quinta-feira, 30 de dezembro de 2021

PROVA FINAL

 



PROVA FINAL

Ainda existe prova final pra passar de ano, François?

Última postagem de 2021, deu-me insana vontade de testá-los com igualmente insana prova de conhecimentos gerais. Mas valendo uma graninha, tá OK? Sabem vocês que sou fissurado em jogo. Tanto é verdade que tenho doutorado  em jogo do bicho.

Não chego a afirmar que a vida é um jogo, mas estou certo de que em tudo na vida há noção de jogo. Há jogo de dama e jogo de sedução, jogo de xadrez e jogo do poder, jogo de baralho e jogo de cartas marcadas. E ainda existem o jogo de pernas e o jogo de palavras.

Mas vamos ao que interessa: a prova. Serão 5 quesitos de múltipla escolha. Vocês vão ganhar dois mil por acerto (em centavos, né, gente). E vão perder dois mil por erro (em reais, é claro). Pagamentos por PIX, pessoal. Vamos lá.

Questão 1 – É sabido que as palavras se conectam com os sentidos. Descrever uma jaca ou uma manga espada caindo de madura no chão logo nos faz sentir os deliciosos cheirinhos delas. Da mesma forma que alusão a pum, peido, dejeto, defunto implicam narinas defensivas.

Com base no exposto, marque a opção correta no enunciado “E daí? Não sou coveiro”.

a)      O sujeito da oração é coveiro.

b)      O sujeito da oração está oculto. É defunto.

c)      O sujeito da oração tem predicado fedorento.

d)      “E daí”, partícula expletiva e estilística, assume na oração o valor infanticida e evacuativo do sujeito original.

Questão 2 – O termo patamar tem o sentido figurado de elevação, estágio, nível. É, portanto, um vocábulo de gradação. Ouso afirmar que minhas leitoras estão num patamar de beleza superior ao das leitoras de muitas pocilgas natalenses. Mais uma ilustração. Há poucos dias, e no contexto pandêmico da covi-19, o presidente brasileiro e seu ministro da saúde disseram que o número de mortes e de internações pediátricas (5 a 11 anos) estavam num PATAMAR não exigível de pressa para vacinação desse público. “A pressa é inimiga da perfeição”, garantiu o chefe da saúde. Informação adicional. O número de mortes de brasileirinhos e brasileirinhas pela covid-19 foi de 927 até novembro deste ano.

Em razão do exposto, marque a opção que lhe parecer sensata.

a)      O patamar de pressa do ministro é de 928 crianças mortas.

b)      O patamar de pressa do ministro é de 10.928 crianças mortas.

c)      O patamar de pressa do ministro é de 100.928 crianças mortas.

d)      O patamar de pressa do ministro já foi alcançado. Só não perceberam, o ministro e demais autoridades, por que a moderna vacina – ou as vacinas modernas - que costumeiramente tomam, tipo ngc, pfp, pqp e tnc, deixam-no de senso crítico dormente.

Questão 3 – “Melhor perder a vida do que perder a liberdade”. A frase, já eleita o pensamento do ano, saiu da cachola do presidente da República, o filosofado Jair Bolsonaro. Saiu no bojo (ops) das recomendações sanitárias da exigência do comprovante de vacinação para as pessoas que chegarem ao Brasil. Imediatamente copiada e colada pelo Dr. Queiroga, ministro da saúde, a frase logo ganhou o primeiro lugar na corrida das encrencas nacionais.

Considere o exposto, imagine-se no salão de embarque do aeroporto JMB e marque a opção correta.

a)      Melhor perder a vida, pois da liberdade você precisa.

b)      Melhor perder as duas coisas numa lapada só.

c)      Melhor perder o avião.

d)      Melhor ganhar um carimbo.

