quinta-feira, 30 de dezembro de 2021

PROVA FINAL

 



PROVA FINAL

Ainda existe prova final pra passar de ano, François?

Última postagem de 2021, deu-me insana vontade de testá-los com igualmente insana prova de conhecimentos gerais. Mas valendo uma graninha, tá OK? Sabem vocês que sou fissurado em jogo. Tanto é verdade que tenho doutorado  em jogo do bicho.

Não chego a afirmar que a vida é um jogo, mas estou certo de que em tudo na vida há noção de jogo. Há jogo de dama e jogo de sedução, jogo de xadrez e jogo do poder, jogo de baralho e jogo de cartas marcadas. E ainda existem o jogo de pernas e o jogo de palavras.

Mas vamos ao que interessa: a prova. Serão 5 quesitos de múltipla escolha. Vocês vão ganhar dois mil por acerto (em centavos, né, gente). E vão perder dois mil por erro (em reais, é claro). Pagamentos por PIX, pessoal. Vamos lá.

Questão 1 – É sabido que as palavras se conectam com os sentidos. Descrever uma jaca ou uma manga espada caindo de madura no chão logo nos faz sentir os deliciosos cheirinhos delas. Da mesma forma que alusão a pum, peido, dejeto, defunto implicam narinas defensivas.

Com base no exposto, marque a opção correta no enunciado “E daí? Não sou coveiro”.

a)      O sujeito da oração é coveiro.

b)      O sujeito da oração está oculto. É defunto.

c)      O sujeito da oração tem predicado fedorento.

d)      “E daí”, partícula expletiva e estilística, assume na oração o valor infanticida e evacuativo do sujeito original.

Questão 2 – O termo patamar tem o sentido figurado de elevação, estágio, nível. É, portanto, um vocábulo de gradação. Ouso afirmar que minhas leitoras estão num patamar de beleza superior ao das leitoras de muitas pocilgas natalenses. Mais uma ilustração. Há poucos dias, e no contexto pandêmico da covi-19, o presidente brasileiro e seu ministro da saúde disseram que o número de mortes e de internações pediátricas (5 a 11 anos) estavam num PATAMAR não exigível de pressa para vacinação desse público. “A pressa é inimiga da perfeição”, garantiu o chefe da saúde. Informação adicional. O número de mortes de brasileirinhos e brasileirinhas pela covid-19 foi de 927 até novembro deste ano.

Em razão do exposto, marque a opção que lhe parecer sensata.

a)      O patamar de pressa do ministro é de 928 crianças mortas.

b)      O patamar de pressa do ministro é de 10.928 crianças mortas.

c)      O patamar de pressa do ministro é de 100.928 crianças mortas.

d)      O patamar de pressa do ministro já foi alcançado. Só não perceberam, o ministro e demais autoridades, por que a moderna vacina – ou as vacinas modernas - que costumeiramente tomam, tipo ngc, pfp, pqp e tnc, deixam-no de senso crítico dormente.

Questão 3 – “Melhor perder a vida do que perder a liberdade”. A frase, já eleita o pensamento do ano, saiu da cachola do presidente da República, o filosofado Jair Bolsonaro. Saiu no bojo (ops) das recomendações sanitárias da exigência do comprovante de vacinação para as pessoas que chegarem ao Brasil. Imediatamente copiada e colada pelo Dr. Queiroga, ministro da saúde, a frase logo ganhou o primeiro lugar na corrida das encrencas nacionais.

Considere o exposto, imagine-se no salão de embarque do aeroporto JMB e marque a opção correta.

a)      Melhor perder a vida, pois da liberdade você precisa.

b)      Melhor perder as duas coisas numa lapada só.

c)      Melhor perder o avião.

d)      Melhor ganhar um carimbo.

Questão 4 – “Uma sociedade não pode usufruir de bem-estar se se mantiver fora da política. A salvação está na política, assim como a salvação da política está na educação. Possíveis canais de salvação, diria melhor, porquanto a estupidez humana ter o nefasto costume de botar areia nos postulados deste autor. Destarte, não vote em candidatos que vivem com a cara por acolá para leituras ou que passam o tempo emitindo falsos sinais de erudição. Leituras ficcionais, ensaios filosóficos, bibliografias de pensadores, acrescento, e não leituras de relatórios, estatísticas, regimentos, manuais de patifarias. E a razão é simples. O governante que não lê vive preso a ideias, por vezes caducas, daí não arejar a mente com a ventilação crítica espalhada pelos bons compêndios. O governante que não lê habita a bolha do analfabetismo mental, a exemplo de muitos indivíduos que se trancam em suas bolhas, jogam a chave fora e disso se orgulham. A propósito de bolhas, recordo-me de ter lido, há cerca de um mês, a declaração de uma socióloga brasileira sobre a morte da popular cantora Marília Mendonça. Dizia ela, em face da repercussão do fatal acidente, estar conhecendo a cantora naquele momento. Pela pista, o refinado intelecto daquela senhora a proíbe de assistir a um programa de auditório, de sintonizar um programa policial e por aí vai. Como se visitar bolhas distintas a tornasse um ser inferior. Não é obrigada a ficar visitando outros sítios, mas sua sopa cultural ficará mais saborosa se a presunçosa estupidez for afastada”. Trecho do livro “For a Glass of wine”, do americano Sinclair Lewis, edição. 2020, editora Z, tradução de Beatriz Dias e Rafael Fontoura.

