CONSIDERAÇÕES
ELEITORAIS DE UM ABESTADO
O
pão deu três reais. O menino deu uma nota de dez. A moça deu-lhe dezessete de
troco. O guri deu-lhe sorridente muito obrigado e deu meia volta pra casa.
Voltou dando risadas, lembrando-se da lição que a mãe lhe dera minutos atrás.
Perguntara a ela por que não podia votar:
-
Porque você só tem doze anos. Faltam quatro. A lei não permite votar com menos
de dezesseis, entendeu?
-
Por que não mudam a lei?
-
Ah, filho, tanta pergunta! Os meninos de sua idade não sabem o que são valores,
ética, moral, honestidade. Não têm
discernimento. Não sabem votar, entendeu?
-
Como assim, mãe! Então faço tudo no computador, tenho facebook, whatsapp e mesmo
assim não tenho discernimento? Não saber digitar dois números num teclado é
imoral, mãe.
-
Não tô falando disso não, meu filho. Estou dizendo que você e os coleguinhas
não sabem distinguir o certo do errado. Tome esse dinheiro. Vá comprar o pão. Vá
e volte voando que ainda vou votar, viu? De que tá rindo?
De
sua ruma de “v”, mãe. A professora disse que o nome disso é colisão ou
aliteração.
“Pronto,
mãe. Voltei voando. Sabe, mãe, a moça me deu o troco errado. Deu dezessete
reais em vez de sete.
-
Foi? Mas aqui só tem os sete. Cadê o resto?
-
Devolvi.
-
Como assim, devolveu? Ô menino besta!
O
moleque fez cara de choro. Mas ficou rindo por dentro.
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Lembrava-me dessa
historinha enquanto preparava a operação apuração de votos. Fiquei matutando. Sou
matuto, gente. E a operação é coisa de matuto mesmo. Vejam. Pego notebook, carregador
de bateria,