Questão 4 – “Uma sociedade não pode usufruir de bem-estar se se mantiver fora da política. A salvação está na política, assim como a salvação da política está na educação. Possíveis canais de salvação, diria melhor, porquanto a estupidez humana ter o nefasto costume de botar areia nos postulados deste autor. Destarte, não vote em candidatos que vivem com a cara por acolá para leituras ou que passam o tempo emitindo falsos sinais de erudição. Leituras ficcionais, ensaios filosóficos, bibliografias de pensadores, acrescento, e não leituras de relatórios, estatísticas, regimentos, manuais de patifarias. E a razão é simples. O governante que não lê vive preso a ideias, por vezes caducas, daí não arejar a mente com a ventilação crítica espalhada pelos bons compêndios. O governante que não lê habita a bolha do analfabetismo mental, a exemplo de muitos indivíduos que se trancam em suas bolhas, jogam a chave fora e disso se orgulham. A propósito de bolhas, recordo-me de ter lido, há cerca de um mês, a declaração de uma socióloga brasileira sobre a morte da popular cantora Marília Mendonça. Dizia ela, em face da repercussão do fatal acidente, estar conhecendo a cantora naquele momento. Pela pista, o refinado intelecto daquela senhora a proíbe de assistir a um programa de auditório, de sintonizar um programa policial e por aí vai. Como se visitar bolhas distintas a tornasse um ser inferior. Não é obrigada a ficar visitando outros sítios, mas sua sopa cultural ficará mais saborosa se a presunçosa estupidez for afastada”. Trecho do livro “For a Glass of wine”, do americano Sinclair Lewis, edição. 2020, editora Z, tradução de Beatriz Dias e Rafael Fontoura.

Releia o texto atentamente e marque as opções corretas.

a)      O autor é um embusteiro. Lewis não podia falar da morte de Marília, já que morreu em 1951.

b)      O autor é um embusteiro. Nem americano é. É alecrinense, palmeirense e fluminense. E abcedista nas horas vagas.

c)      O autor aconselha a não votar em Lula pra presidente, porquanto Lula já ter confessado não gostar de ler.

d)      O autor aconselha a não votar em Bolsonaro pra presidente, pois esse, coitado, nem confessar precisa.

e)      O autor aconselha a não votar em Ciro e Dória pra presidente, posto os sinais emitidos pelos dois atestarem que só leem relatórios e estatísticas.

f)       O autor aconselha a não votar em Moro e Pacheco pra presidente, haja vista os sinais de ambos serem de apenas péssimos leitores de sentenças e regimentos.

g)      O autor aconselha a votar em Simone Tebet pra presidente, já que ela é professora de formação e perspicaz leitora dos clássicos. E dos pernas de paus também.

Questão 5 – Não há jogo mais divertido do que bingo. Tanto que é desaconselhado para gente que vive de bode amarrado. E tudo fica mais engraçado quando o chamador das pedras tem queda pra coisa. As pedras sempre são chamadas pelo simbolismo intrínseco. A verve comunicativa da cantada das pedras é de sutileza humorística dez. A era de Cristo, brada o chamador. Todo mundo marca 33. 2 gringos jogando faca: 55. Tás brincando (criação de Betânio Bezerra): 24. As sapatas de Iracema: 44. De rombo: o número terminado em zero. Agora, gente, chamada alguma ganha de “Um cagando outro espiando”. A imagem de subserviência, humilhação, baba-ovo, submissão e coisas tais é de expressividade ímpar. Sabem que pedra é essa? 69, gente. Vejam o 6. O bicho parece estar no vaso, né não? E o 9? O cabeção tá ou não tá de braços cruzados curtindo a cena? Tá vendo o rolo de papel higiênico? Pois! Dias desses, vi-me marcando a pedra 69 ao ler uma colunista daqui, de Natal. Noticiava ela que um ministro de Bolsonaro, conterrâneo nosso, passando as férias na terrinha, havia ligado para Bolsonaro, agradecendo a dádiva de estar há dois anos servindo ao governo dele. Ligou com os olhos marejados”, fermentou a colunista. Falo fermentou, porque acho que a danada da colunista também gosta de bingo.

Em face do exposto, marque a opção que traduza a pedra 69 no dia a dia de um presidente na administração do país.

a)      Presidente do país, cuja capital é a metrópole onde Judas perdeu as botas, e seus ministros.

b)      Presidente do país, cuja capital é a metrópole chamada Cafundós do Judas, e seus ministros.

c)      Presidente do país, cuja capital é a metrópole mundialmente conhecida por ser lá onde o vento faz a curva, e seus ministros.

d)      Presidente do país, cuja  capital é a única metrópole situada num plano alto desprovido de ondulações, daí ser dessa metrópole a paternidade da revolucionária teoria da “Terra Plana”, e seus ministros.

É isso, alunos. Espero que tenham feito boa prova. Vou pôr um “leia mais” a fim de que vejam o gabarito. Mandem o PIX de vocês pelos comentários.

Meu PIX. CPF de 100 abraços, 120 votos de boa saúde e 140 desejos de paz.

TIM-TIM

 

Finalzinho do 12 do 21,

TC

 

 


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