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O DOIDO DO DOIS
Ele
não era mais doido do que as outras pessoas do mundo, mas as outras pessoas do
mundo insistiam em dizer que ele era doido. Gostava tanto de números que acabou
se apaixonando pelo 2. Depois disso, virou o Doido do 2. Escrevia o 2 em cortes
de papelão, colava nos raios da bicicleta e saía pedalando mundo a fora aos
berros de 2 é fiel, 2 é fiel, 2 é fiel.
Desculpe,
mas não vejo sinais de doidice nessas pedaladas. Normal, normalíssimo. O 2
merece.
Normal,
normalíssimo? O 2 merece? Pois diga! Doutor, doutor! Misericórdia! Então o
doido era eu, era? Porque eu tinha pena do miserável e ia atrás montado num
cambão de guidom torto corrigindo ele: Deus é fiel, Deus é fiel, Deus é fiel.
Mas o aperreio só vinha na lua grande, entende, doutor?
Entendo,
entendo. Isso durou muito tempo? E o senhor é o que dele?
Durou até 30 de abril de 1967,
quando ele fez 17 anos. Aí ele deu um fora no 2, foi vender os números do jogo
do bicho, apaixonou-se pelo 7 e