São 11- E 4 compõem a maior mentira do mundo
Não.
Não é o número de jogadores de um time de futebol. Tampouco o é de ministros do
STF. E o 11 não é santo. Nada disso, apesar de o bom uso das 11 servir de
ajuizadas bússolas para os humanos operarem milagres nas mentes pecadoras.
Elas,
as 11, representam o número de palavras mandachuvas da língua portuguesa. E da
língua de todos os sapiens. Feitas as devidas traduções, obviamente. Elas estão
por trás de tudo o que acontece no mundo.
Eis
as poderosas:
Educação,
interesse, precedente, costume, contexto, sexo, consciência.
É
isso.
Isso
uma ova. Só citou 7 palavrinhas. Faltam 4, dirá você, atento que é.
É
verdade.
Então
vamos jogar ideias com as 11.
Por
que você está me lendo? Porque teve “educação” e mostrou interesse
pela prosa. E, se estiver me lendo pela primeira vez, acabou de abrir belo precedente.
Mas, se já tem o costume, o contexto o manda
prosseguir ou não? Agora, quer o contexto mande, quer não, você só está aqui
por causa do sexo. E ter consciência das artimanhas
desse danado pode livrá-lo ou livrá-la dos espinhos da estupidez. Estupidez na
qual você é dez. Calma, calma, calma. Não só você. Mas também eu, ele e ela.
Esmiucemos
as características das 11. Comecemos pelas 7. Essas, faladas ou escritas, mantêm
o poder individual. Já as 4 só dizem algo juntas. Estão nas 11 porque
representam a maior mentira do mundo. Tal mentira é a pedra angular do
pensamento de economistas, governantes e afins.
Pedra
angular! Nossa! Adoro pedra angular. Sinto singular emoção assistir a uma
multifacetada qualquer cair no vértice da angular e fazê-la colapsar o sistema.
Então.
Tal pedra angular, o postulado-mor das Ciências Econômicas, é a maior mentira
do mundo. Essa mentira enganou Marx, Keynes, Furtado, Shapiro, Samuelson,
Mazzucato. E está atualizadíssima na mesa do Paulo Guedes. O PG quer provar que
a mentira não tem pernas curtas. Mas é de justiça dar um desconto ao PG e aos
que continuam comendo as moscas do escocês Adam Smith. Smith, sim. O pai da
economia moderna, sim. Foi o Smith quem criou a maior mentira do mundo. Criou e
disseminou-a em A Riqueza das Nações, publicada em 1776. O
desconto é concedido porque o mentiroso postulado é sedutor, gente. É de arrancar
aplausos do senso comum.
Soletre
as 4 embusteiras:
Recursos,
necessidades, escassos, ilimitadas. O que dizem isoladamente?
Nadica de nada, não?
Agora
leia a combinação abaixo:
Necessidades
ilimitadas, recursos escassos.
A
combinação é sedutora ou não é? Você ousaria contestá-la?
Não,
né? Então se traje de boa vontade e me acompanhe.
Na
primeira perna - necessidades ilimitadas - a desfaçatez é flagrante. A
necessidade humana é limitadíssima. É comer, beber, proteger-se. Os sapiens
ficaram milênios comendo preá e peixe, bebendo em rios e riachos, protegendo-se
com ramos e resíduos. É lógico que liquidificador é bem-vindo pra moer frutas,
avião é uma boa pra uma viagem longa e fogão a gás ganha de fogão a lenha. Mas ninguém
morre se faltarem essas coisas. Isso é facilidade. Não é necessidade. Pode até
ser necessário. Mas não é necessidade. E isso não é retórica. É rigor.
E
um pai de família, desempregado, com 5 bocas pra dar de comer, em casa apenas
água no pote? Diga a ele que isso não é necessidade ilimitada, articulista
desumano, deve estar matutando você. Chamo uma das 7 palavrinhas – contexto -
para lhe responder. O contexto aqui é macro, é a sociedade, é o Homo sapiens. O
que esse pai de família está passando cai no contexto micro. Vai além de
necessidade. Pertence à família da lamúria e penúria.
Bom. A segunda perna da mentira – recursos escassos - é escárnio puro.