BASTAM 13 CAROÇOS DE MILHO
SECO
No ano
de meu vestibular, a UFRN oferecia duas ou três (não me recordo bem) opções de curso.
Só me lembro que a primeira opção foi Direito. Passei na segunda, Economia. Tornei-me
a pessoa mais “deseconômica” deste mundo. Em compensação, a sociedade vibrou
por ter se livrado de medíocre operador do Direito. Mas sempre gostei de
Direito e das ciências a ele aparentadas.
Na minha mesa de trabalho – um birô de jogo do
bicho, pra ser direto – viviam se encarando Karl Marx, Norberto Bobbio,
Montesquieu, Keynes, Roberto Campos e por aí vai. Traçava todos numa boa, podem
acreditar. Mas aqui acolá me divertia com os bangue-bangues de bolso, FBI e
Giselle, a espiã nua que abalou Paris.
A propósito...
Bom, tenho três “a propósito”. Daqui a pouco lhes apresento os demais. Bem, a
propósito, estou me lembrando duma tarde em que Bombril veio jogar e pegou-me
com Marx aberto na mais-valia:
- O
que danado é mais-valia, Neguinho?
Como
explicar aquilo a Bombril? Se eu que estava lendo não entendia, quanto mais ele,
que só sabia dirigir táxi. Matutei e fiz o que sabia fazer: enrolar e vender
ilusão:
- É
um negócio complicado, Bombril. Tem a ver com exploração. Mas é uma exploração
boa, sempre dá certo. Quando as ideias coincidem é batata. A valia é maior,
entendeu? Por exemplo. Vou explorar a sua boa-fé e dizer que o bicho vai ser
cachorro. Se coincidir de você também...
-
Porra, Neguinho. Vinha pensando em jogar cachorro mesmo, então...
Bombril
botou pra lascar no cachorro. Botou quente. Jogou do primeiro ao quinto e tudo.
Mas mais tarde chegou me chamando de fila-da-puta.
Mas
estava eu a dizer (aprendi isso assistindo pela tevê aos julgamentos do STF)
que me amarro
nos debates jurídicos. Especialmente agora com a atrapalhada em
que se meteu a presidente Dilma. Aprendo muito com os discursos dos doutos juízes
e dos nobres parlamentares. Nos juízes, dou destaque à objetividade do erudito
Marco Aurélio. Em relação às senadoras, tudo de mim fica batendo palmas para as
esplêndidas Gleisi Hoffmann e Simone Tebet. A beleza e a dicção delas perdem
apenas para a nossa senadora, Fátima Bezerra. Nossa! Sou bairrista, desculpem.
A propósito
desses discursos, há um detalhezinho que me diverte muito. Refiro-me à
exasperação entre os defensores da presidente e os denunciantes. A coisa é tão
acirrada que os partidários da presidente só a tratam por presidenta. Não sai
nem a pau um “ presidente Dilma”. Já a turma do contra não tá nem aí pro “a” da
presidenta. É presidente Dilma e acabou-se. Está pensando que é brincadeira
minha, meu nobre? Então assista!
Bem,
disse há pouco que gosto de Direito. Não cursei Direito depois de Economia por
manter um pé atrás acerca de certas incongruências legais. Sabe, gente, algumas
leis são benevolentes demais. Já outras são rigorosas ao extremo. Vou dar um
exemplozinho de lei impiedosa. A tal da Lei de Responsabilidade Fiscal. E também
aquela que tá botando na presidente Dilma como a vaca botou no mestre Alfredo,
a lei 10 mil e tanto de 50.
Olhem
só. Sou auditor Fiscal, sei muito bem que os fatos contábeis precisam ser
registrados com o devido rigor, do contrário transformam balanços num vai e vem
de promiscuidade. Fugiu das normas, a lei de Chico de Brito cumprimenta a
empresa. Assim também deve ocorrer com as contas nacionais. Agora, a punição
que querem impor à presidente Dilma pela derrapagem – se é que ela derrapou - naquelas
duas leis é impiedosa demais. É descomunal, desmedida, desproporcional e outros "des" de descida da rampa. A barbeiragem constitucional passa de raspão no desdém e faz a humilhação esfregar as mãos e dar beijinhos no escárnio. Chega a doer, leitor.
A propósito
(o terceiro), tenho a seguinte sugestão para punir tais tipos de “canguerices”
governamentais.
A pena
seria tão somente uma medida socioeducativa com caroço de milho. Por maçante, não darei o diploma
legal, mas vou ilustrar com a presidente Dilma. Seria assim, ó!
A presidente
pronunciaria (de minuto a minuto) 13 vezes a palavra perdão, ajoelhada em 13
caroços de milho, durante 13 minutos. O evento dar-se-ia no salão nobre do Senado, sendo obrigatória a cobertura mediática em rede nacional, a
exemplo da voz do Brasil. 13 parlamentares poderiam usar a tribuna por 13
segundos e a saudação teria que começar obrigatoriamente pelo vocábulo “pelo”
ou suas flexões. Fica claro que o 13 mudaria pra 15 ou 45 na hipótese de o castigado ser o Michel ou o Aécio.
A cerimônia
seria encerrada ao som do hino nacional. Com palmas, evidentemente. Palmas de
mãos, é lógico.
Seria
menos doído do que perder o mandato, você não acha, leitora? Ah, os caroços seriam de milho
seco.
Até
o próximo impeachment.
Democrático
maio de 16,
TC
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