Releia o texto atentamente e marque as opções corretas.

a)      O autor é um embusteiro. Lewis não podia falar da morte de Marília, já que morreu em 1951.

b)      O autor é um embusteiro. Nem americano é. É alecrinense, palmeirense e fluminense. E abcedista nas horas vagas.

c)      O autor aconselha a não votar em Lula pra presidente, porquanto Lula já ter confessado não gostar de ler.

d)      O autor aconselha a não votar em Bolsonaro pra presidente, pois esse, coitado, nem confessar precisa.

e)      O autor aconselha a não votar em Ciro e Dória pra presidente, posto os sinais emitidos pelos dois atestarem que só leem relatórios e estatísticas.

f)       O autor aconselha a não votar em Moro e Pacheco pra presidente, haja vista os sinais de ambos serem de apenas péssimos leitores de sentenças e regimentos.

g)      O autor aconselha a votar em Simone Tebet pra presidente, já que ela é professora de formação e perspicaz leitora dos clássicos. E dos pernas de paus também.

Questão 5 – Não há jogo mais divertido do que bingo. Tanto que é desaconselhado para gente que vive de bode amarrado. E tudo fica mais engraçado quando o chamador das pedras tem queda pra coisa. As pedras sempre são chamadas pelo simbolismo intrínseco. A verve comunicativa da cantada das pedras é de sutileza humorística dez. A era de Cristo, brada o chamador. Todo mundo marca 33. 2 gringos jogando faca: 55. Tás brincando (criação de Betânio Bezerra): 24. As sapatas de Iracema: 44. De rombo: o número terminado em zero. Agora, gente, chamada alguma ganha de “Um cagando outro espiando”. A imagem de subserviência, humilhação, baba-ovo, submissão e coisas tais é de expressividade ímpar. Sabem que pedra é essa? 69, gente. Vejam o 6. O bicho parece estar no vaso, né não? E o 9? O cabeção tá ou não tá de braços cruzados curtindo a cena? Tá vendo o rolo de papel higiênico? Pois! Dias desses, vi-me marcando a pedra 69 ao ler uma colunista daqui, de Natal. Noticiava ela que um ministro de Bolsonaro, conterrâneo nosso, passando as férias na terrinha, havia ligado para Bolsonaro, agradecendo a dádiva de estar há dois anos servindo ao governo dele. Ligou com os olhos marejados”, fermentou a colunista. Falo fermentou, porque acho que a danada da colunista também gosta de bingo.

Em face do exposto, marque a opção que traduza a pedra 69 no dia a dia de um presidente na administração do país.

a)      Presidente do país, cuja capital é a metrópole onde Judas perdeu as botas, e seus ministros.

b)      Presidente do país, cuja capital é a metrópole chamada Cafundós do Judas, e seus ministros.

c)      Presidente do país, cuja capital é a metrópole mundialmente conhecida por ser lá onde o vento faz a curva, e seus ministros.

d)      Presidente do país, cuja  capital é a única metrópole situada num plano alto desprovido de ondulações, daí ser dessa metrópole a paternidade da revolucionária teoria da “Terra Plana”, e seus ministros.

É isso, alunos. Espero que tenham feito boa prova. Vou pôr um “leia mais” a fim de que vejam o gabarito. Mandem o PIX de vocês pelos comentários.

domingo, 19 de dezembro de 2021

DESABAFO

 



Não sou muito chegado a esse negócio de escrever. Sobretudo para me apresentar. Prefiro garganta e pulmão a computador e caneta. Sou mais o olho no olho. Porque aí vejo realmente com qual tipo de pessoa estou interagindo. E, se for o caso, mandá-la pros quintos do inferno. E, ultimamente, tenho mandado bastante gente. Mas, como quero falar com vocês ao mesmo tempo, fica inviável o tête-à-tête. Falar que digo é o desabafar que falo ali em cima.

Tô cheio, pessoal. Cheio de gente falsa. Estou por aqui com certas siglas, tipo STF, OMS, Anvisa. Os gerentes dessas letras conheciam a minha trajetória. Estudiosos, deviam saber que tenho a natureza do contra, do mal, da intriga. Deviam esperar de mim tão somente insensibilidade, ingratidão, infelicidade. Não apenas eles, na verdade. Vocês também, cambada de puxa-sacos. Daí eu não entender a razão de não terem me enquadrado antes de eu ter aberto os protocolos malignos. Fizeram tão somente gambiarras, frágeis puxadinhos. Esse é um discurso politicamente desastroso, sei bem. Mas é o que sinto. Tô cheio!

