PAPEL HIGIÊNICO - TEORIA E PRÁTICA
A teoria
na prática é outra. Na teoria é bonito, quero ver na prática. Você já ouviu
essas frases, não? Ambas olham enviesadas para as teorias, concorda? Pura desinformação,
entendo. Reflexo da acomodação mental. Acomodação é eufemismo. O certo – mesmo-
é preguiça de pensar. Suas ações motoras nascem de teorias, minha nobre. Precisou
dela a fim de ser a motorista de hoje, valeu-se da menosprezada para escrever,
pediu-lhe arrego para levar uma colher de feijão à boca.
Ocorre
que muitas das teorias já estão gravadas no quengo, de maneira que as usamos no
automático. Você abotoa e desabotoa um botão sem sequer olhá-lo. Mas alguém teve
o trabalho de sair testando os dedos e daí desenvolveu a teoria de prendedor e desprendedor
de botão. Hoje pegamos morcego naquele testador e pronto. Nele, naquilo e noutras
nuances da vida. Pense e me desminta se for homem (mulher também serve). Negar isso
equivale a dizer que o homem chega aqui (mulher também) sabendo de tudo. Chega
uma ova! Naturalmente que há teorias e teorias. Simples ou complexas, mas
teorias são.
Pilotar
uma aeronave requer sofisticada teoria, já tirar melecas do nariz é algo bem
mais simples. “Ah, meu Pai, o Tião deve tá preparando uma fuleiragem, além de sofismar
o tema. Transar, por exemplo, não exige nenhuma teoria.”
Você
diz isso hoje, homem de Deus (mulher de Nossa Senhora também serve), mas
imagine a primeira transa deste mundo velho. O negócio se deu de forma muito,
mais muito
rudimentar. E só aconteceu graças ao Dr. Sexo, o percursor das
ciências teóricas. Hoje, não. Hoje... E não existe fuleiragem aqui não, viu? A ideia
é fazê-los pensar, cambada de preguiçosos.
Transar,
aliás, comprova bem-vinda cobrança das ciências teóricas: a da atualização. Precisamos
nos manter atualizados, aperfeiçoando teorias, até mesmo para evitar efeitos maléficos.
Nesse ponto, o da transa, dou dez para a turma que fica se atualizando. Dez que
não dou para os usuários de uma teoria igualmente secular: a teoria da limpada
de bunda. Nessa, a nossa ignorância é abissal. Prova? Veja o que estampa o UOL
Ciência e Saúde de hoje, 16 do 1: “Você pode usar papel higiênico, só não pode
esfregar”.
Sabia
disso, meu nobre? E você, minha nobre? A
reportagem começa assim:
“O
papel higiênico deve ser usado apenas para limpar ou secar os excessos, não para
esfregar na pele. O uso
do papel higiênico é tão rotineiro que não paramos para questionar se é, de
fato, higiênico ou não se limpar com ele. Por incrível que pareça, passar o
papel nas partes íntimas não é a melhor solução para manter a limpeza, mas isso
não quer dizer que o hábito deve ser interrompido”.
Bastante instrutiva, a matéria.
Além de advertir para a não esfregação, fala da alergia ao papel higiênico e
tudo mais. E faz especialíssima recomendação às mulheres (mas essa não cito nem
a pau). Só não gostei dos melindres. O texto cita várias vezes as partes
íntimas. “Parte íntima” é uma expressão bastante conservadora, pessoal. Expressão
coxinha, diria. Parece que o autor do texto tem algo contra monossílabos
tônicos. Poderia ter usado dissílabos ou trissílabos, como rego, fiofó, fresado,
bufante, boga, frinfa. Ou mesmo o simpaticíssimo bumbum. Veja outro fragmento: “O
papel higiênico deve ser usado apenas para limpar ou secar os excessos”.
Excessos? Mudou de nome, foi? De qualquer forma, o texto arregaça a importância
de nos mantermos atualizados com certas teorias.
Dou
como exemplo a teoria usada no Mensalão. Teoria do fato ou coisa parecida. A teoria
da delação premiada é outro exemplo. Essa, a da Lava Jato da galera dos
arrumadinhos, é excelente. Pensando bem, acho que vou pesquisar uma teoria a
fim de que lavemos bem e bem lavado - e altamente higiênico - o monossilábico e
útil tonicozinho. E agregados, por óbvio. Pegarei carona na Lava Jato do Dr.
Sérgio e criarei bela teoria para discreto e particularíssimo LAVA A JATO. Afinal,
no fundo, no fundo, a matéria é a mesma, não é? Bolarei um Lava a Jato simples,
portátil, tipo isqueiro, de líquido altamente secante. Papel higiênico fará
companhia a enceradeira, vídio cassette de quatro cabeças e outros bichos. Além
do mais...
Ah,
gente, desculpe. Vou ali!
Janeiro/16
TC
Agora,
não tem jeito pra brasileiro, não. Os caras gozam com tudo. Leiam alguns
comentários no rodapé do UOL a respeito do papel higiênico.
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Quando eu era pequeno, minha mãe comprava um que limpava, lixava e dava
acabamento.
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Eu esfrego com tanta força que parece que tô lixando uma parede! Quase arranco
o couro.
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Eu deixo pra limpar só quando vou tomar banho. De três em três dias quando
estou em São Paulo.
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Quem come muita farinha pode limpar com ventilador.
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Eu uso papel em BRAILE. Além de limpar que é uma beleza, dá cócegas.
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Putz! Papel higiênico é coisa nova. Na roça usa-se folha de mamona ou sabugo de
milho. Cria uma resistência nas paredes... E das boas.
Tem
comentário pra tudo que é gosto. É lógico que a maioria é de brincadeira, mas
alguns comentaristas não sabem brincar é pegue cipoada nos outros.
TC de novo (A cerca
desse assunto, sugiro a postagem AP39, de 20 do 11, aqui embaixo).
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