sexta-feira, 1 de outubro de 2021

AVACALHAÇÃO

 



AVACALHAÇÃO

Não. Não tem nada a ver com vaca em ação. Se bem que no contexto da prosa existe uma vaca que foi pro brejo há quase dois anos. A avacalhação aqui é sobre algo que vem me deixando intrigado há também quase dois anos. O algo é a legislação eleitoral brasileira. Vejam. Reza a lei que para se candidatar a um cargo eletivo a pessoa precisa se filiar a um partido político. Nada mais coerente. O que a norma está dizendo é que a pessoa deve se juntar a outras que tenham os mesmos objetivos, ideias e tais, com o fim de alcançarem o poder político de proporcionar o que julgam ser o bem-estar da população.

Tomar partido por um ideal. Essa é a lógica da lei.

O que me intriga e - me deixa encabulado mesmo - é a situação do presidente Jair Bolsonaro. Eleito pelo PSL, em 2018, está perto de fazer dois anos que o homem deixou o partido e não se filiou a mais nenhum. Em miúdos: ele precisou de um partido pra se candidatar, mas pra governar o país, não. Isso pode, Arnaldo, passo o tempo me perguntando.

É a lógica da lei natural das coisas morrendo de cólicas, o caput da caganeira.

É a roda grande passando por dentro da pequena.

É o carro na frente dos bois.

É como se depois de pegar voo o avião não precisasse mais do piloto para chegar ao destino. Ih, acho que esse exemplo ficou meio derrubado. Inventem um aí. Ajudem-me.

Entendam, por favor. Sei bem que no mundo partidário é o faz de conta quem manda no pedaço da coerência dos partidos. Mas avacalhação tem limites. Governar dois anos sem ideais de um partido por trás (mesmo ideais de mentirinhas, mas obrigatório na candidatura) também é demais também, como diria meu conterrâneo de Extremoz, Tiquinho Torto de D. Paulina do Pote.

Aliás, tem outra tirada do Tiquinho que cabe aqui. Ele costumava fazer uma fezinha no jogo do bicho pra pagar mais tarde. Tô fazendo um bico ali. Mais tarde eu te pago, Carneiro. Não pagava em algumas vezes. Eu dava uma dura. Ele argumentava:

“Não recebi o bico. Sabe, Carneiro, as coisas nunca são comelação. É cumelaé.

É compreensível. Às vezes, as coisas fogem do nosso controle mesmo. Mas, ao contrário do presidente Bolsonaro, que está passando quase dois anos sem partido, o Tiquinho nunca passou dois dias sem me pagar. A lei devia ter dado um prazo pro governante encontrar sua turma. Dois meses, digamos. O que não pode é a cavalar avacalhação. Curioso nessa história é que o bicho predileto do Tiquinho era o 25, a vaca. Ele jogava vaca do primeiro ao quinto. E é do primeiro ao quinto a vergonha que Bolsonaro está fazendo a gente passar.

Agora, isso aqui pra nós. Não espalhem. É fria. Dizem. Dizem, né. Dizem que o  presidente Bolsonaro é o vice-presidente de um partido clandestino desde março de 2020. “Partido fake é melhor”, está me soprando um dos diabinhos literários. O presidente, alardeiam por aí, é um tal de Lúcifer. Partido pequeno, é verdade. Nanico, falam. Minúsculo, até. Invisível mesmo. O partido tem o número provisório 666 e chama-se PSLL: Partido da Saudade, Lágrimas e Lamentos.


Ah, meu pai.


10 do21,

TC