sábado, 16 de outubro de 2021

IMPLICÂNCIAS DE UM BEIRADEIRO

 




IMPLICÂNCIAS DE UM BEIRADEIRO

Faz muito tempo que as implicâncias me azucrinam. Vivo implicando com alguém, com algo, com contextos. Já impliquei até com a minha sombra. Sobretudo quando estou tomando vinho de jurubeba, como agora. Vou citar a última implicância. Favor pegarem leve nas críticas. Afinal, é o ponto de vista de iletrado matuto. Minhas leituras preferidas, gente, são as leituras do mundo.

Lembro-me da primeira implicância postada neste chiqueiro de ouro. Deu-se na construção do Arena das Dunas, aqui, em Natal. A TV mostrava um monte de autoridades - no gramado da Arena - olhando ao redor. O perigo de uma lasca de cimento cair no quengo deles era zero, como diria o outro. Mas todos usavam um capacete na cachola.

Será que é para esconder certas coisinhas que estão rolando na mente delas? Penso assim, começo a rir da patética cena e tome implicar com os inocentes capacetes.

Vejam agora a última implicância. É a respeito de um dos inquéritos do presidente Bolsonaro no STF. Aquele de sua suposta interferência na Polícia Federal, denunciada por Sérgio Moro. O presidente, dizem os fofoqueiros de plantão, queria livrar os dele de indigestos apetites da Federal. Lembram-se disso? Pois.

Intimado a depor, o presidente

bateu o pé e disse que só prestaria depoimento por escrito (já acertara tudo com o Temer). Aí, aos 45 do segundo tempo, Bolsonaro mandou dizer pro Alexandre de Moraes, o dono do inquérito no STF, que toparia prestar depoimento de forma presencial. Mas sabem vocês quem vai colher o depoimento? A própria Polícia Federal, a supostamente interferida. Sabiam disso? Pois. Implico com esse modelo inquisitório, porquanto pressenti-lo sujeito a burburinhos. O povo, pessoal, só quer um pé pra sair falando abobrinhas,

Por sorte, o Brasil é governado por um presidente que respeita as instituições. Sabe que terá diante de si um agente do Estado. Democrata todo, saberá se comportar como fidedigno cidadão. Fosse o presidente um desses arengueiros da vida, autoritário, praticante da corrente de que quem pode mais pode menos, não seria exagero imaginarmos este diálogo:

Presidente: Eu me intrometi em você, Polícia Federal? Eu lhe pedi algo fora das quatro linhas da Constituição, Polícia Federal? Polícia Federal: O que acontece, presidente, é que... Presidente: Responda sim ou não, taokei? Polícia Federal: Não. Nem se intrometeu nem pediu, presidente. Imagina.

Nessas alturas, alguém aí deve estar me tachando  de bolsonarista e tal pelo fato de eu ter usado “suposta interferência e dizem os fofoqueiros de plantão”. Se pudessem, esses desinformados socariam nas minhas ouças estas palavras do presidente Bolsonaro naquela reunião ministerial de 2020:

“Não vou esperar foder a minha família, os amigos. Por que não posso trocar alguém da segurança na ponta da linha? Vou trocar, sim. Se não puder trocar, troco o chefe dele. Não pode trocar o chefe dele? Troco o ministro e ponto final. Não estamos aqui pra brincadeira”.

Ouviu, seu escrevente tendencioso? Aí chega você e fala de suposta interferência e fofoqueiros de plantão. É sério que esse homem não é autoritário? Qual é a sua, meu?

E daí, digo eu aos analfabetos em contextos. O presidente vivia o calor de uma reunião ministerial, meu povo. E, como do nosso saber, o presidente é terrivelmente sincero quando submetido ao calor desses momentos. Não viram e ouviram, por acaso, o que o presidente falou daquele ministro do STF, no calor do 7 de setembro, em São Paulo?

Agora, na Polícia Federal, portas fechadas, ar-condicionado, água geladinha, ausência total de calor do momento, o contexto é outro. O risco de o presidente Bolsonaro ser terrivelmente sincero é zero, como diria o outro (adoro risco zero e o outro, pessoal).

De qualquer forma, implico com esse modelo de a Polícia Federal imprensar um presidente da República.

Sabem o que penso? Acompanhem o raciocínio deste beiradeiro. O presidente, assim como qualquer cidadão brasileiro, precisa estar amparado pelo Devido Processo Legal para ser inquirido. E DEVIDO, aqui, como ensina o professor François, é o particípio do verbo DEVER. Portanto, o  Estado DEVE ao presidente Bolsonaro o Devido Processo Legal para inquiri-lo. Inquiri-lo, condená-lo ou inocentá-lo. Estão a me acompanhar, como diria o outro?

Pois bem. O guardião das leis brasileiras é o Supremo Tribunal Federal, certo? O inquiridor de um presidente da República deveria ser um ministro do STF, certo? Só assim evita-se a falação do povo, porquanto assegurado ao presidente o Devido Processo Legal. Por que deveria? Porque o STF pode ser fechado a qualquer momento. E fechado por aquele que é, hoje, a maior autoridade do Brasil. E quem vislumbrou essa autoridade, justiça seja feita, não fui eu. Foi a ímpar proficiência de um parlamentar brasileiro.