Não. Não costumo ser tão sincero e valente assim. Agora, não mexam comigo. Nem com a minha família. Não alivio. Mas não alivio mesmo. Não abro nem prum trem carregado de dinamite. Pra ganhar de mim tem que ter o corpo fechado. Tem que tá vacinado. E bem vacinado. Pra falar em vacina... Vacinar criança! Sei não, sei não, sei não.

Estão surpresos, né? Nunca tinham visto tamanha sinceridade, né? Pois é. Precisava falar isso. É um desabafo com despedida, pessoal. Tô indo embora. No mais tardar

terça-feira, 7 de dezembro de 2021

FLAGRAS DAS PERNAS DO MUNDO PRO AR

 





FLAGRAS DAS PERNAS DO MUNDO PRO AR

 

Não tenho queda para textos curtinhos. Sobretudo crônicas. Costumo cair do cavalo quando me aventuro nelas. Falta-me o adestramento para escrever as coisas do cotidiano. Quem me dera ter a destreza do saudoso Antônio Maria ou a do glorioso Vicente Serejo. Do jeito que sou viciado em jornais, viveria puxando deles as rédeas dos bons choutos literários. Porque jornal, gente, é um estábulo e tanto. Vejam se estas três notícias dos últimos quinze dias não dariam baitas galopes nos dedos dessa dupla.

Interessante é que as notícias se referem à anatomia humana: braço, vagina e peito. Que notícias foram essas? Começo pelo braço.

O flagrante se deu na cidade italiana de Biella, na região do Piemonte. Um espertinho de 50 anos queria o passaporte sanitário sem se vacinar contra a covid-19. O que fez o pirado? Mandou fazer um braço de silicone e pimba. Pimba não, desculpem. Não se vacinou. A enfermeira, Lorena, desconfiou da brancura do braço e mandou-o tirar a camisa. “Mamma Mia”, exclamou ela, irada, procurando algo no ambiente. Lorena só não meteu o cacete no azoreta em razão do "larga isso, Lorena" das colegas.

O flagra da vagina foi colhido no Balneário Camboriú, Brasil. É lá onde mora a influenciadora e escritora de contos eróticos, Ana Otoni. Pois bem, a Ana promoveu o concurso da vagina mais bonita do Brasil. Os seguidores da Ana (milhões e mais milhões) recebiam fotos das vaginas das concorrentes em diferentes ângulos. Fotos naturalíssimas. Com cortes, mas sem recortes ou outros fricotes, diga-se. Recebiam, analisavam e iam eliminando as mais sonolentas e carrancudas, digamos assim. A última votação se deu no 28 do 11. Com 59,3% dos votos, a vagina de 21 aninhos, da carioca Maitê Sasdelli, foi eleita a mais bonita do Brasil.

“Já curtiu a trissílaba PPK da Maitê? É uma obra de arte, papai. Conto com vocês na votação do monossílabo mais lindo do país”, postou a criativa Ana Otoni no Instagram dela.

Fico imaginando a cara de meu primo Bião lendo essa notícia. Turrão ao quadrado, conservador ao cubo, tenho certeza de que, a exemplo da enfermeira italiana, a Lorena, o Bião tentaria meter o cacete nessa carioquinha. Não somente nela, mas também na organizadora da cabeluda baixaria. E em todas as concorrentes. O homem tem monumental ignorância. É jumento todo, pessoal.

O instantâneo do peito foi clicado

segunda-feira, 29 de novembro de 2021

SOBRE A CHAVE NÚMERO 4

 




Bião Decente. O apelido “Decente” é irônico deboche, dizem. Tem sentido. Bião é desleixado (falo do desleixo do Bião no post SOBRE EDUCAÇÃO, abaixo. Leia). Além de desleixado, Bião Decente é analfabeto de pai, mãe, parteira e vizinhos. Radical, vive no pódio da birra. Talvez por viver no mundo do contra, é que Bião teve de se hospedar numa UTI/Covid.

Bião Decente é casado com a enfermeira Miraia. Miraia, aliás, não suportou as truculências do marido, pegou o filho, o Mião, e foi morar com a mãe. Mas tão logo ciente de que o infeliz estava com os sintomas da covid correu e o internou. Bião teve alta com duas semanas de UTI. Miraia o trouxe pra casa. E em casa a Miraia ficou. No terceiro dia, Miraia preparava a janta, Bião a observava...

Que foi, Bião? Venho notando você bastante pensativo. Vai ficar bom, homem.

Acho que sim, acho que sim, Miraia. Não tô pensativo por isso. É sobre um negocinho que leu naquela tabuleta esquisita. Diz que quem não sabe ler não pensa, não conhece as palavras, as imagens, a chuva, um troço assim. Só me lembro duma palavra, uma tal de sapricanta. O que diabo é isso, Miraia?

