AVACALHAÇÃO
Não. Não tem nada a ver
com vaca em ação. Se bem que no contexto da prosa existe uma vaca que foi pro
brejo há quase dois anos. A avacalhação aqui é sobre algo que vem me deixando
intrigado há também quase dois anos. O algo é a legislação eleitoral
brasileira. Vejam. Reza a lei que para se candidatar a um cargo eletivo a
pessoa precisa se filiar a um partido político. Nada mais coerente. O que a
norma está dizendo é que a pessoa deve se juntar a outras que tenham os mesmos objetivos,
ideias e tais, com o fim de alcançarem o poder político de proporcionar o que
julgam ser o bem-estar da população.
Tomar partido por um
ideal. Essa é a lógica da lei.
O que me intriga e - me deixa
encabulado mesmo - é a situação do presidente Jair Bolsonaro. Eleito pelo PSL,
em 2018, está perto de fazer dois anos que o homem deixou o partido e não se
filiou a mais nenhum. Em miúdos: ele precisou de um partido pra se candidatar,
mas pra governar o país, não. Isso pode, Arnaldo, passo o tempo me perguntando.
É a lógica da lei natural
das coisas morrendo de cólicas, o caput da caganeira.
É a roda grande passando
por dentro da pequena.
É o carro na frente dos
bois.
É como se depois de pegar
voo o avião não precisasse mais do piloto para chegar ao destino. Ih, acho que
esse exemplo ficou meio derrubado. Inventem um aí. Ajudem-me.
Entendam, por favor. Sei
bem que no mundo partidário é o faz de conta quem manda no pedaço da coerência
dos partidos. Mas avacalhação tem limites. Governar dois anos sem ideais de um
partido por trás (mesmo ideais de mentirinhas, mas obrigatório na candidatura)
também é demais também, como diria meu conterrâneo de Extremoz, Tiquinho Torto
de D. Paulina do Pote.
Aliás, tem outra tirada
do Tiquinho que cabe aqui. Ele costumava fazer uma fezinha no jogo do bicho pra
pagar mais tarde. Tô fazendo um bico ali. Mais tarde eu te pago, Carneiro. Não
pagava em algumas vezes. Eu dava uma dura. Ele argumentava:
“Não recebi o bico. Sabe,
Carneiro, as coisas nunca são comelação. É cumelaé.
É compreensível. Às
vezes, as coisas fogem do nosso controle mesmo. Mas, ao contrário do presidente
Bolsonaro, que está passando quase dois anos sem partido, o Tiquinho nunca
passou dois dias sem me pagar. A lei devia ter dado um prazo pro governante
encontrar sua turma. Dois meses, digamos. O que não pode é a cavalar avacalhação.
Curioso nessa história é que o bicho predileto do Tiquinho era o 25, a vaca.
Ele jogava vaca do primeiro ao quinto. E é do primeiro ao quinto a vergonha que
Bolsonaro está fazendo a gente passar.
Agora, isso aqui pra nós.
Não espalhem. É fria. Dizem. Dizem, né. Dizem que o presidente Bolsonaro é o vice-presidente de um
partido clandestino desde março de 2020. “Partido fake é melhor”, está me soprando
um dos diabinhos literários. O presidente, alardeiam por aí, é um tal de Lúcifer.
Partido pequeno, é verdade. Nanico, falam. Minúsculo, até. Invisível mesmo. O
partido tem o número provisório 666 e chama-se PSLL: Partido da Saudade,
Lágrimas e Lamentos.
Ah, meu pai.
10 do21,
TC
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Teste
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