quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

Jakeline Santiago+Voltaire+Dostoiévski+Nietzsche+Garagem

 


Que título esquisitão é esse, gente? Vou explicar a esquisitice.

Jakeline - escritora potiguar. Voltaire – escritor e filósofo francês. Morreu em 1778. Dostoiévski – escritor e filósofo russo. Morreu em 1881. Nietzsche – escritor e filósofo alemão. Morreu em 1900.

Pensamento marcante do Voltaire: “Se Deus não existisse, seria necessário inventá-lo”. Pensamento marcante do Dostoiévski: “Se Deus não existe, então tudo é permitido”. Pensamento marcante do Nietzsche: “Deus está morto”.

Há diversos pensamentos marcantes na literatura de J Santiago, mas ela não está aqui em razão deles, mas de uma resenha que escrevi sobre o seu histórico Jumento Fantasma (post Emblemático julgamento STF, abaixo deste. Recomendo a leitura). Na resenha, repito o meu clichê predileto, que julgo em sintonia com os marcantes pensamentos desses festejados filósofos. Apreciem o clichê:

“Liberdade não é um conceito humano. É o preceito divino criador do universo. Tudo de bom no mundo é fruto da liberdade. E tudo de ruim é fruto da distorção da liberdade”.

Pois é. Deus criou o universo – e não só o mundo dos humanos – a partir do amor infinito e incondicional, cuja palavra síntese chama-se liberdade e cujo veículo propagador chama-se espírito. Acontece que a distorção da liberdade vem ganhando de goleada da divina aplicação dela. É preciso entender que Deus colocou o livre-arbítrio – a alternativa de o ser humano abandonar atitudes inconsequentes - no pacote da liberdade. Sabia Deus do risco de confundirem liberdade com ilegitimidade. É preciso entender, ainda, a complexidade do termo liberdade. A genuína liberdade, atentem pra isso, consiste em você não fazer o que quer fazer. Uso a liberdade quando quero fumar e não fumo, por exemplo.

Agora vejamos o que disseram os caras ali de cima:

“Se Deus não existisse, seria necessário inventá-lo”. Se Deus não existe, então tudo é permitido”. “Deus está morto”.

O que esses caras disseram é que sem as diretrizes e a crença num legislador universal, Deus, o mundo

seria uma baderna de vontades. Os caras falavam de dinâmico sistema ético existente no espírito humano. Os caras só não usaram “livre-arbítrio e liberdade” porque sabiam que eu usaria essas palavras séculos depois. Nietzsche foi incisivo:. “Deus está morto” quer dizer que a permanente distorção da liberdade vinha matando a bendita diretriz de Deus. É lógico que a frase é força de expressão, já que a liberdade – ou Deus - vive nos abraçando em todos os lugares. Mas também é lógico que a distorção da liberdade está ganhando espantosa velocidade. Distorce o líder religioso quando pede dinheiro aos seguidores a fim de lhes dar a salvação. Distorce o líder político governante quando nega aos governados a decência do bem-estar. Distorceu o eletricista do Jumento Fantasma, o livro da Jakeline Santiago que descreve a morte do Juquinha. E distorceu o motorista que deixou o carro obstruindo a garagem daqui de casa.

Pensaram que eu tinha esquecido a garagem do título, não pensaram?

Esqueci não. Não podia esquecer. Foi ela, a garagem, que me mandou escrever este textinho. Começou assim. Alguém achou que tinha a liberdade de deixar o carro obstruindo a garagem da Buscapé. Cadê Bruno poder sair? Da distorção do motorista restou apenas contrariedade, é certo, mas não é incomum esse tipo de distorção terminar com canela sangrando, dente quebrado, maca de hospital, vela de cemitério e macacão de presídio.

Tudo de ruim.

Convém lembrar de que o bíblico “imagem e semelhança” significa a liberdade divina espelhada nos humanos. Daí que o ser humano é cocriador da obra suprema.

A liberdade – ou criador, ou Pai, ou Deus - precisa ser reverenciada e regada segundo a segundo.

 

No 12 do 25,

Libertário TC

 

 


Um comentário:

Damião dfs disse...

A história da garagem foi inspiradora mesmo. Kkkkk