sexta-feira, 21 de novembro de 2025

Quem sair por último pode deixar a porta aberta

 


É especulação marcar no calendário o dia em que surge o primeiro mal advindo de fenômenos naturais. E em especial quando são dois os fenômenos. E essa especulação se torna apelativa quando os fenômenos surgem no mesmo país e no mesmo dia. Assim como é colossal especulação garantir a causa desses fenômenos. Mas a Folha de São Paulo, de 28 de dezembro de 2026, reportou isso tudo. A Folha é jocosamente apocalíptica na manchete.

A humanidade já era. Quem sair por último pode deixar a porta aberta.

A Folha desdobra assim a manchete:

“O primeiro mosquitinho, logo apelidado de brochante, apareceu em Brasília, na tarde do 17 de dezembro de 2026. Na mesma tarde, apareceu em São Paulo, capital, a primeira cobrinha, logo apelidada de BFL. A soma desses aparecimentos chama-se vingança divina. A humanidade não aprendeu a lição da covid. Então o Criador achou por bem fazer uma limpa nela”.

Obviamente que não vou transcrever a matéria da Folha. Destaco, porém, alguns pontos. A Folha diz que o motivo da limpa do Criador é a “dabundância” do “D” – desdém, desconfiança, desumanidade - e sai nomeando os representantes do trio.

Como representante do desdém, nomeia um parlamentar carioca que foi para os Estados Unidos desdenhar do próprio país. Como representante da desconfiança, o nomeado é um banqueiro paulista que guardava 17 milhões de reais embaixo do colchão por desconfiar do próprio banco. Como representante da desumanidade, a nomeada é uma senhora pernambucana que trocou o amor de mãe por dinheiro ao mandar matar a própria filha.

Outros destaques da manchete:

A primeira vítima da cobrinha BFL foi um diretor da Fiesp. A cobrinha estava em cima dum notebook. Dali a duas horas o diretor estava morto. A BFL mede entre 17 e 22 centímetros e apresenta-se conforme a cor do ambiente. O tempo médio de vida do picado é de 3 horas. A BFL aparece do nada e do nada uma começa a comer outra. E é igualmente comum nascerem dois filhotes de cada comida. A pauta da imprensa nacional é noticiar mortes causada pela infeliz. A solução seria importar botas e luvas dos Estados Unidos. Ocorre que a importação desse kit não estava sendo possível, visto aquele citado desdenhador ficar botando areia na importação. No terceiro dia de mortes, surge abençoado alento. Descobre-se que a BFL é um ofídio brasileiro e urbano. Isso quer dizer

que a amaldiçoada não aparece em florestas, matas, fazendas. Tampouco em bibliotecas. O problema é administrar o caos migratório para esses sítios salvadores.

Agora, isso aqui pra nós, acho que em relação a bibliotecas a Folha deu merecida alfinetada no governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Acontece que na semana anterior à invasão ofídica, o governador fez a sua estupidez cultural ficar zanoia de orgasmo ao dizer - num evento cultural e na semana do ENEM - que o diploma de nível superior se tornava a cada dia mais dispensável. Como reforço da espezinhada da Folha, convém falar do afiadíssimo olfato da BFL. A BFL odeia cheirinhos de livros. Daí que não vai aparecer só em bibliotecas, mas não também em nenhum local ocupado por livros. Aí chega a Folha e diz ao governador que locais produtores de diplomas estão salvando os paulistas. E os demais estados do país dele.  Bela alfinetada, não?

Poiszé. O caso do brochante Brasília. Aparentemente jocoso, mas com potencial devastador. O risco é a extinção da raça humana.

Tarde do 17 do 12 do 26, o presidente de uma casa legislativa chega a luxuoso condomínio para visitar certo correlegionário. Mal desce do carro, sente uma coceirinha na cabeça, seguida de náusea e frio. Mas esses sintomas desaparecem em segundos. Terminada a visita, o presidente se dirige ao restaurante PLURAL, onde mantém o costume de se encontrar com lindíssima mulher. O encontro dura escassos minutos, pois a apetitosa parceira de antes lhe parece insípido ser de vestido com cafona decote. A libido tem abandonado o presidente. Não vai pagar pra ver. Ou só pra ver. O presidente simula dor de cabeça e vai embora. O presidente estava brocha. Foi contaminado pelo Quyabx171322 quando chegava ao luxuoso condomínio.

É lógico que rolam carradas de tretas domésticas em razão das brochadas. São as redes sociais que socorrem os desafortunados varões. As redes sociais mostram que as brochadas estão ocorrendo no mundo todo, exceto em algumas regiões do Oriente Médio. Informação valiosíssima para os biólogos. Os biólogos descobrem que o fenômeno não tem nada a ver com mosquitinhos. Trata-se da poeirinha Quyabx 171322 que vem escapando da floresta amazônica pelo ar.

“O Quyabx 171322 é um microrganismo exponencialmente tóxico hospedado na Floresta Amazônica. O Quyabx fugiu de lá e, ajudado pelo vento, ganhou o mundo. Inerte havia milhões de anos, imaginávamos impossível tal fuga acontecer. Mas, na hipótese de fugir, as pesquisas nos asseguravam que a poeirinha Quyabx seria abatida pelas chuvas. Estamos perplexos com a descomunal resistência, senhores. O Quyabx é devastador. Entra pela cabeça e estraçalha a libido dos machos em milésimos de segundos. E não apenas do macho humano”. Expressou-se assim, voz trêmula, em coletiva internacional, o Dr. Pereira Carneiro, renomadíssimo biólogo brasileiro.

O mundo passa a viver fazendo conjecturas e contas. Com a população masculina já desativada sexualmente, proteger a cabeça torna-se irrelevante. A pergunta relevante é a resposta de quanto tempo de vida teria o mundo. Quanto tempo antes de se arrebentar, o mundo pode ficar sem produzir rebentos? A esperança é a molecada que está saindo da puberdade. Será que dá tempo? Será que dá pra suprir a demanda erótica da mulherada? É claro que a molecada precisa proteger apenas uma das cabeças.

A situação do Brasil é duplamente grave. Por um lado, vive atormentado por enlouquecida cobrinha venenosa. Por outro, é uma inofensiva cobra que o atormenta.

Trocando em miúdos, parece verdadeira a jocosa manchete da Folha:

“Quem sair por último pode deixar a porta aberta”

Parece. Mas...

Mas o Criador não é vingativo. Como ser vingativo o ser que criou o mundo dando às criaturas a liberdade incondicional, hoje conhecida por livre-arbítrio? Malignas e inconsequentes são as criaturas que confundem pensamentos com pensar. Pensamentos são paridos no mundo exterior. Pensar é criação do mundo interior. Mundo interior é consciência. É nela onde fica o Criador. Maligna é a criatura que julga ter a divina liberdade do agir sem se importar com o vir da ação.

Malignas vingadoras são as criaturas que contribuíram para criar venenosa criaturinha de cidades e expulsar das florestas exterminadora criaturinha.

O Criador não é vingativo. A Folha errou feio na especulação.

Mas, assim como existem criaturas que usam a ilegítima liberdade para promover o mal, existem as que usam a liberdade legitima para consertar esse mal.

E eis que...

 

No 11 do 25,

Esperançoso TC


Um comentário:

Damião dfs disse...

Caro amigo Tião. Eu tenho muito receio com relação a sexualidade dessa nova geração. Pelo o eu vejo, ta tudo invertido. Kkkkk