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E aí, pessoal, tudo nos
conformes?
Sabe quem deu as caras
por aqui ontem? O Bião. Chegou com um saco de ressacas, duas tiras de mentiras e
três bisacos de bizarrices. Mostrei-lhe os originais de meu livro... Ah, mudei
o nome do livro, galera. Não será mais Escritórios da Mente e sim Por Uma Taça
de Vinho. Bom, o Bião ficou uns minutinhos olhando os originais, fez cara de
aborrecido e me deu uma folha de papel.
Último texto do
Veríssimo. Mas acrescentei alguns detalhes, a exemplo do que fiz no Sebo, disse
ele. Leia, Tião.
Mentira das grandes,
gente. O Bião vive dizendo que é amigo de Luís Fernando Veríssimo, que toca
saxofone com ele e coisa e tal, tudo para se amostrar, como se da rima talento
fingimento resultasse autêntico. Ri da desfaçatez do disfarçado, até porque
acabara de ler “Direta/Esquerda” no Estadão, a última prosa do Veríssimo. Mas
vou ler o conto do tapeador Bião, vivida na pele de um tal Cação.
A SECRETÁRIA DO CAÇÃO
Meu nome de batismo é
Edu, mas todo o mundo me conhece por Cação. Sou da família dos Ãos. Sou ene
neto do Abraão. Todos os varões de nossa família têm um nome oficial e um
histórico. O oficial do Bião, por exemplo, é Ebu. O do Tião é Evu. O meu, Cação,
veio duma sacanagem do Tião, e significa homem imprestável.
Rapaz usado - tenho
sessentinha -, sou romancista. Romancista milionário, acrescento. Mas não em
virtude de direitos autorais. Sou milionário em razão da sorte, já que há anos
ganhei uma bolada na Mega Sena. Mas ninguém sabe que fico mangando do tempo por causa disso. A fim de justificar a
riqueza, fico espalhando que sou mais vendido no exterior do que Paulo Coelho.
Estou terminando de
escrever o livro nº 5. Acontece que a história deu um nó cego. Por isso joguei
nas redes sociais um “precisa-se de secretária”.
Bom, nove horas, eu
estava na expectativa da moreninha. A campainha tocou. Pela câmara da calçada,
vi logo que era linda. Fui recebê-la no portão. Não me segurei:
Como você é linda. Nossa.
Minha vontade é ir ao lugar comum dos clichês, pôr quatro no cocuruto e sair
gritando que você possui estonteante beleza, tem lambível pele aveludada, usa orgástica
voz de mel e é dona de excitante rosto angelical. Você tem excesso de beleza e
carência de antipatia, Educarda.
Eduarda, senhor.
Obrigada, Sr. Edu.
Eduarda, desculpe. Não
sei de onde tirei esse “c”. Vamos pro escritório. É ali, naquela cobertura.
Deve estar estranhando