sábado, 17 de setembro de 2022

O Bolso, a Barba, o Bundão, a Bela, o Botão, a Bermuda, a Batata, a B. E o B

 


    


O Bolso, a Barba, o Bundão, a Bela, o Botão, a Bermuda, a Batata, a B. E o B

 

Sou apolítico, Bastão, falou-me um recém-conhecido, duas semanas atrás. O contexto era a eleição para presidente da República agora em 22. O churrasco estava assando, a gela descendo (a primeira), o papo fluindo. Esse recém é prestador de serviços do ramo de informática. Pequena empresa, diga-se, mas empresário é. E é formado mas não sei informar em que. Fiquei meio assim. Meio assim porque acho estranho a pessoa com o perfil sociocultural daquele recém declarar-se apolítico.

Apolítico em termos partidários, você quer dizer, provoquei-o, querendo esmiuçar o discernimento dele.

Não só partidário, Bastão (ele costuma comer o “i” do meu nome). Acho que política, religião e futebol não se discute, respondeu, dando uma golada na cerveja.

Mais uma vez fiquei meio assim. Meio assim porque acho estranho a pessoa com o perfil sociocultural dele não entender que levantar questões a respeito de algo, defender pontos de vista contrários etc. são sinais de maturidade. São processos de conhecimento, sobretudo nos universais temas citados por ele. Discutir, pra ele, é pré-bofetes, pensei.

Aí o papo mudou e começamos a “discutir” futebol (meu recém é torcedor do América. Sou do Alecrim). Deu-me uma crise de riso daquelas, mas o apolítico não atinava o porquê.

Então. Quarta-feira, 14 do 9, o presidente/candidato Bolsonaro esteve em Natal. Então, de novo, e de novo eu tomando gela (mas sem churrasco), alguém me mostra uma foto do recém, trajando amarelo da cabeça aos pés, bandeirola na mão – direita -, abaixo a legenda: com Bolsonaro na Cidade da Esperança.

Estou na segunda gelada