A palavra é sacripanta, Bião. É o sujeito falso, patife, velhaco. Vou procurar a tabuleta. Bião, homem de Deus, olha só. Tem um monte de tabuletas agora. Tinham apenas 11. Estão dando cria. Misericórdia. Tem três aqui que... Caramba! Achei a sua, Bião. É a 4. Diz assim:

      4. O GHSP (gênero humano, espécie sapiens, família dos primatas) PENSA POR MEIO DE IMAGENS FORMADAS POR PALAVRAS CUJOS SIGNIFICADOS SÃO DO CONHECIMENTO DELE. O NÃO ALFABETIZADO PODE SE ABRIGAR DE CHUVAS, MAS NÃO PODE SE LIVRAR DE POLÍTICOS SACRIPANTAS.

           Puxa! Pura verdade. Me diz uma coisa, Miraia. Você acha que um cabra de 45 anos ainda dá pra aprender alguma coisa?

           É claro, Bião. Está interessado? Serei sua professora. Vamos começar pela Carta do ABC. Topa?

          Sim, sim. Escute, Miraia. Já que a gente tá se entendendo, queria me desculpar pelas brigas que puxei. Você tava certa. Já pensou se você e o Miãozinho tivesse aqui quando peguei a peste dessa covid? Agora, não acho justo você ficar dormindo de rede. O médico disse que eu não passo o vírus pra ninguém. Sinto sua falta. Volte pra cama. Pode até trazer a Carta do ABC e me dar umas aulinhas de reforço. Aí eu ensino a você com quantos paus se faz uma jangada.

Ficaram na risadagem. A educação acabava de oferecer

segunda-feira, 15 de novembro de 2021

SOBRE EDUCAÇÃO

 




SOBRE EDUCAÇÃO

Bião Decente. O apelido “Decente” é irônico deboche, dizem. Tem sentido. Bião é desleixado. Falam bem dele a tampa da caixa d’água caindo aos pedaços e as garrafas de cerveja dormindo no oitão da casa. Bião é microempresário de material de construção. Mas a BCONSTRUÇÃO é registrada no nome da mulher, Miraia (Bião teve vergonha de sujar os dedos a fim de fixá-los nos documentos de abertura da firma).

Bião é radical. Diz que todo político é ladrão, exceto um; que toda mulher é chifreira, exceto a dele; que todo fiscal é corrupto, exceto o irmão. Miraia vivia mais ou menos bem com Bião até a pandemia covid-19 chegar. Por volta de abril/maio de 20 a cara por acolá da Miraia só mostrava o rascunho do belo sorriso de antes. Em maio mesmo o mais ou menos melou de vez. Miraia arrumava o filho - Mião, de 6 anos – pra levar pro médico. Bião pegou ar.

Botando essa porcaria na cara do menino. Tire isso, mulher. Não quero filho maricas.

Briga feia, gente. Miraia decidiu morar com a mãe. Até porque Bião comprara uma pistola não fazia muito tempo. Bião, diga-se, já estava dormindo no sofá havia boas noites.

Nos meados de outubro/21, Miraia sabe da notícia: Bião está se queimando de febre e a garganta fecha não fecha. “Mal ficou bom da dengue, Mi”, completou uma antiga vizinha.

Miraia leva o marido pro hospital. Bião vai direto pra uma UTI da covid-19. Quinze dias entre a vida e a morte, Bião

quinta-feira, 4 de novembro de 2021

OBVIEDADES, OBVIEDADES, OBVIEDADES...

 




OBVIEDADES, OBVIEDADES, OBVIEDADES...

 Escrevemos algumas ficções por ordem do capeta. Entendam. Vivo escrevendo, criei até este diabo, diabo, diabo Pocilga de Ouro ponto com para divulgar as tontices, nunca ganhei nem um pão amassado pelo dito cujo, mas continuo escrevendo as traquinices. Literatura é arte. Precisa ser mostrada, meu. O ganho é o aplauso recebido, dirá alguém. Sei não, viu, Seu Alguém?

Agora vejam se os disparates a seguir não são coisas do coisa-ruim pra cima de mim. Entrem no contexto. 1- O jornalista Vicente Serejo soltou esta notinha na Tribuna do Norte: “O romance potiguar Por uma taça de vinho está entre os finalistas do Prêmio São Paulo de Literatura na categoria Livro do Ano publicado em 2020”. 2- Sou auditor da Receita Federal. Aposentado, pessoal. Por isso vivo escrevendo. 3- A intervenção da colombiana Sylvia, coautora do romance.

Então. Vejo com naturalidade ter recebido parabéns e mais parabéns de colegas da Receita Federal em virtude da simpática nota jornalística. Mas a Sylvia não entendeu assim. Pegou-me no banheiro, eu esfregando o sabonete no quengo. Ela subiu nas tamancas e tomou-me o espumante:

Bonito, né, Antônio (assim a Sylvia me chama. Sylvia é linda. Só perde para as brasileiras). Vale-se da instigação subliminar, a estratégia persuasiva de nossa Taça de Vinho, para vender livros encalhados aos colegas de repartição.

