Meu pé de romã
AGLOMERAÇÃO
– DE PRONOMES E DE NOMES
A aglomeração do título, porque literária, é isca para a leitura. A
da leitura, porque contextual, é chamariz para a reflexão. Ambas são neutras.
Mas com viés de conforto. Mas a do conforto, mesmo, até porque medicinal, é a aglomeração
da foto acima, a das romãs. O pé fica no meu jardim. São delas que produzo
vinho. Santa bebida. Aglomera consciência na cachola que é uma beleza.
Tim-tim
Corrida, corrida, corrida...
Corrida pra extinguir
pigarro. Pigarro pra não virar tosse. Tossir. cuspir. Escarro. Escárnio.
Quem são eles? Quem eles
pensam que não são?
Corrida, corrida, corrida...
Corrida pra coisar as
coisas. Coisas, choros, caos, casos concretos. Baladas. Botecos. Bizarrices. Bitolados.
Bastantes.
Quem são eles? Quem eles
pensam que são?
Corrida, corrida, corrida...
Corrida pra vender,
comprar, vendar os olhos. Jogar a rede... Contra a parede. Jogar o laço...
Contra a carcaça.
Quem é ele? Quem ele
pensa que é?
Corrida, corrida,
corrida...
Ele quer te deixar com
sede. Ele não quer te deixar pensar.
Ele quer te vender (e não
é a um zeus). Ele quer te comprar (e não é de um deus). Ele quer te sedar (e
não é de prazer). Ele quer te matar (e não é de rir).
Ele te quer podre. Ele te
quer fedido.
Ele já te fez chorar? (de
aflição). Ele já te fez rir? (de nervosismo). Ele já te fez ruborizar? (de
vergonha).
Ele já te deixou chateada?
(por distorção). Ele já te deixou amofinada? (por desaprovação). Ele já de
deixou envergonhada? (por mentira).
Já, não já?
Não? Nunca? Juras? Sabes
o que quer dizer tirano, insano, desumano?
Não? Então quem és tu?
Humana não és, não é?
Quem és tu? Quem pensa
que és? Que pensas o que ele pensa que és?
Quem é ele? Quem ele
pensa que é?
Corrida, corrida, corrida...
Corrida pra esquerda do
ambiente. Pra direita do recinto. Pra prover a consciência. Pra perder-se de
desatinados destinos.
Quem são eles? Quem eles
pensam que não são? Quem elas pensam que não são?
Corrida, corrida, corrida...
Corrida contra o
cronômetro. Corrida pra coisar as coisas. Coisas, carinhos, caridades, casos
concretos. Devoção garantida. Consciência programada. Vão ganhar a corrida.
Mesmo depois de largada.
Quem são eles? Quem eles
pensam que não são? Quem são elas? Quem elas pensam que não são?
Corrida, corrida,
corrida...
Corrida na carona da
consciência.
Corrida contra cês. Canalhices
combinadas. Camaradagens casadas. Calamidades. Catástrofes. Comoções. Cadáveres. Cemitérios, Covas, Caveiras.
Corrida a favor de efes. Festas
familiares. Feições faceiras. Fraternidades. Finezas. Fidalguias. Felicidades.
Quem são eles? Quem são
elas? Quem eles pensam que não são? Quem elas pensam que não são?
Somos nós. Aqueles que
eles pensam que não somos. Aqueles que eles pensam que não pensam? Somos quem
queremos ser.
Pensamos e construímos. E
nos indignamos. E agimos. Já que indignação sem ação é o protocolo de ações
indignas. Somos da cozinha da consciência e do ateliê da empatia. Cozinhamos afinidades.
Costuramos entendimentos.
Somos perseverantes
pensadores. Somos plurais. Somos engenheiros. Pegamos trabalho lá, aqui, ali. E
até no Hawaii.
Março de 21. Março de machos e machas maricas. Mas mulherengos e maridengos (ops).
Té mais,
TC

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