domingo, 25 de julho de 2021

São 11- E 4 compõem a maior mentira do mundo

 




São 11- E 4 compõem a maior mentira do mundo

Não. Não é o número de jogadores de um time de futebol. Tampouco o é de ministros do STF. E o 11 não é santo. Nada disso, apesar de o bom uso das 11 servir de ajuizadas bússolas para os humanos operarem milagres nas mentes pecadoras.

Elas, as 11, representam o número de palavras mandachuvas da língua portuguesa. E da língua de todos os sapiens. Feitas as devidas traduções, obviamente. Elas estão por trás de tudo o que acontece no mundo.

Eis as poderosas:

Educação, interesse, precedente, costume, contexto, sexo, consciência.

É isso.

Isso uma ova. Só citou 7 palavrinhas. Faltam 4, dirá você, atento que é.

É verdade.

Então vamos jogar ideias com as 11.

Por que você está me lendo? Porque teve “educação” e mostrou interesse pela prosa. E, se estiver me lendo pela primeira vez, acabou de abrir belo precedente. Mas, se já tem o costume, o contexto o manda prosseguir ou não? Agora, quer o contexto mande, quer não, você só está aqui por causa do sexo. E ter consciência das artimanhas desse danado pode livrá-lo ou livrá-la dos espinhos da estupidez. Estupidez na qual você é dez. Calma, calma, calma. Não só você. Mas também eu, ele e ela.

Esmiucemos as características das 11. Comecemos pelas 7. Essas, faladas ou escritas, mantêm o poder individual. Já as 4 só dizem algo juntas. Estão nas 11 porque representam a maior mentira do mundo. Tal mentira é a pedra angular do pensamento de economistas, governantes e afins.

Pedra angular! Nossa! Adoro pedra angular. Sinto singular emoção assistir a uma multifacetada qualquer cair no vértice da angular e fazê-la colapsar o sistema.

Então. Tal pedra angular, o postulado-mor das Ciências Econômicas, é a maior mentira do mundo. Essa mentira enganou Marx, Keynes, Furtado, Shapiro, Samuelson, Mazzucato. E está atualizadíssima na mesa do Paulo Guedes. O PG quer provar que a mentira não tem pernas curtas. Mas é de justiça dar um desconto ao PG e aos que continuam comendo as moscas do escocês Adam Smith. Smith, sim. O pai da economia moderna, sim. Foi o Smith quem criou a maior mentira do mundo. Criou e disseminou-a em A Riqueza das Nações, publicada em 1776. O desconto é concedido porque o mentiroso postulado é sedutor, gente. É de arrancar aplausos do senso comum.

Soletre as 4 embusteiras:

Recursos, necessidades, escassos, ilimitadas. O que dizem isoladamente? Nadica de nada, não?

Agora leia a combinação abaixo:

Necessidades ilimitadas, recursos escassos.

A combinação é sedutora ou não é? Você ousaria contestá-la?

Não, né? Então se traje de boa vontade e me acompanhe.

Na primeira perna - necessidades ilimitadas - a desfaçatez é flagrante. A necessidade humana é limitadíssima. É comer, beber, proteger-se. Os sapiens ficaram milênios comendo preá e peixe, bebendo em rios e riachos, protegendo-se com ramos e resíduos. É lógico que liquidificador é bem-vindo pra moer frutas, avião é uma boa pra uma viagem longa e fogão a gás ganha de fogão a lenha. Mas ninguém morre se faltarem essas coisas. Isso é facilidade. Não é necessidade. Pode até ser necessário. Mas não é necessidade. E isso não é retórica. É rigor.

E um pai de família, desempregado, com 5 bocas pra dar de comer, em casa apenas água no pote? Diga a ele que isso não é necessidade ilimitada, articulista desumano, deve estar matutando você. Chamo uma das 7 palavrinhas – contexto - para lhe responder. O contexto aqui é macro, é a sociedade, é o Homo sapiens. O que esse pai de família está passando cai no contexto micro. Vai além de necessidade. Pertence à família da lamúria e penúria.

Bom. A segunda perna da mentira – recursos escassos - é escárnio puro.

Escassa é a educação de qualidade. Porquanto dela vir o conhecimento, que puxa a ciência, que transborda os sapiens de recursos humanos. E os recursos materiais abundam na natureza. Basta respeitá-la. Recursos humanos e naturais, esses sim, são ilimitados. Recursos  escassos. Bah!

Agora preste atenção. Também saiu da cachola do Smith o mais poderoso postulado da teoria econômica. Sem o tal, talvez ainda vivêssemos na idade média.

Leia as 4 progressistas:

Necessidades ilimitadas, Recursos escassos.

Como é que é? Ah, articulista insano, você acaba de dar-me um nó no quengo. 4 palavras e a maior mentira do mundo. As mesmas palavras e o maior postulado do mundo. Que contradição é uma, cara?

Não há contradição. Para desfazer o nó, porém, precisamos somar contextos do Homo sapiens. Contexto, aliás, já é soma. É a soma de circunstâncias em dado espaço/tempo. Assim como interesse é a soma de diligências visando benesses de algo; precedente é a opção por algo, ouvida a soma de estados mentais de avaliação; costume é a  soma de precedentes; sexo é a soma de carícias; consciência é a soma de sensos críticos. E educação é a soma das somas.

