sexta-feira, 17 de setembro de 2021

PRECEDENTE, PREVIDENTE, PRESIDENTE

 



PRECEDENTE, PREVIDENTE, PRESIDENTE

Optei por esse título depois de brigar com o de bobice, babaquice, bizarrice. Afinal, vou falar mesmo é de bobas, babacas, bizarros. Termos que se encaixam direitinho na Silvinha e Silvana, comentaristas fieis desta Pocilga. Preferi os “ente” de decente em consideração aos demais leitores (5). Só que... Preciso de um parágrafo para estender a reticência.

Seguinte. Certa vez, rebati com esta introdução um comentário da Silvana: “Só que você, cara Silvana...” Pra quê? Ela subiu nas tamancas com 7 pedras de babaquices: “Soque você, caro TC. Respeite sua leitora”.  

Fico matutando com meus botões... Ah, gente, não vou deletar isso. Só quero ver a patada da Silvinha. Ela vai dizer que engoli o “os” depois do “com” e perguntar se faz muito tempo que “como botões”.

Vem de longe essa ilógica desavença comigo. Penso até que minhas prosas atiçam a libido delas. Então elas invertem a postura natural de atração como forma de expressar o bem-querer por mim. O tal de ser humano não é flor que se cheire, gente. Li na Folha, ontem, que tem pessoas pagando a outras para ser humilhadas de forma virtual. Dominador financeiro é o nome do profissional que recebe a grana para chamar o cliente de bundão, enrustido, broxa, incompetente, corno e coisas tais. Daí que a esquisita atitude das meninas seria café pequeno comparando com a atitude esquisitona de querer ser humilhado.

Vejam o que as malas sem alças disseram sobre as duas postagens abaixo desta: “Don porfírio, o desumano e Minha última vez”.

A primeira postagem fala da luta de uma mulher para se livrar do tabaco. O cigarro Don porfírio, no caso. A segunda se refere ao sufoco que certo passageiro passa num voo turbulento: última vez que viajo de avião, jura ele.

Pois bem, Silvana e Silvinha esculhambaram comigo. Disseram que as postagens eram uma putaria só e que eu era um nojento pervertido. É claro que há entrelinhas de erotismo nos textos. Queriam o quê? Que narrasse os fatos como notícia de jornal?

Não as conheço pessoalmente, Guilherme. Delas só sei que são leitoras de François Silvestre e Vicente Serejo, que as duas dividem a escova de dentes e que adoram caldo de cana com pão doce. E que não usam máscara contra o corona. E que, ia esquecendo, não estão nem aí para aglomerações.

Engraçado, Anchieta, é que soube disso tudo numa tacada só. Deu-se assim. Fiz uma postagem informando que “havia dado” 500 máscaras para uma comunidade carente. A boçal Silvinha pegou ar com ares de picardia:

Sempre vi um v de aviadado em tuas prosas, TC. Sei não, viu. Precisas

se espelhar no François e Serejo, cara, os dois dez da escrita do RN. Nem eu nem a Silvana usamos máscaras, TC. São antolhos sem eficácia comprovada. Podemos conversar sobre isso tomando caldo de cana com pão doce. Uma delícia. Apenas nós dois. Porque se a Silvana souber adeus escova de dentes única. Mas, se não gostares de caldo de cana, podemos saborear tapioca molhada com ginga no espeto. Digo a Silvana que estou meio mole e que vou fazer o teste covid. Posso muito bem testar positivo e voltar toda quebrada, não é? É lógico que ela vai ficar longe de mim. O que achas, TC? Ou tens medo de aglomerar? És marica, é?

Dei-lhe um chega pra lá, Ednésio, com entrelinhas de sacanagem:

Tapioca molhada no leite de coco ou no leite de cocos? Ginga do peixinho substantivo ou ginga do peixão verbo? Não costumo saborear essas guloseimas com leitoras, Silvinha.

Recebi um baita basta seguido de um monte de kkkk.

BASTA! kkkkk.

Tais entreveros só ocorrem, na verdade, por minha causa. Há tempos, rebati um comentário delas a respeito dum conto. Elas rebateram a rebatida. Rebati a rebatida delas. E ficamos rebatendo. Hoje somos fraternos encrenqueiros. Não tivesse lhes dado corda, a bizarrice teria se afogado na hora, né não?

O interessante da coisa, Martha, é que escrevi as prosas do cigarro e a da turbulência em razão das piadas delas – notadamente da Silvana. Ficam dizendo que só escrevo obviedades. Mas quando saí um pouco do óbvio, as distintas chegaram dando uma de santa, como se marinheiras de primeira viagem.

Falar em óbvio, sempre fico com um pé atrás quando escuto alguém reclamar do óbvio de outro alguém. Falou o óbvio, escreveu o óbvio, dizem, com azedumes de limão.