Então, abatido pelo contexto ameaçador, o STF, haveremos de convir, comportar-se-á (como diria o outro) titubeante, para dizer o mínimo, no tête-à-tête com o presidente. Daí que, na modéstia opinião deste beira de estrada, quem deve interrogar o presidente da República é a maior autoridade do país, aquela vislumbrada pelo proficiente parlamentar.

Essa autoridade, hoje o único ser que assegura o DPL ao presidente, é um cabo da gloriosa Polícia Militar. E o proficiente parlamentar, o descobridor do feito, é o deputado Eduardo Bolsonaro. Disse o deputado no mais alto dos sons: “Basta um cabo e um soldado para fechar o STF”. Falou assim a duas semanas de o Sr. Jair Bolsonaro ser eleito presidente da República. E o deputado, é bom que se registre, é filho do Sr. Jair Bolsonaro.

Até há quem diga que o deputado puxou ao pai. Acho que não. Acho que estamos diante do raríssimo caso em que o pai puxa ao filho. O que você acha?

É isso.

 

Seria isso, mas, como falei em cabo da PM, lembrei-me de outra implicância em cujo enredo também existe um cabo. A implicância é com o Google, pessoal. Vou pegar outra garrafa de Jurubeba. Começa assim.

Meu primo Bião começou a vender laranja e pitomba na calçada lateral do Banco do Brasil, no bairro da Ribeira, aqui, em Natal. Não atrapalhava os negócios do BB em nadica de nada. Mas o gerente do BB, o Guedinho, achou de se ter com o Bião. Discutiram e brigaram.  Guedinho, gente, é economista, assim como eu. Ele da Escola de Chicago. Eu da Escola de Extremoz.

Guedinho sempre foi ligado ao sistema bancário. Como eu trabalhava na Receita Federal, pertinho do Banco, aqui, acolá, trocávamos ideias econômicas. Em nome da eficiência, Guedinho defendia uma economia de extremada  privatização. Em nome do bom senso, eu advogava no sentido do meio termo. E justificava: no seu sistema, Guedinho, a concentração de renda acaba com a classe média. E nenhum país, exceto os de regimes repressores, terá sossego político na ausência de pujante classe média, estimulada e cuidada pelos Governos. É ela quem faz o meio de campo social e ajuda os mais necessitados. Até porque rico não dá um pão a um doido, Guedinho. Classe média não cria empregos, Sr. Carneiro, retrucava ele, com um risinho de canto de boca.

Mas divergíamos educadamente. Isso durou até ele me chamar de parasita. Não saímos no bofete em razão de minha conhecidíssima frouxura. Mas o Bião saiu no tabefe com o Guedinho. Acabaram na polícia. Lá, o cabo Dedé lavrou um Termo de Acordo de Cavalheiros e pôs o ponto final na briga. Ficou acordado que o Bião podia vender laranja e pitomba na calçada do BB, desde que não emprestasse dinheiro a ninguém. E que o BB não podia vender laranja nem pitomba.

Aí o que acontece. Acabo de saber que o Guedinho tem uma empresa no exterior, numa tal de Ilhas Virgens Britânicas. Fiquei bege, como dizia uma colega de trabalho. No lugar de botar uma empresa no Brasil, criar emprego aqui, o infeliz vai botar lá nos cafundós do judas. Que Judas.

Fiquei doido pra saber o que o Guedinho está vendendo. Bens ou serviços? Vende laranjas e pitombas? Vende lavagem de ternos e terninhos? Ninguém soube responder. Perguntei ao Google. Não dizem que ele sabe de tudo? Faz uma semana que pergunto e nada de resposta. O Google sai pela tangente. Diz que o Guedinho tem vários negócios no estrangeiro e tal e fica me enrolando.

Por isso comecei a implicar com o sacana do Google. Sacana, já que, pelo visto, é cúmplice do Guedinho.

Será que você pode me informar o que a empresa do Guedinho vende? Não? Acho que vou implicar com você, viu?


Oi, pessoal. Preciso editar uma coisinha aqui. Seguinte. 30 minutos depois da postagem, o blogue acolheu um comentário pra lá de sacana de um anônimo. Ou anônima, já que a mente pervertida não quis se identificar. Escreveu ele. Ou ela: “Olha, TC, não conheço os negócios do Guedinho em outros cafundós. Mas conheço os das Ilhas Virgens. De certa forma, os negócios dele lá tem relação com os cachos de pitomba e as laranjas descascadas que seu primo Bião vendia. Guedinho, TC, vende bens e serviços. Ele abriu nas Ilhas virgens uma rede de beréu, casa de drink, cabaré. Casas de recurso, enfim. Vende camisinhas e os serviços vinculados ao bem. Ah, a PF – Paraiso Fisgar, o nome da empresa – vai de vento em popa, TC. Homem de visão, o Guedinho, não?

 

Natal, 10 do 21,

TC

TIM-TIM, professoras e professores.

 


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