VAMOS JOGAR? VAMOS APOSTAR?
A vida é um jogo. Ou
viver é jogar, caso prefira verbos a substantivos.
“Grande verdade”, dirá
você, assumido fã de jogos sociais, pois sabe que só consegue construir consensos
se jogar o jogo da vida. O jogador joga.
“Grande sacrilégio”, dirá
um segundo você, assumido fã de dogmas grupais, pois considera já construídos os
consensos de seu dia a dia. O dogmático atira.
Analise o que certa
senhora, uma fã do dogma religioso, falou pra mim:
“Comparar vida, dádiva
divina, com jogo, mundanas matreirices, é a mais podre das heresias, Sr. Tião. Já
que encarnado, prepare-se para arder nas vermelhinhas”.
Ela não usou exatamente essas
palavras, mas disse isso com todas as letras.
Ficcionei essa senhora,
gente. Ficcionei-a só para mostrar que o autêntico escrevinhador pé de chinelo adora
montar jogo de palavras. E os monta com adjetivos, gerúndios, redundâncias, trocadilhos,
prolixidades, literatices. Essas coisas. E outras. Taí uma coisinha que vou
morrer com ela: autenticidade.
Agora, que viver é jogar,
ah, isso é. Pensem no seguinte enunciado:
“Conjunto de
procedimentos ou estratégias para atingir determinado fim”.
Essa é a definição de
jogo da qual mais gosto.
Agora quero que pensem nas
perguntas a seguir:
O que estão fazendo
quando começam um relacionamento amoroso? O que estão fazendo quando entram num
curso profissionalizante? O que estão fazendo quando abrem um negócio? E o que
fazem para preservar a vida quando vão sair de casa?
Estão ou não estão usando
procedimentos ou estratégias para atingir determinados fins? Estão ou não estão
jogando o belíssimo e intricado jogo da vida? Pois! E jogar implica apostar. E
apostar implica perder ou ganhar. Ganhos ou perdas emocionais, no mais das
vezes.
Mas existem jogos em que
todos perdem. Exceto a estupidez.
E existem jogos em que
todos ganham. Exceto a estupidez.
Não existe empate no jogo
da vida.
Ah, desculpem. Acabei
esquecendo o jogo. Vamos apostar um livro?
Assim, ó. Vejam, ao lado,
a capa dos meus últimos livros.
Por uma taça de vinho
é um romance de 500 páginas cujas linhas e entrelinhas mostram a virtude da
consciência, exibem o poder do sexo e expõem a potência da educação.
COISAS
é uma coletânea de contos de 220 páginas cujas linhas principais são de
expoentes da literatura brasileira, a exemplo de Machado, Veríssimo, Sabino,
Drummond. As linhas secundárias, as logo abaixo das deles, são deste maluco
aqui, posto ter alterado os contos desses caras por julgar mentirosas as versões
escritas por eles.
Proponho-lhe o seguinte jogo.
Você manda um imeio para tcarneirosilva@gmail.com
ou passa um zap para (84) 98800-1610 informando que quer um exemplar da Taça,
ou do COISAS, ou dos dois, e me dá um endereço. Aí eu mando o seu
pedido. Você só vai pagar ao motoboy da entrega ou as despesas postais, se for
o caso. Mas assumo a despesa se estiver matando cachorro a grito.
Vejamos a aposta.
Vou apostar que você vai
gostar de um dos livros. Ou dos dois. Aí, se gostar, você me paga. A Taça
custa 60 reais. O COISAS custa 50 reais. Os dois saem por 100
reais. Você pode até estar me chamando de trouxa, idiota, mané, essas coisas, e
outras, já que pode ter gostado e me dizer que não. Mas veja dois detalhes. Você
não precisa me dizer que não gostou do livro. Seu silêncio é a resposta.
Segundo detalhe. Não estou apostando com você. Estou apostando com a sua
consciência. E a sua consciência com a minha benevolência. Espero que as rimas
não tenham lhe dado sonolência.
Isso é sério de sério
mesmo, Tião, ou é sério de jogo literário?
É sério de sério mesmo,
gente. Mas se você é daquelas pessoas envergonhadas, encabuladas e tal, ou que acha
que a aposta afronta o seu caráter, posso lhe dar uma dica mais formal, caso
tenha ficado propenso a conhecer os livros. Você pode adquirir o e-book deles.
Basta entrar no Amazon, e-book por uma taça de vinho – Tião Carneiro. Ou e-book
coisas – Tião Carneiro.
É isso. Apertemos as mãos? Direita ou esquerda? Tanto faz. Sou bom de jogo.
E aí? Apertou?
Natal, 01 do 24,
TC
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