Não sou muito chegado a esse negócio de
escrever. Sobretudo para me apresentar. Prefiro garganta e pulmão a computador
e caneta. Sou mais o olho no olho. Porque aí vejo realmente com qual tipo de
pessoa estou interagindo. E, se for o caso, mandá-la pros quintos do inferno. E,
ultimamente, tenho mandado bastante gente. Mas, como quero falar com vocês ao
mesmo tempo, fica inviável o tête-à-tête. Falar que digo é o desabafar que falo
ali em cima.
Tô
cheio, pessoal. Cheio de gente falsa. Estou por aqui com certas siglas, tipo
STF, OMS, Anvisa. Os gerentes dessas letras conheciam a minha trajetória.
Estudiosos, deviam saber que tenho a natureza do contra, do mal, da intriga.
Deviam esperar de mim tão somente insensibilidade, ingratidão, infelicidade. Não
apenas eles, na verdade. Vocês também, cambada de puxa-sacos. Daí eu não
entender a razão de não terem me enquadrado antes de eu ter aberto os
protocolos malignos. Fizeram tão somente gambiarras, frágeis puxadinhos. Esse é
um discurso politicamente desastroso, sei bem. Mas é o que sinto. Tô cheio!
Não.
Não costumo ser tão sincero e valente assim. Agora, não mexam comigo. Nem com a
minha família. Não alivio. Mas não alivio mesmo. Não abro nem prum trem
carregado de dinamite. Pra ganhar de mim tem que ter o corpo fechado. Tem que
tá vacinado. E bem vacinado. Pra falar em vacina... Vacinar criança! Sei não,
sei não, sei não.
Estão surpresos, né? Nunca tinham visto tamanha sinceridade, né? Pois é. Precisava falar isso. É um desabafo com despedida, pessoal. Tô indo embora. No mais tardar
no fim do ano que vem. Vou pra onde não mora ninguém. Mas, se me der na telha, vou pra Pasárgada, terra aplainada pelo meu amigo e colega, o imperador Ciro.Só
pra concluir. Disse que tava cheio, não foi? Agora puto de verdade, tô mesmo é
com a imprensa, mídia, rede social, essas excrecências. Escutem só. Tirando uma
meia dúzia de jornalistas brasileiros, o resto é um bando de desinformado,
tendenciosos, crápulas. E mascarados. Jornalistas do mundo inteiro, quero
dizer.
Vocês
sabem o que eles inventaram, não sabem? Então. Inventaram que tenho raiva da
China. Pode um negócio desses? Como ter raiva da China se da China sou e vim.
Descuido dos conterrâneos, é certo, mas a verdade verdadeira é essa. Mas minha
raiva mesmo é que os incompetentes jornalistas ficam errando meu nome. Nome
não, meu apelido. O nome tá certo. Aí, pra sacanearem comigo, dizem que sou
novo.
Sabem
como esse povinho me chama?
Me
chama de novo Coronavírus. Mas não sou tão novo assim. Tenho 66 florestas.
O
apelido, gente, é que é de lascar o cano. Meu apelido é histórico. E os
analfabetos ainda erram. Me chamam de covid-19.
Mas
o correto é covid-18.
Um
não abraço e até nunca mais.
Coronavírus
covid-18,
FUI
É
isso, meu povo.
Um
abraço e bom domingo. TIM-TIM
12
do 21,
TC
Um comentário:
Parabéns Tião. Texto maravilhoso. Li rapidinho e olha que não sou chegada a ler textos grandes, mas os seus não dá para parar de ler.
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