Vivemos de obviedades, estúpidos. Costumo dizer que o óbvio é o orgulho do costume, de quem o precedente vive se orgulhando. Nasce-se de precedentes, vive-se de costumes, morre-se de obviedades. É óbvio que nem todo precedente, seja o sadio, seja o vadio, vira costume e a seguir obviedade. Precisamos plugar, porém, nos precedentes podres. Caso contrário, eles podem se casar com costumes canalhas e ordenarem obtusas obviedades.

Precedentes, costumes, obviedades. Essa é a segunda programação cronológica/neuronial do Homo sapiens. A primeira - em cuja composição constava a consciência - caducou com Matusalém. Coube a Noé, neto de Matusalém, bolar a programação atual. Noé, num pensar ameninado (tinha 10 anos), tirou a consciência da programação e botou a estupidez. Mas isso é outra história. Certo é que de Noé pra cá, todas as cópias sapiens estão sendo prensadas por meio da programação PRECEDENTE/COSTUME/OBVIEDADE. Serem burras ou sábias (às vezes ao mesmo tempo) vai depender dos precedentes que haverão de abrir.

Atentem para a cronológica programação neuronial sapiens.

As cópias sapiens TC, Silvana e Silvinha abriram precedentes literários, que viraram costumes conflitantes. Hoje é mais do que óbvio o confronto, já que consolidado, ainda que vivam se aturando.

Agora, François, analise a cópia sapiens Jair Bolsonaro, presidente da República Federativa do Brasil. Em algum momento de sua meninice, essa cópia se torna arengueira. Acostuma-se e carrega a arenga para a vida pública. Pelo menos é o que diz o histórico parlamentar dela. A cópia sapiens Jair se elege presidente com ela, a arenga, e com ela está governando. Pior:

Pior 1. O costume arengueiro e encrenqueiro da cópia presidente já se transformou em obviedade, pois é assim que o Brasil e o mundo a vê.

Pior 2. Mal começa a governar, a cópia sapiens se dana a combater o resultado da programação neuronial sapiens mais bela e construtiva de todos os tempos: A CIÊNCIA. Já viram um feito científico sem a ideia/experimento (precedente), sem a insistência/teimosia (costume) e sem o resultado/comprovação (obviedade)? Pois!

Pior 3. A cópia sapiens governamental não só abre precedentes de negação à ciência. Abre também covas. Precedente nunca aberto por uma brasileira cópia sapiens presidencial.

Numeração apenas desta inconformada cópia sapiens? Não. Não mesmo. Numeração das cópias sapiens que estão querendo ver, ouvir, sentir.

Querem mais? Então vejam o último precedente da cópia sapiens presidencial. Intenção de precedente, faça-se justiça à cópia. Reporto-me ao item 4 da “Declaração à Nação”, exposta ao país no 9 do 9 deste 21.

No item 4, a cópia sapiens presidente Jair se refere aos ataques feitos por ela à Justiça brasileira, sobretudo à cópia ministro do STF, Alexandre de Moraes. Não cumprirei ordens judiciais do Alexandre de Moraes, disse ela, no 7 do 9, num espaço público de São Paulo.

Imaginem o óbvio ditatorial se tal afirmação virar precedente. Precisamos ser previdentes, gente. E se a cópia sapiens presidente destampar mesmo a fossa do precedente do calor? Calor? Sim. Já, já falo disso. Por que escrevo assim, apesar do “recuo” da Declaração presidencial? E por que o recuo entre aspas? Porque, em momento algum, a cópia sapiens presidencial pede desculpa pela bravata. De mais a mais, não esboça a menor intenção de não falar mais a afronta. Em vez disso, a cópia arrogante elege um culpado pela estupidez: o calor do momento. Isso mesmo. O calor do momento. (... decorrem do calor do momento e dos embates...), disse, ela.

Agora, se alguma cópia sapiens com poder de mando no Governo me ouvir, estaremos livres da bancarrota democrática. Minha sugestão. Como nunca se sabe o momento que vai fazer calor, é necessário que duas cópias sapiens ministros governamentais estejam sempre ao lado da cópia sapiens presidencial. Cada cópia assistente com um leque de plumas. Abanando o quengo da cópia sapiens do meio, é óbvio. Sugiro ainda que o responsável por fazer a escala de serviço da carinhosa labuta seja a cópia sapiens Pazuello, dona da maior logística deste país.

Mas tem um detalhe. A supervisão geral da delicada operação precisa ser de uma cópia sapiens ex-presidente da República. A razão é simples. Essas cópias devem ter passado por incontáveis “calor do momento e embates” sem sequer flertar com precedentes ditatoriais. Então elas...

Sabem o que acho 1? Que as cópias sapiens presidenciais, em especial as sete últimas, governavam com um ventilador democrático ventilando os miolos.

Sabem o que acho 2? Que a Silvana e Silvinha, cópias sapiens cri-cris, vão querer me comer vivo.

É isso. Bons ventos.

Natal, 9 do 21,

TC

TIM-TIM

 

 

 


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