Este
blogue completou 9 anos em outubro. Publiquei 268 prosas durante esse tempo. Duas
delas em forma de editorial num hipotético Jornal do Porco. Iniciei o blogue com
a média diária de 40 acessos. Em seguida a frequência foi degringolando e
estacionou na média diária 12 agora no fim do ano. Isso não é lamúria ou sentimento
similar. É a exposição do fato de que não fui capaz de cativar meus leitores,
menos ainda de conquistar novos. É o que diz a leitura do mundo e ponto final.
E é a respeito da leitura
do mundo que publico agora o terceiro editorial. A leitura do mundo vinha me
pressionando a escrever, é certo, mas devo acrescentar recente catalizador: o
“Por uma Taça de Vinho”, romance a que há dias venho aqui me reportando. Romance complementar à leitura do mundo, já
que o material da Taça é a consciência e o conteúdo é o vinho vindo da vivência
da vida. E consciência e vivência, além de rimarem, são as páginas da leitura
do mundo.
Peço licença aos 4
leitores - os responsáveis pelos 12 acessos - para chamá-los de vocês neste editorial,
a última postagem de 2020.
VOCÊS,
O PRESIDENTE DO BRASIL E A LEITURA DO MUNDO
É claro que desconheço em
que vocês votaram para presidente. Mas me desculpem se votaram no candidato
Jair Bolsonaro: pisaram na bola. Vocês não leram a leitura do mundo. Dizia ela que o Sr. Bolsonaro não exibia condições
de ser presidente da República.
A leitura do mundo não
mente. Por isso é que é leitura do mundo, com as devidas vênias ao Conselheiro
Acácio. Vocês não sabem o que significa leitura do mundo? É a pilha das
leituras dos fatos e de suas conexões. Diferente da fila das falas e de suas
intenções. Essa é a leitura do imundo. Essa mostra descaramento. É a do sujeito
que bebe escondido da mulher, senta-se à mesa com imperceptíveis sinais de
embriaguez, mas começa a encher a barriga dizendo que não bebeu. Assídua leitora
do mundo, a consorte só faz rir. Mas esse cinismo, o do mundo familiar, é o de
menos.
O de mais
