VERBORRAGIA
Esta é minha primeira postagem de novembro. O
motivo? Preguiça mental. Mas uma preguiça contraditória e safada, porquanto a
gozadora ficava morrendo de rir quando me via pensando. Passei esses dias
pensando em três verbos: começar, parar e continuar. Parecia praga,
gente. Começava a pensar, dava uma paradinha, mas dali a instantes continuava,
os pestes me perturbando. Vivemos sujeitos ao humor dos três danadinhos.
Cheguei a tal conclusão não faz cinco minutos. Por causa da óbvia conclusão, você
pode imitar a preguiça, rir à vontade e me ver o descobridor da pólvora. Mas pouco
me importa o seu escárnio.
O óbvio
precisa ser falado, do contrário corremos o risco de esquecê-lo. E, no mais das
vezes, esquecer o óbvio faz o indivíduo se sentir superior. A ti, a todos e a tudo, como dizia minha avó. Superiores,
tendemos a quebrar regras. E regras quebradas é um pulo só para a queda. É tiro
e queda. Às vezes juntos, mas o primeiro na frente. Assistam aos noticiosos da
tevê e vejam se eu não tenho razão. Então se quer livrar-se de quedas - sejam
físicas, sejam éticas -, ligue-se no óbvio.
Bom, talvez o
“vivemos sujeitos ao humor...” seja inadequado para você. Mas não para mim.
Estou sempre querendo começar algo ou parar alguma coisa. Aí surge o verbo mais
insolente do trio. O teimoso do continuar. E tudo continua como dantes.
Desconheço se
o Philip Roth passou por esse dilema quando disse que estava parando de
escrever. Certo é que parou. Certo também é que se você me leu até aqui é
porque começou o que comecei e acabei continuando.
Então! Vai
continuar, se for o caso?
Eu, para ser
sincero, quero parar.
Naturalmente
que não me refiro a parar de escrever, a exemplo do Philip Roth. Até porque o
Roth escrevia textos, eu faço rabiscos. Reporto-me a algo que comecei há anos,
há meses penso em parar e que neste momento estou doido para continuar.
Alguém aí me
dá um cigarro?
Valeu!
Tião Carneiro
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