quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

VOCÊS, O PRESIDENTE DO BRASIL E A LEITURA DO MUNDO

 


                                                Imagem Google

Este blogue completou 9 anos em outubro. Publiquei 268 prosas durante esse tempo. Duas delas em forma de editorial num hipotético Jornal do Porco. Iniciei o blogue com a média diária de 40 acessos. Em seguida a frequência foi degringolando e estacionou na média diária 12 agora no fim do ano. Isso não é lamúria ou sentimento similar. É a exposição do fato de que não fui capaz de cativar meus leitores, menos ainda de conquistar novos. É o que diz a leitura do mundo e ponto final.

E é a respeito da leitura do mundo que publico agora o terceiro editorial. A leitura do mundo vinha me pressionando a escrever, é certo, mas devo acrescentar recente catalizador: o “Por uma Taça de Vinho”, romance a que há dias venho aqui me reportando.  Romance complementar à leitura do mundo, já que o material da Taça é a consciência e o conteúdo é o vinho vindo da vivência da vida. E consciência e vivência, além de rimarem, são as páginas da leitura do mundo.

Peço licença aos 4 leitores - os responsáveis pelos 12 acessos - para chamá-los de vocês neste editorial, a última postagem de 2020.

 

VOCÊS, O PRESIDENTE DO BRASIL E A LEITURA DO MUNDO

É claro que desconheço em que vocês votaram para presidente. Mas me desculpem se votaram no candidato Jair Bolsonaro: pisaram na bola. Vocês não leram a leitura do mundo. Dizia  ela que o Sr. Bolsonaro não exibia condições de ser presidente da República.

A leitura do mundo não mente. Por isso é que é leitura do mundo, com as devidas vênias ao Conselheiro Acácio. Vocês não sabem o que significa leitura do mundo? É a pilha das leituras dos fatos e de suas conexões. Diferente da fila das falas e de suas intenções. Essa é a leitura do imundo. Essa mostra descaramento. É a do sujeito que bebe escondido da mulher, senta-se à mesa com imperceptíveis sinais de embriaguez, mas começa a encher a barriga dizendo que não bebeu. Assídua leitora do mundo, a consorte só faz rir. Mas esse cinismo, o do mundo familiar, é o de menos.

O de mais

ocorre no mundo da suja política (da suja, entendam), porquanto os cínicos tentarem esconder da sociedade os embustes. Os sacripantas usam as três palavrinhas sem as quais nada acontece na vida para ludibriar os analfabetos mentais. Vocês sabem que palavrinhas são essas? ICC – interesse, contexto, costume. Elas estão presentes em tudo o que acontece em nosso entorno. Daí que na leitura do mundo se ler apenas as ditas palavrinhas e mais duas. Façam um teste que as vislumbrarão. As duas? Consciência e empatia. Sabiam não, é? Ah, já começo a imaginar que votaram no cara. Mas como saber que o cara ou a cara não engorda empatia? Leiam o mundo. Mas vou dar uma dica. O primeiro sinal vem de uma sentença curta: “E daí?”. Essa é batata. Vocês já perceberam o descomunal desdém dessa expressão? Aff! Há empatia no desdém? Há consciência na zombaria?

Não deem voto de confiança a quem a leitura do mundo atestar não cevar consciência e não engordar empatia. E em especial o voto para presidente da República.

Vejam o que diz a leitura do mundo em relação ao presidente Bolsonaro. Página 17: é fã de torturadores. É gamado pelo autoritarismo. É cultor da insensibilidade. E se baba todo quando pronuncia “E daí?”.

O que a leitura do mundo diz aonde isso ia dar?

A tortura na apologia da insanidade. O autoritarismo no desprezo a quem não reza na cartilha dele. A insensibilidade no escárnio pela dor alheia.

A leitura do mundo jamais recomendaria votar num homem desses para presidente da República. Pelo contrário: a leitura do mundo manda punir quem faz gato-sapato da consciência.

Ah, vocês querem vincular essas coisas ao ICC do presidente? Vejamos o que diz a leitura do mundo nos dias de hoje.

 Que o interesse é se reeleger daqui a dois anos. Que vive construindo contextos nesse sentido. Que vive adubando os  costumes do eleitorado que o elegeu.

Vão ler a leitura do mundo ou não? A primeira palavra da leitura do mundo é consciência. Fala assim:

“Todos os crimes do mundo decorrem do atentado contra a consciência. E todos os países devem criar leis que punam os infratores”.

E assim é. Ou devia ser. Vocês quatro aí já notaram isso? É consciente quem estaciona o carro defronte de uma garagem alheia? É consciente quem sai embriagado dirigindo mundo afora? Esses são punidos? São. Ou devem ser. Querem indivíduos mais sem consciência do que o assaltante, o estelionatário, o corrupto, o traficante, o estuprador, o, o, o... São punidos? São. Ou devem ser. E quem, pela estupidez, quer pela ação, quer pela omissão, ajuda a dirigir o rabecão para o cemitério? É punido? Devia ser.

Devia ser. Devia ser, mas...  Mas aí entram interesses vários, contextos múltiplos, costumes diversos.

É isso, meus quatros. Gostaram do editorial? Vocês entenderam bem o que é leitura do mundo?

Se estão vendo este texto como editorial é porque não entenderam nada. Já viram editorial assim? Editorial é o que diz a leitura da enganação, a imunda.  É o que eu disse. Mas a leitura do mundo diz que o texto não passa de uma prosa besta.

 

Té mais. E que o 20 pegue o bonde da história e leve de corona o causador de nossa angústia.

31 do 12 do 20

TC

 

 

 

 

 

 

 

 

 


2 comentários:

Cassia disse...

Faz tempos que não apareço por aqui e depois de tantos anos retorno e não me decepciono! Parabéns!

Tião Carneiro disse...

Oi, Cássia. Você é Carmem Lobo, não é? Como vai com a sua "Vidinha Besta"? Entre em contato comigo, por favor. Quero lhe dar um livro. Mandei até um imaio pra Carmem Lobo, mas não tive resposta. Meus endereços tcarneirosilva@gmail.com ou zap 8800-1610. Obrigado pela visita. Meu abraço, Tião