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Olá, gente.
Três meses sem dar
as caras, resolvi postar um excerto do que se tornará meu livro, o culpado
desse hiato. Escritórios da Mente será o nome do presunçoso romance. Botecos, costumes,
sexo. Tem tudo disso lá. Apenas historinhas, né, pessoal?
Dei ao excerto o
título de Outras Idas e Vindas.
Vamos nessa? É curtinha?
Conheçam o TS e a Sylvia.
OUTRAS IDAS E VINDAS
Não diria que seja
aquela coisa de perder o sono. Não. Não é. Mas vez ou outra a vontade chega outra
vez. Principalmente quando estou aqui, no Boteco 891. Foi aqui que tudo
começou. Começou entre um copo e outro de cerveja, em que idas e vindas de
copos se intrometiam entre vindas e idas de nosso olhar. Olhar e outros gestos
existentes desde que o mundo é mundo.
Noutro dia, vejo-a numa
pizzaria de shopping, caminho em sua direção, mas desisto de cumprimentá-la em
razão da intimidade de um chopp escuro com os lábios dela. Vejo a cena e, vejam
só a infantilidade, vejo-me enciumado, pode? Falo com ela noutra oportunidade,
penso. Penso, mas vou prum canto da pizzaria e fico de mutuca na vergonhosa
pegação. Ela usava calça de academia, mostrava as sem funções alcinhas azuis e
mudara o corte do cabelo.
Está simplesmente,
diria eu noutros tempos. Aí ela fazia aquele ar de sapeca, sorria, e perguntava
o que eu queria dizer com simplesmente.
Será que está usando
aquele perfume que me deixava louco?
Vez por outra a
Sylvia ficava com a taça de chopp nos lábios, olhava distante, em idas e vindas
de pensamento. Será que está pensando em mim, em nossas primeiras idas e vindas
de olhar? Ou pensa em nas nossas vindas e idas da vida? Será que está indo ou
vindo da academia? Nisso um diabinho sacana e alcoviteiro me assopra:
Tás vendo, idiota?
Se não tivestes deletado o número dela era só ligar e pronto.
Idiota é você. Não preciso
de memória de celular pra iligar pra ela não, cara.
Noutros momentos, a
minha voz vazava quando pensava nela. Mas nunca naquela intensidade. A ruivaça quase
vizinha de mesa me olhou - olhar guloso, achei -, mas me fiz de idiota e não
dei bola para aqueles olhos verdes. Não dei bola, mas percebi que era friorenta,
denunciava-lhe o casaco protetor, e tinha um sorriso sexy. Esperava o namorado,
talvez.
A Sylvia me expulsou
das redes sociais, deletei seu número, é verdade, providência inútil, porém, já
que seria capaz de discar o número dela mesmo de olhos fechados. Aqui tilintou
a ficha: quem vai pra academia