Eu?

Sim, criatura. Você plantou a notinha na Tribuna dizendo-se finalista do Prêmio São Paulo de Literatura. Somos nós

sábado, 16 de outubro de 2021

IMPLICÂNCIAS DE UM BEIRADEIRO

 




IMPLICÂNCIAS DE UM BEIRADEIRO

Faz muito tempo que as implicâncias me azucrinam. Vivo implicando com alguém, com algo, com contextos. Já impliquei até com a minha sombra. Sobretudo quando estou tomando vinho de jurubeba, como agora. Vou citar a última implicância. Favor pegarem leve nas críticas. Afinal, é o ponto de vista de iletrado matuto. Minhas leituras preferidas, gente, são as leituras do mundo.

Lembro-me da primeira implicância postada neste chiqueiro de ouro. Deu-se na construção do Arena das Dunas, aqui, em Natal. A TV mostrava um monte de autoridades - no gramado da Arena - olhando ao redor. O perigo de uma lasca de cimento cair no quengo deles era zero, como diria o outro. Mas todos usavam um capacete na cachola.

Será que é para esconder certas coisinhas que estão rolando na mente delas? Penso assim, começo a rir da patética cena e tome implicar com os inocentes capacetes.

Vejam agora a última implicância. É a respeito de um dos inquéritos do presidente Bolsonaro no STF. Aquele de sua suposta interferência na Polícia Federal, denunciada por Sérgio Moro. O presidente, dizem os fofoqueiros de plantão, queria livrar os dele de indigestos apetites da Federal. Lembram-se disso? Pois.

Intimado a depor, o presidente

sexta-feira, 1 de outubro de 2021

AVACALHAÇÃO

 



AVACALHAÇÃO

Não. Não tem nada a ver com vaca em ação. Se bem que no contexto da prosa existe uma vaca que foi pro brejo há quase dois anos. A avacalhação aqui é sobre algo que vem me deixando intrigado há também quase dois anos. O algo é a legislação eleitoral brasileira. Vejam. Reza a lei que para se candidatar a um cargo eletivo a pessoa precisa se filiar a um partido político. Nada mais coerente. O que a norma está dizendo é que a pessoa deve se juntar a outras que tenham os mesmos objetivos, ideias e tais, com o fim de alcançarem o poder político de proporcionar o que julgam ser o bem-estar da população.

Tomar partido por um ideal. Essa é a lógica da lei.

O que me intriga e - me deixa encabulado mesmo - é a situação do presidente Jair Bolsonaro. Eleito pelo PSL, em 2018, está perto de fazer dois anos que o homem deixou o partido e não se filiou a mais nenhum. Em miúdos: ele precisou de um partido pra se candidatar, mas pra governar o país, não. Isso pode, Arnaldo, passo o tempo me perguntando.

É a lógica da lei natural das coisas morrendo de cólicas, o caput da caganeira.

É a roda grande passando por dentro da pequena.

É o carro na frente dos bois.

É como se depois de pegar voo o avião não precisasse mais do piloto para chegar ao destino. Ih, acho que esse exemplo ficou meio derrubado. Inventem um aí. Ajudem-me.

Entendam, por favor. Sei bem que no mundo partidário é o faz de conta quem manda no pedaço da coerência dos partidos. Mas avacalhação tem limites. Governar dois anos sem ideais de um partido por trás (mesmo ideais de mentirinhas, mas obrigatório na candidatura) também é demais também, como diria meu conterrâneo de Extremoz, Tiquinho Torto de D. Paulina do Pote.

Aliás, tem outra tirada do Tiquinho que cabe aqui. Ele costumava fazer uma fezinha no jogo do bicho pra pagar mais tarde. Tô fazendo um bico ali. Mais tarde eu te pago, Carneiro. Não pagava em algumas vezes. Eu dava uma dura. Ele argumentava:

“Não recebi o bico. Sabe, Carneiro, as coisas nunca são comelação. É cumelaé.

É compreensível. Às vezes, as coisas fogem do nosso controle mesmo. Mas, ao contrário do presidente Bolsonaro, que está passando quase dois anos sem partido, o Tiquinho nunca passou dois dias sem me pagar. A lei devia ter dado um prazo pro governante encontrar sua turma. Dois meses, digamos. O que não pode é a cavalar avacalhação. Curioso nessa história é que o bicho predileto do Tiquinho era o 25, a vaca. Ele jogava vaca do primeiro ao quinto. E é do primeiro ao quinto a vergonha que Bolsonaro está fazendo a gente passar.

Agora, isso aqui pra nós. Não espalhem. É fria. Dizem. Dizem, né. Dizem que o  presidente Bolsonaro é o vice-presidente de um partido clandestino desde março de 2020. “Partido fake é melhor”, está me soprando um dos diabinhos literários. O presidente, alardeiam por aí, é um tal de Lúcifer. Partido pequeno, é verdade. Nanico, falam. Minúsculo, até. Invisível mesmo. O partido tem o número provisório 666 e chama-se PSLL: Partido da Saudade, Lágrimas e Lamentos.


