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Oi,
pessoal,
Há
quanto tempo, hein! Disse pra vocês que estava escrevendo um romance, lembram? Pois
então. Tô focado nele. Aí fica complicado mentir noutra prosa. Bom, a fim de
que não esqueçam o blogue, vou postar um excerto do romance. Acabei de redigir
o trecho. Vou dar o título de JANTAR DOS DEUSES, embora o deus Irjá e o deus
Ovalu não tenham jantado com a deusa Sylvia.
Boa
janta,
Tião
JANTAR DOS DEUSES
Fato
é que às sete horas da noite estávamos bebendo vinho e jantando. Janta dos
deuses, diga-se. Antes, contudo, fui exemplarmente repreendido. Ocorre que eu
estava de bermuda e boné. Achava que não tinha problema jantar assim. Só janta
se trocar de roupa, diziam elas. Sylvia, então, foi categórica: vá se arrumar,
Antônio. E volte sem esse horroroso caspento na cabeça. Ela tachava de
horroroso caspento o boné-avião, o presente de aniversário dado a mim pela
própria. Trocava de roupa e matutava o quanto alguns homens são displicentes.
Eu estava sendo um extremado sem noção. As moças arrumadíssimas, jantar de festa,
e eu ali em trajes de apagar fogo. Sylvia, de vestes novas, estava lindíssima. Sou
arredio à certas locuções, mas ela estava simplesmente deslumbrante.
Jantávamos,
eu de frente para a Sylvia, a Manuela frente a frente com a Mariana,
brincadeiras indo e voltando, louvores culinários a mil, eu não tirando os olhos
da Sylvia. Parece que a estava vendo pela primeira vez. Com o rabo do olho,
fiquei dando uma corujada na Mariana a fim de saber se ela também mirava a
Sylvia. Olhava com certa insistência, sim. Natural, pois a linda atrai olhares,
magnetizada que é. A perseguição dos meus olhos fez a Sylvia prosear:
Que
foi? Nunca me viu não, amor?
A
dupla interrogação deixou-me agitado. Bolei a arte em segundos. E, à medida que
a admirava, cúmplices palavras juntavam-se a mim. Forcei-me a uma fisiologia de
contrariedade, fixei-me no rosto dela e falei:
Que
foi, que foi, que foi. Você ainda pergunta, Sylvia? Pare com isso, menina.
O
garfo dela ficou suspenso. Não apenas o dela. Garfos e copos a caminhos de
bocas ficaram no ar. Entreolhavam-se e me encaravam. Porra, exagerei na
fisiologia.
Sylvia
retrucou, a cara por acolá:
O
que deu em você, Antônio? Mal começamos a jantar e você já quebra os pratos com
semelhante patada. Não mereço isso, ainda que venha a comer demais, a exemplo
do café da manhã. Estou... Estou, não. Estamos surpresas com tamanha grosseria,
Antônio. Veja só...
Não estou falando de comida, Sylvia. Sabem, meninas,
falei, passeando o olhar entre a Manuela e a Mariana. Hoje, trinta de abril de
2010, faz dois anos que vi essa moça pela primeira vez. Vi e conheci. Mais ou
menos por essa hora, num hotel peruano, em Lima, nossos corpos entravam em
sintonia com o Platão e experimentavam um delírio divino, uma dança sagrada,
conduzida num fluir tranquilo e suave, numa ondulação interminável, por meio do
qual faziam apenas o que devia ser feito um para ou outro, levando-nos além da
fronteira do êxtase e na direção do plano sutil da experiência mística.
Naquele
momento, garotas, tinha a certeza de que a Sylvia era a mulher mais linda da
Colômbia. Agora, aqui, passados dois anos, não tenho dúvida de que estou frente
a frente com a mulher mais linda do mundo.
Fiz
consciente pausa. Via bocas se abrindo e olhos se fechando em mim. Prossegui,
mudando o olhar pra Sylvia:
Se
aos vinte e seis aninhos você já transborda feminilidade, já tem excesso de
beleza, já derrama charme, já verte encanto e já despeja formosura, imaginem, Manuela
e Mariana, essa moça chegando aos trinta e dois, trinta e três, trinta e quatro
anos, idade em que a mulher atinge o auge da beleza. Não é difícil prever o
futuro. Por isso, rogo-lhe, Sylvia: