Oi, gente
Falei não falei que tava com uma coletânea de
contos num pé e noutro para ser publicada? Pois! Tá pertinho. Tô na pré-venda
que é pra pagar à editora, ao o Osair. Tô otimista. Em 4 meses já pré-vendi 2
exemplares. Daí que acho que não exagero no otimismo se chegar à Copa de 26 com
30 exemplares pré-vendidos. Mão na roda, né, não? A coletânea ficou porreta,
gente.
Veja o conto 12, escrito por um tal de Zião. São dois
os contistas da coletânea: Zião e Kião. Eles escrevem e enviam pra irmã, a
Feição, avaliar. A Feição, também escritora, é casada com o Tição, igualmente
escritor.
Sem mais delongas:
12 - ZIÂO – DAMIÃO,
O CORONAVÍRUS E O GALO
A coisa começa com D. Damiana e o filho, Damião. Damião
tem treze anos de sapequices. Tanto que é conhecido como Seu Danado:
Damião, meu filho, não tenho como fazer o almoço. Não
vendi nenhuma máscara e o Bolsa Família só deu pra pagar a bodega de Seu Lira.
Seu Lira tá muito importante. Disse que não vendia mais fiado a gente. Bom.
Pegue esse galo, veja se vende por aí, e compre um quilo de feijão, um quilo de
farinha, um quilo de arroz, um pacote de café, um quilo de açúcar e uma bandeja
de ovos. Vê se pega ao menos cinquenta reais. Decorou?
Decorei. O galo é difícil de vender, mãe. O
bem-te-vi é bem mais fácil. O povo até me chama de mentiroso quando eu digo que
a gente cria um bem-te-vi. Dizem que bem-te-vi não se acostuma em gaiola. Morre
de desgosto. Então se eu sair com ele...
O bem-te-vi não, meu filho. O finado seu pai é
capaz de se levantar do túmulo só pra brigar comigo. Venda o galo. Vá. Mas
venha logo. Não vá ficar aglomerando por aí não, viu? Leve umas máscaras. Quem
sabe não consegue vender algumas.
Dessas que a senhora faz não vende não, mãe. Depois
que aquele homem mandou o povo socar máscaras de pano no rabo, só... Ah, mãe,
tô cansado de dizer a senhora: bote quenga de coco no lugar de pano e bambu
ensebado no lugar de elástico que vamos vender feito água. Mas a senhora é uma
mula de teimosa.
Damião! Misericórdia! Deixe de coisa. Agora vá, meu
filho.
Damião botou algumas máscaras no bolso da bunda e
saiu. Na mão esquerda o galo, na direita uma garrafinha de álcool em gel.
Aí, ao passar no oitão duma casa, vê uma janela
aberta e escuta uns gemidos estranhos. Damião para, assuntando, dá uns
pulinhos, apoia-se no parapeito da janela e fica de boca aberta com a presepada:
um homem aglomerava com uma mulher:
Mas óia só! Puxa-vida, eu pensava que essa arrumação
só acontecia de noite.
O pestinha coça o queixo, ri, olha em volta. Não dá
pra subir na janela com o galo. Mas isso é café pequeno pra ele. Chama um
menino que passa do outro lado da rua:
Ei, boy. Chamo, chamo e mãe não atende. Me ajude a
subir aqui. Vou dar um pulinho. Depois tu me dá o galo, tá ligado?
Em segundos, Damião está sentado no beiço da cama.
Bate duas vezes no ombro do homem:
Moço, me compre