É especulação marcar no calendário
o dia em que surge o primeiro mal advindo de fenômenos naturais. E em especial
quando são dois os fenômenos. E essa especulação se torna apelativa quando os
fenômenos surgem no mesmo país e no mesmo dia. Assim como é colossal especulação
garantir a causa desses fenômenos. Mas a Folha de São Paulo, de
28 de dezembro de 2026, reportou isso tudo. A Folha
é jocosamente apocalíptica na manchete.
A
humanidade já era. Quem sair por último pode deixar a porta aberta.
A Folha desdobra
assim a manchete:
“O primeiro mosquitinho, logo
apelidado de brochante, apareceu em Brasília, na tarde do 17 de dezembro de 2026.
Na mesma tarde, apareceu em São Paulo, capital, a primeira cobrinha, logo
apelidada de BFL. A soma desses aparecimentos chama-se vingança divina. A humanidade
não aprendeu a lição da covid. Então o Criador achou por bem fazer uma limpa nela”.
Obviamente que não vou
transcrever a matéria da Folha. Destaco, porém, alguns pontos. A Folha
diz que o motivo da limpa do Criador é a “dabundância” do “D” – desdém,
desconfiança, desumanidade - e sai nomeando os representantes do trio.
Como representante do desdém, nomeia
um parlamentar carioca que foi para os Estados Unidos desdenhar do próprio país.
Como representante da desconfiança, o nomeado é um banqueiro paulista que guardava
17 milhões de reais embaixo do colchão por desconfiar do próprio banco. Como representante
da desumanidade, a nomeada é uma senhora pernambucana que trocou o amor de mãe
por dinheiro ao mandar matar a própria filha.
Outros destaques da manchete:
A primeira vítima da cobrinha BFL foi um diretor da Fiesp. A cobrinha estava em cima dum notebook. Dali a duas horas o diretor estava morto. A BFL mede entre 17 e 22 centímetros e apresenta-se conforme a cor do ambiente. O tempo médio de vida do picado é de 3 horas. A BFL aparece do nada e do nada uma começa a comer outra. E é igualmente comum nascerem dois filhotes de cada comida. A pauta da imprensa nacional é noticiar mortes causada pela infeliz. A solução seria importar botas e luvas dos Estados Unidos. Ocorre que a importação desse kit não estava sendo possível, visto aquele citado desdenhador ficar botando areia na importação. No terceiro dia de mortes, surge abençoado alento. Descobre-se que a BFL é um ofídio brasileiro e urbano. Isso quer dizer