conversa acerca do termo de posse? Ao responder
as perguntas seguintes