Ah, meu pai.


10 do21,

TC

sexta-feira, 17 de setembro de 2021

PRECEDENTE, PREVIDENTE, PRESIDENTE

 



PRECEDENTE, PREVIDENTE, PRESIDENTE

Optei por esse título depois de brigar com o de bobice, babaquice, bizarrice. Afinal, vou falar mesmo é de bobas, babacas, bizarros. Termos que se encaixam direitinho na Silvinha e Silvana, comentaristas fieis desta Pocilga. Preferi os “ente” de decente em consideração aos demais leitores (5). Só que... Preciso de um parágrafo para estender a reticência.

Seguinte. Certa vez, rebati com esta introdução um comentário da Silvana: “Só que você, cara Silvana...” Pra quê? Ela subiu nas tamancas com 7 pedras de babaquices: “Soque você, caro TC. Respeite sua leitora”.  

Fico matutando com meus botões... Ah, gente, não vou deletar isso. Só quero ver a patada da Silvinha. Ela vai dizer que engoli o “os” depois do “com” e perguntar se faz muito tempo que “como botões”.

Vem de longe essa ilógica desavença comigo. Penso até que minhas prosas atiçam a libido delas. Então elas invertem a postura natural de atração como forma de expressar o bem-querer por mim. O tal de ser humano não é flor que se cheire, gente. Li na Folha, ontem, que tem pessoas pagando a outras para ser humilhadas de forma virtual. Dominador financeiro é o nome do profissional que recebe a grana para chamar o cliente de bundão, enrustido, broxa, incompetente, corno e coisas tais. Daí que a esquisita atitude das meninas seria café pequeno comparando com a atitude esquisitona de querer ser humilhado.

Vejam o que as malas sem alças disseram sobre as duas postagens abaixo desta: “Don porfírio, o desumano e Minha última vez”.

A primeira postagem fala da luta de uma mulher para se livrar do tabaco. O cigarro Don porfírio, no caso. A segunda se refere ao sufoco que certo passageiro passa num voo turbulento: última vez que viajo de avião, jura ele.

Pois bem, Silvana e Silvinha esculhambaram comigo. Disseram que as postagens eram uma putaria só e que eu era um nojento pervertido. É claro que há entrelinhas de erotismo nos textos. Queriam o quê? Que narrasse os fatos como notícia de jornal?

Não as conheço pessoalmente, Guilherme. Delas só sei que são leitoras de François Silvestre e Vicente Serejo, que as duas dividem a escova de dentes e que adoram caldo de cana com pão doce. E que não usam máscara contra o corona. E que, ia esquecendo, não estão nem aí para aglomerações.

Engraçado, Anchieta, é que soube disso tudo numa tacada só. Deu-se assim. Fiz uma postagem informando que “havia dado” 500 máscaras para uma comunidade carente. A boçal Silvinha pegou ar com ares de picardia:

Sempre vi um v de aviadado em tuas prosas, TC. Sei não, viu. Precisas

domingo, 29 de agosto de 2021

DON PORFÍRIO - O DESUMANO

 





DON PORFÍRIO - O DESUMANO

 

Estão sozinhos no apartamento. Ele no sofá de cetim. Ela na cadeira de palhinha. Ela de olhos nele. Ele incapaz de fugir dos olhos dela. Excitadíssima, ela serve luxúria e é servida de imaginação. Indiferentíssimo, ele é servido de luxúria e serve imaginação. Olhos semicerrados, taça de vinho - de beber - na mão, outra - de ler - no colo, ela beberica, folheia e imagina o fogo dele pertinho de seus lábios. Ele se vê vendo a prazerosa fumaça saindo dos lábios dela. Ela é linda, conservadora e heterossexual. Ele é asqueroso, liberal e pansexual. Tinham tudo pra dar errado. Mas há peculiaridades nela e nele que os deixam apaixonadíssimos. Pra ele, o toque dos dedos dela: prévia do contato labial dos deuses. Pra ela, tocá-lo com os dedos: prévia da sugada dos deuses.

Ela é escritora. É xodó de poetas e romancistas. Ele nada escreve, mas é igualmente xodó. De alguns e algumas, diga-se. De outros e outras é inimigo mortal. Vivem tampando o nariz pra ele. Ele é passivo por natureza. Ela se esquenta por qualquer contrariedade. Daí ela pegar ar em razão da passividade dele e gostar de esquentá-lo também.

Como agora, quando acabam de chegar de um lançamento literário, cujo livro repousa no colo dela.

Ela olha pro sofá fixamente. Parece querer jogar fumaça pelas ventas. Então dilata as pupilas, alisa prateado isqueiro em forma de caneta, fita-o no sofá feito pidona e acaricia o cabelo.

