PROVA FINAL
Ainda
existe prova final pra passar de ano, François?
Última postagem de 2021,
deu-me insana vontade de testá-los com igualmente insana prova de conhecimentos
gerais. Mas valendo uma graninha, tá OK? Sabem vocês que sou fissurado em jogo.
Tanto é verdade que tenho doutorado em
jogo do bicho.
Não chego a afirmar que a
vida é um jogo, mas estou certo de que em tudo na vida há noção de jogo. Há
jogo de dama e jogo de sedução, jogo de xadrez e jogo do poder, jogo de baralho
e jogo de cartas marcadas. E ainda existem o jogo de pernas e o jogo de
palavras.
Mas vamos ao que
interessa: a prova. Serão 5 quesitos de múltipla escolha. Vocês vão ganhar dois
mil por acerto (em centavos, né, gente). E vão perder dois mil por erro (em
reais, é claro). Pagamentos por PIX, pessoal. Vamos lá.
Questão
1 – É sabido que as palavras se conectam com os sentidos. Descrever uma jaca ou
uma manga espada caindo de madura no chão logo nos faz sentir os deliciosos
cheirinhos delas. Da mesma forma que alusão a pum, peido, dejeto, defunto
implicam narinas defensivas.
Com
base no exposto, marque a opção correta no enunciado “E daí? Não sou coveiro”.
a) O
sujeito da oração é coveiro.
b) O
sujeito da oração está oculto. É defunto.
c) O
sujeito da oração tem predicado fedorento.
d) “E
daí”, partícula expletiva e estilística, assume na oração o valor infanticida e
evacuativo do sujeito original.
Questão
2 – O termo patamar tem o sentido figurado de elevação, estágio, nível. É,
portanto, um vocábulo de gradação. Ouso afirmar que minhas leitoras estão num
patamar de beleza superior ao das leitoras de muitas pocilgas natalenses. Mais
uma ilustração. Há poucos dias, e no contexto pandêmico da covi-19, o
presidente brasileiro e seu ministro da saúde disseram que o número de mortes e
de internações pediátricas (5 a 11 anos) estavam num PATAMAR não exigível de
pressa para vacinação desse público. “A pressa é inimiga da perfeição”, garantiu
o chefe da saúde. Informação adicional. O número de mortes de brasileirinhos e
brasileirinhas pela covid-19 foi de 927 até novembro deste ano.
Em
razão do exposto, marque a opção que lhe parecer sensata.
a) O
patamar de pressa do ministro é de 928 crianças mortas.
b) O
patamar de pressa do ministro é de 10.928 crianças mortas.
c) O
patamar de pressa do ministro é de 100.928 crianças mortas.
d) O
patamar de pressa do ministro já foi alcançado. Só não perceberam, o ministro e
demais autoridades, por que a moderna vacina – ou as vacinas modernas - que costumeiramente
tomam, tipo ngc, pfp, pqp e tnc, deixam-no de senso crítico dormente.
Questão
3 – “Melhor perder a vida do que perder a liberdade”. A frase, já eleita o
pensamento do ano, saiu da cachola do presidente da República, o filosofado
Jair Bolsonaro. Saiu no bojo (ops) das recomendações sanitárias da exigência do
comprovante de vacinação para as pessoas que chegarem ao Brasil. Imediatamente
copiada e colada pelo Dr. Queiroga, ministro da saúde, a frase logo ganhou o
primeiro lugar na corrida das encrencas nacionais.
Considere
o exposto, imagine-se no salão de embarque do aeroporto JMB e marque a opção
correta.
a) Melhor
perder a vida, pois da liberdade você precisa.
b) Melhor
perder as duas coisas numa lapada só.
c) Melhor
perder o avião.
d) Melhor
ganhar um carimbo.
Questão
4 – “Uma sociedade não pode usufruir de bem-estar se se mantiver fora da
política. A salvação está na política, assim como a salvação da política está
na educação. Possíveis canais de salvação, diria melhor, porquanto a estupidez
humana ter o nefasto costume de botar areia nos postulados deste autor.