Pois bem. O primeiro contexto sapiens acontece quando eles se dão conta de que são dotados de imaginação e saem mundo afora extinguindo espécies desprovidas desse  atributo. Aí já sinalizavam a que vinham. Passados milênios, os sapiens inventam o automóvel, um facilitador da vida. E da morte, já que enchem a cara de cana e saem em disparada correndo o risco de matarem e morrerem.

São tão inteligentes quanto burros, não?

Não faz muito tempo, os sapiens inventam a vacina. Empírica e cientificamente aprovada, a salvadora de vidas não entende o porquê de os próprios sapiens preferirem desafiar a morte a tomá-la.

São tão conscientes quanto estúpidos, não?

Voltemos ao Smith. Smith publica A Riqueza das Nações em 1776. Compêndio de economia, filosofia e política, é leitura obrigatória de acadêmicos, governantes, intelectuais. É bom dar uma polida na memória a fim de melhor enxergar o contexto político, econômico e cultural vivido na Europa daquela época.

1776 - O absolutismo está com os dias contados (morreria 13 anos depois, em 1789). A Revolução Francesa/Iluminismo foi quem tampou o caixão.

1776 - A Revolução Industrial veste as primeiras fraldas – a inglesa tem 13 anos, em termos médio.

É claro que os dois movimentos fazem enorme reboliço na cultura europeia. No meio disso tudo, chega o Smith e garante que os sapiens têm necessidades ilimitadas para recursos escassos. Diz mais: que se abstraíssemos insumos e impostos, o preço de um bem tangível seria a soma de salário (remuneração da mão-de-obra), juros (remuneração do capital) e lucro (remuneração do organizador da produção).

Smith via na divisão do trabalho e na pujança do mercado os reguladores do bem-estar social. Smith gostava de repetir este pensamento:

 “O organizador da produção, ou comerciante, movido apenas pelo seu próprio interesse, é levado por uma mão invisível a promover algo que nunca fez parte do interesse dele: o bem-estar da sociedade. Como resultado da atuação dessa "mão invisível", o preço das mercadorias deve descer e os salários devem subir”.

Adam Smith era um homem de boa-fé. Não imaginava que o tal “organizador da produção” da sua equação de preços entraria com a mão pesada no componente lucro.

Pois muito bem. Ideias iluministas, projetos industriais, Adam Smith nas mãos, assim começa o século XIX. Interesses potencializados, ávidos contextos de compras, a colossal inteligência sapiens cria de tudo de lá pra cá. Da geladeira ao aquecedor, do telefone sem fio à internet móvel, do sofisticado corte de cabelo à estética cirurgia íntima. Os sapiens ainda inventam a publicidade e o marketing, como se os precedentes abertos não fossem capazes de formar costumes de consumo. As invenções não param. Para dar suporte ao novo contesto socioeconômico, os sapiens criam complexas confrarias de confiança e convenção. Ficção, no popular. A primeira ficção foi a Pessoa Jurídica. Depois vieram a ficção do sistema bancário e o aperfeiçoamento do ficcional sistema jurídico.

Perceba a percepção sapiens em relação à máxima do Smith. Necessidades ilimitadas foram transformadas em sentimentos ilimitados. Geladeira é tremenda facilidade, telefone sem fio é estupenda comodidade, cirurgia íntima é gigantesca vaidade. E o que seria tomar uma gela em Marte? E recursos escassos? Seriam escassos a ponto de os sapiens fazerem o que fizeram e que fazem até hoje? Recursos  escassos. Bah!

Agora observe a inclemência dos sapiens massacrando o ingênuo Smith. Num lado da equação, pagavam salário de fome aos trabalhadores e exigiam produção de barriga cheia (os ingleses chegavam a trabalhar 15 horas por dia no começo da RI). Na outra extremidade, puxavam o lucro com força. Resultado: a mão invisível do Smith fazia transbordar de grana os bolsos dos insensíveis sapiens patrões. Mas isso é outra história.

Certo é que de Smith até hoje é ensurdecedor o volume de bens e serviços postos à disposição da sociedade. E continua gritante a oscilação sapiens entre sapiência e safadeza. Inventamos o ronco de supersônicos, mas o ronco de barrigas famintas permanece mundo afora. Inventamos a inteligência artificial, mas a inteligência básica, derivada da boa educação, permanece em falta pelos rincões deste mundo velho. Beija-se na boca, mas, dali a minutos, esmurra-se a boca beijada. Quando não se a joga  pela janela do apartamento.

E quem morre de tristeza com essas insanidades é a consciência.

O postulado do Smith, aliás, poderia ser parafraseado assim:

Insanidades ilimitadas, consciências escassas.

Certo II é que o velho Einstein continua tendo razão. “Testei o homem. É inconsistente”, dizia ele. Vou além. Vivo testando o homem. É aproveitador.

Dou-me como exemplo. Por certo, você notou certa dispersão neste texto. Pois é. Acontece que estou lendo um ebook comprado no Amazon. O autor é o japonês Katikuká. Então me aproveitei das ideias dele e passei algumas pra cá. Daí a dispersão contextual. Não tenho a tarimba do Katikuká, gente. Um lembrete. Alerto os aplicadores na bolsa de valores do brutal terremoto que deve causar a revelação da maior mentira do mundo do Smith.

Ah, o nome do livro: Por uma Taça de Vinho.

 

7 do 21,

TC

Até mais ver

Tim-Tim

 

 


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