Ele percebe naqueles sinais que ela está súper a fim.

Ela respira fundo, simula jogar na cara dele uma tragada de rancor e expele o ressentimento:

Diz que ele não faz a menor noção do que seja amor, que é tão só um aproveitador do emocional dela, a ponto de tê-la tornado dependente dele, e que, ainda acha pouco, e fica lhe fazendo pouco. E arremata em bom som:

“Você me dá prazer, é certo, mas é desumano, sim. Mas nunca se esqueça de que fico pagando por isso, seu gigolô de merda. Aliás, você tá mais pra garoto de programa, meu”.

Faltou-lhe chão. Sofá, melhor dizendo, já que no sofá ele estava. Quis jogar-lhe na cara um bocado de coisas, mas viu que os argumentos só iriam tocar mais fogo no emocional dela. Está acostumado a vê-la puxar briga em razão da tranquilidade dele. Mais ele dando o mote.

Percebia a causa de seu ressentimento. Ela achava que ele fazia pouco dela porque fez companhia a duas de suas colegas no lançamento do livro. As colegas o chamaram para tomar um pouco de ar puro no terraço da livraria. Foi, até para que ela entendesse que ele não era exclusivo dela.

Gigolô, garoto de programa. Quem já viu? Nunca lhe exigira nada. Nem dela nem dos milhões de mulheres que conhecera.

Ele fica alerta. Ela está se levantando da cadeira de palhinha. Vem pegá-lo, já que imprevisível. Não vinha. Passou pelo sofá só faltando estraçalhá-lo com os olhos, dizia-lhe o olhar de desejo e a cara de vampe.

Deve ter ido usar algum artifício a fim de se aliviar. É nisso

quarta-feira, 18 de agosto de 2021

MINHA ÚLTIMA VEZ

 




MINHA ÚLTIMA VEZ

            Não direi a data (foi antes da pandemia), mas revelarei o como e com quem.

Tenho o costume - costume não é a simples repetição de atos. É o orgasmo do precedente - de dar olhadinhas na rua sempre que passo pelo monitor das câmeras. Então. Tomei a vacina, tomei o caminho de casa, tomei banho, tomei um cafezinho e tomei um susto ao flagrar a moça descendo do carro. Cheio de espaço na frente e atrás, mas ela entendeu de estacionar o automóvel atravancando a minha garagem. Uma luta pra ela sair do carro. Saiu e logo percebi a causa. O excesso de beleza e a carência da agilidade dos comuns mortais tornavam-na presa ao cinto. Assemelhava-se a uma deusa, sim. Desceu, deu cinco passos e me deu um choque: é a Miraia. Mirainha por aqui. Meu Deus. Nossa. Ela dá os passinhos e volta pro carro. Esquecera algo ou percebera o automóvel obstruindo a garagem. Ou as duas coisas, obviamente. Volta pro carro tirando a máscara. Não era a Mirainha. O foco da câmera não ajudava, mas ela não era. Ou seria a Miraia pós-quarentena? Falo assim porque a moça era contagiante pandemia de luxúria. Autêntico avião, tal qual a Mirainha.

Mirainha ou não, certo é que as constrangedoras e angustiantes recordações não deram a mínima para a incerteza. As cenas daquela noite bateram-me com força. Não desejo que tresloucados petistas ou bolsonaristas passem por tamanho constrangimento. Deu-se assim.

Servidores federais faziam um encontro preliminar, num hotel, em Fortaleza, para grande evento reivindicatório que se daria em Brasília. Coisa das dez horas da sexta-feira, dávamos por encerrado o encontro. De Natal, apenas eu e a Mirainha. Nosso voo estava marcado para as duas horas da manhã do sábado. Fechamos o hotel, caríssimo, e fomos para uma pousada nos arredores do aeroporto. Por sugestão da Mirainha, acrescento. Alegou ela, no jantar da quinta-feira:

Muito caro pra gente ficar aqui e muito tempo pra gente ficar zanzando no Pinto Martins. Melhor a gente se acomodar numa pousada ali por perto. A diária deve valer a pena. Podemos rachar. Não vejo problema em ficarmos num quarto só. O que você acha? É claro que espero um comportamento exemplar do nobre cavalheiro.

Falou e danou-se a rir a pragmática brincalhona. Também ri, ainda que amarelo. Convém informar que ao conhecer a Mirainha homem algum fica sem imaginá-la. Nunca fui homem algum, de sorte que eu também a imaginava. Com todo o respeito, mas a imaginava, sim. Tanto que a sugestão do quarto comum me pôs em parafuso. Tipo do contexto que o diabo adora, pensava.

