Sou
fissurado em barzinhos, confesso. É raro eu sair deles sem uma boa história no
quengo. Neles, algo cósmico cozinha a nossa mente e logo nos serve a solução
para as mazelas da vida.
Repito o discurso com o qual deixo cambaleantes os
incrédulos abstêmicos. Barzinho - ou boteco - é terapêutico, já que mestre em
eliminar angústias. É produtivo, posto criar soluções. É humorístico, porquanto
prover descontração. É democrático, visto acolher qualquer assunto. É
extrovertido, haja vista destravar línguas. É abastado, pois costuma tornar o
cliente endinheirado. E também é o que você está pensando: catalizador contumaz
de carnes carnais.
Então, terça-feira do
carnaval-22, vou ao boteco do Assis – na esquina do quarteirão de minha casa -,
acomodo-me numa mesinha de calçada e peço uma gela. Minutos depois chegam
quatro senhores e sentam-se a uma mesa a três metros da minha. Pedem cerveja e
churrasquinhos. Não eram nem moços nem velhos. Adolescentes da velhice, ou
rapazes usados, digamos assim. Não eram bonitos nem feios. Apenas apresentáveis,
se é que me entendem. Mas traziam aquela distinção não desprezada pelos
veteranos da alegria. Aquele indescritível quê, que, alegre, sagaz e irônico,
diz claramente: já vivemos muito e ainda procuramos o que poderíamos amar e
estimar.
Cumprimentamo-nos apenas
de cabeça. Amizades de botecos sempre começam timidamente. Mas tapinhas nas
costas e abraços são comuns nas despedidas. Esse é o protocolo dos biriteiros
oficiais.
Foquei os olhos numa
morena-jambo, olhos azuis, que caminhava na direção da mesa vizinha à dos
pré-idosos. Vinha da parte interna do bar e bebericava uma bebida vermelha. Andava
e dava carona a certas imaginações e a olhares deleitosos. E delituosos. Culpa
do seu excesso de beleza. Falava ao celular, gesticulava e olhava na extensão
da rua. Sentou-se e se pôs a mexer no aparelho.
Bom, os senhores falaram
por alguns instantes da política brasileira, tiraram fino na pandemia covid,
passaram de raspão na guerra Rússia/Ucrânia e iniciaram um papo sobre a gastronomia
francesa.
Não dou dois minutos para o assunto ser mulher, penso. Acerto na mosca. Um deles