domingo, 19 de dezembro de 2021

DESABAFO

 



Não sou muito chegado a esse negócio de escrever. Sobretudo para me apresentar. Prefiro garganta e pulmão a computador e caneta. Sou mais o olho no olho. Porque aí vejo realmente com qual tipo de pessoa estou interagindo. E, se for o caso, mandá-la pros quintos do inferno. E, ultimamente, tenho mandado bastante gente. Mas, como quero falar com vocês ao mesmo tempo, fica inviável o tête-à-tête. Falar que digo é o desabafar que falo ali em cima.

Tô cheio, pessoal. Cheio de gente falsa. Estou por aqui com certas siglas, tipo STF, OMS, Anvisa. Os gerentes dessas letras conheciam a minha trajetória. Estudiosos, deviam saber que tenho a natureza do contra, do mal, da intriga. Deviam esperar de mim tão somente insensibilidade, ingratidão, infelicidade. Não apenas eles, na verdade. Vocês também, cambada de puxa-sacos. Daí eu não entender a razão de não terem me enquadrado antes de eu ter aberto os protocolos malignos. Fizeram tão somente gambiarras, frágeis puxadinhos. Esse é um discurso politicamente desastroso, sei bem. Mas é o que sinto. Tô cheio!

Não. Não costumo ser tão sincero e valente assim. Agora, não mexam comigo. Nem com a minha família. Não alivio. Mas não alivio mesmo. Não abro nem prum trem carregado de dinamite. Pra ganhar de mim tem que ter o corpo fechado. Tem que tá vacinado. E bem vacinado. Pra falar em vacina... Vacinar criança! Sei não, sei não, sei não.

Estão surpresos, né? Nunca tinham visto tamanha sinceridade, né? Pois é. Precisava falar isso. É um desabafo com despedida, pessoal. Tô indo embora. No mais tardar

no fim do ano que vem. Vou pra onde não mora ninguém. Mas, se me der na telha, vou pra Pasárgada, terra aplainada pelo meu amigo e colega, o imperador Ciro.

Só pra concluir. Disse que tava cheio, não foi? Agora puto de verdade, tô mesmo é com a imprensa, mídia, rede social, essas excrecências. Escutem só. Tirando uma meia dúzia de jornalistas brasileiros, o resto é um bando de desinformado, tendenciosos, crápulas. E mascarados. Jornalistas do mundo inteiro, quero dizer.

Vocês sabem o que eles inventaram, não sabem? Então. Inventaram que tenho raiva da China. Pode um negócio desses? Como ter raiva da China se da China sou e vim. Descuido dos conterrâneos, é certo, mas a verdade verdadeira é essa. Mas minha raiva mesmo é que os incompetentes jornalistas ficam errando meu nome. Nome não, meu apelido. O nome tá certo. Aí, pra sacanearem comigo, dizem que sou novo.

Sabem como esse povinho me chama?

Me chama de novo Coronavírus. Mas não sou tão novo assim. Tenho 66 florestas.

O apelido, gente, é que é de lascar o cano. Meu apelido é histórico. E os analfabetos ainda erram. Me chamam de covid-19.

Mas o correto é covid-18.

Um não abraço e até nunca mais.

Coronavírus covid-18,

FUI

 

É isso, meu povo.

Um abraço e bom domingo. TIM-TIM

12 do 21,

TC


Um comentário:

Irany Batista disse...

Parabéns Tião. Texto maravilhoso. Li rapidinho e olha que não sou chegada a ler textos grandes, mas os seus não dá para parar de ler.