Mirainha vai pro shopping depois de tirar minutos de soneca no quarto. Fico lendo Adriana Falcão. Às sete horas fomos jantar – sopa - no refeitório da pousada. Voltamos, a Mirainha fica assistindo ao noticiário da TV. Continuo lendo a Adriana. Receoso de me trair, pois o olhar não engana, especialmente o de fome carnal, não tiro os olhos do livro. Penso em ir tomar um cafezinho, ou uma cerveja, ou um ar puro, mas desisto. Entendo que precisamos enfrentar nossos demônios. Criar contextos artificiais a fim de fugir de contextos fidedignos é perda de tempo. Serve tão só para fortalecer e justificar os contextos autênticos. É tapar o sol com a peneira, como ensina a sabedoria popular.

Agora, é doloroso para um artesão ficar indiferente a uma escultura a dois metros de si. O artesão perito quer admirá-la. Ele sempre percebe a necessidade de toques, retoques, recortes. Mas os meus preceitos morais, talvez arcaicos, vinham aos magotes balançando o não de cabeça. Acatava, é verdade, mas a verdade verdadeira é que ali se faz presente um quê de danação. Tão verdade que a Mirainha percebe:

Vixe como você gosta de ler. É impressão ou está evitando me olhar?

Que ideia mais maluca, Mirainha.

Perdão, criatura.

Fiz uma aquiescência de mãos e aproveitei o momento pra ir ao banheiro, já que há tempo estava apertado. A voz meiga da ardilosa Mirainha, contudo, deixou-me agitado ao extremo. O olhar da pestinha era ironia pura. Levantei-me da cama e saí espreguiçando-me pra frente, meio encurvado. Mas com o canto de olho vi bem que ela fazia um sorriso de canto de boca. Vi assaltante me assaltando, trem virando, navio afundando. E vi avião caindo. Vi de tudo, porém voltei do jeitinho que fui. Mas a Mirainha não estava do jeito que ficou. Sentada no meio da cama, joelhos dobrados, ria à vontade. E tinha o livro da Adriana junto aos seios. Falou rindo o risinho rouco de vampe:

Pra pegá-lo precisa pegá-los, criatura.

Daquele momento em diante o tempo voou. Fiquei num frenesi só. Fiquei realmente nervoso. Jamais ficara assim em situação semelhante.

Acontece. Relaxe, dizia a Mirainha, rosto colado ao meu.

Não tinha jeito de relaxar. A mente começava a encher-me de maus pressentimentos.

O terrível presságio foi me invadindo, contudo administrável durante os procedimentos preliminares. Por fim, o bicho subiu feito um foguete. Mas antes de se estabilizar deu uma balançada ameaçadora e passou segundos descendo.

Nossa, Mirainha, exclamei, depois de tê-la abraçada fortemente.

Tenha calma, relaxe. Acontece. Isso vai passar, criatura. É a primeira vez que você fica assim?

Sem fitá-la, balancei o sim. Sentia-me um lixo, impotente pra tudo. As lágrimas chegaram. Voltara a ser criança. Tão criança que a Mirainha julgou necessário me aninhar em seus peitos, ficar massageando-me o pixaim e repetir o “acontece, tenha calma, isso vai passar, criatura”. Mas não havia massagem que desse jeito.

Não disse que a Mirainha era um autêntico avião? Pois foi no aconchego mamário daquelas asas que fui indo, fui indo, fui indo, até o bem-querer dela deixar-me extasiado. Nisso, sinto um fortíssimo solavanco. Fez-me até dar duas golpadas. Mas aí a prevenida Mirainha já estava me equipando com o recipiente de conter vômitos.

Olhei pela janelinha e vi as luzes de Natal. O solavanco tinha sido do trem de pouso. Estávamos chegando. A turbulência estava indo embora. Eu nunca tinha tido tanto medo de morrer. Ufa.

O avião aterrissou numa boa. Descemos. Agradeci por tudo e roguei-lhe segredo sobre a situação. Já imaginaram se os colegas soubessem que, com medo de o avião cair, eu havia chorado nos braços da Mirainha?

Não vou pra Brasília, Mirainha. Essa foi a última vez que viajo de avião.

Mirainha não falou uma nem duas. Só fez me olhar assim, assim, assim. Assim, sabem?

     Bom. Finalmente a moça estava saindo do carro. Saía com uma taça de vinho na mão esquerda. Caminhou pro meu portão. Apertou o botão da campainha e se apresentou. Não era realmente a brasileira Miraia. Era a colombiana Sylvia. Pra não deixar dúvida, ela falou em espanhol e português:

        Hola, soy Sylvia. Quiero hablar con mi autor.

Olá, sou a Sylvia. Quero falar com o meu autor.

Não cabendo em mim, destravei o portão e fui recebê-la. Aí, aí... Aí não tinha ninguém. Nem carro estacionado.

Alisei o dolorido braço e massageei o quengo: caramba, que reação devastadora tem essa vacina.

 

8 do 21

TC                                                     

TIM-TIM

 

 


Atenção. Preciso testar uma coisinha do blogue. Você poderia escrever um OK aqui embaixo, na área de comentários? Fica a seu critério se identificar, O OK me basta, tá OK? Um abraço