Destarte, não vote em candidatos que vivem com a cara por acolá para leituras
ou que passam o tempo emitindo falsos sinais de erudição. Leituras ficcionais,
ensaios filosóficos, bibliografias de pensadores, acrescento, e não leituras de
relatórios, estatísticas, regimentos, manuais de patifarias. E a razão é
simples. O governante que não lê vive preso a ideias, por vezes caducas, daí
não arejar a mente com a ventilação crítica espalhada pelos bons compêndios. O
governante que não lê habita a bolha do analfabetismo mental, a exemplo de
muitos indivíduos que se trancam em suas bolhas, jogam a chave fora e disso se
orgulham. A propósito de bolhas, recordo-me de ter lido, há cerca de um mês, a
declaração de uma socióloga brasileira sobre a morte da popular cantora Marília
Mendonça. Dizia ela, em face da repercussão do fatal acidente, estar conhecendo
a cantora naquele momento. Pela pista, o refinado intelecto daquela senhora a
proíbe de assistir a um programa de auditório, de sintonizar um programa
policial e por aí vai. Como se visitar bolhas distintas a tornasse um ser
inferior. Não é obrigada a ficar visitando outros sítios, mas sua sopa cultural
ficará mais saborosa se a presunçosa estupidez for afastada”. Trecho do livro “For
a Glass of wine”, do americano Sinclair Lewis, edição. 2020, editora Z,
tradução de Beatriz Dias e Rafael Fontoura.
Releia
o texto atentamente e marque as opções corretas.
a) O
autor é um embusteiro. Lewis não podia falar da morte de Marília, já que morreu
em 1951.
b) O
autor é um embusteiro. Nem americano é. É alecrinense, palmeirense e
fluminense. E abcedista nas horas vagas.
c) O
autor aconselha a não votar em Lula pra presidente, porquanto Lula já ter
confessado não gostar de ler.
d) O
autor aconselha a não votar em Bolsonaro pra presidente, pois esse, coitado,
nem confessar precisa.
e) O
autor aconselha a não votar em Ciro e Dória pra presidente, posto os sinais emitidos
pelos dois atestarem que só leem relatórios e estatísticas.
f) O
autor aconselha a não votar em Moro e Pacheco pra presidente, haja vista os
sinais de ambos serem de apenas péssimos leitores de sentenças e regimentos.
g) O
autor aconselha a votar em Simone Tebet pra presidente, já que ela é professora
de formação e perspicaz leitora dos clássicos. E dos pernas de paus também.
Questão
5 – Não há jogo mais divertido do que bingo. Tanto que é desaconselhado para
gente que vive de bode amarrado. E tudo fica mais engraçado quando o chamador
das pedras tem queda pra coisa. As pedras sempre são chamadas pelo simbolismo
intrínseco. A verve comunicativa da cantada das pedras é de sutileza humorística
dez. A era de Cristo, brada o chamador. Todo mundo marca 33. 2 gringos jogando
faca: 55. Tás brincando (criação de Betânio Bezerra): 24. As sapatas de
Iracema: 44. De rombo: o número terminado em zero. Agora, gente, chamada alguma
ganha de “Um cagando outro espiando”. A imagem de subserviência, humilhação,
baba-ovo, submissão e coisas tais é de expressividade ímpar. Sabem que pedra é
essa? 69, gente. Vejam o 6. O bicho parece estar no vaso, né não? E o 9? O
cabeção tá ou não tá de braços cruzados curtindo a cena? Tá vendo o rolo de
papel higiênico? Pois! Dias desses, vi-me marcando a pedra 69 ao ler uma
colunista daqui, de Natal. Noticiava ela que um ministro de Bolsonaro,
conterrâneo nosso, passando as férias na terrinha, havia ligado para Bolsonaro,
agradecendo a dádiva de estar há dois anos servindo ao governo dele. Ligou com
os olhos marejados”, fermentou a colunista. Falo fermentou, porque acho que a
danada da colunista também gosta de bingo.
Em
face do exposto, marque a opção que traduza a pedra 69 no dia a dia de um
presidente na administração do país.
a) Presidente
do país, cuja capital é a metrópole onde Judas perdeu as botas, e seus
ministros.
b) Presidente
do país, cuja capital é a metrópole chamada Cafundós do Judas, e seus ministros.
c) Presidente
do país, cuja capital é a metrópole mundialmente conhecida por ser lá onde o
vento faz a curva, e seus ministros.
d) Presidente
do país, cuja capital é a única metrópole
situada num plano alto desprovido de ondulações, daí ser dessa metrópole a paternidade
da revolucionária teoria da “Terra Plana”, e seus ministros.
É isso, alunos. Espero que tenham feito boa prova. Vou pôr um “leia mais” a fim de que vejam o gabarito. Mandem o PIX de vocês pelos comentários.
Meu
PIX. CPF de 100 abraços, 120 votos de boa saúde e 140 desejos de paz.
TIM-TIM
Finalzinho
do 12 do 21,
TC
Nenhum comentário:
Postar um comentário