O SOM DE CERTAS RISADAS
Esse negócio de rir é engraçado. Desculpem o
trocadilho, saiu sem eu querer, gente. Agora, nada engraçado, pelo menos pra
mim, é a diferença entre rir e sorrir. Segundo o dicionário, sorrir é rir sem
ruído. E rir é contrair os músculos faciais, entendeu? Ainda bem que a
gargalhada não deixa dúvida de que o indivíduo está sorrindo e rindo ao mesmo
tempo, concordam comigo?
Mas, como
estava dizendo, esse negócio de rir é engraçado. Você começa a rir, e quem está
por perto se dana a rir também, né não? Sou capaz de apostar um tostão furado
como está rindo neste momento. Pois então, ontem eu assisti a uma sessão de
riso pra lá de engraçada. Droga, que trocadilho mais sem graça. Se bem, e
pensando bem, existe o riso sem graça, não? Tá aí o riso amarelo que não me
deixa mentir.
A sessão de
riso ocorreu no boteco da Marluce. Marluce... Bom, já falei do barraco da
Marluce neste espaço, mas é bom dar uma refrescada na conversa. O biongo da
Marluce
é legal, embora ela seja amarrada pra burro. A luta é grande, minha nobre, pra gente fazer com que ela ligue o único bico de luz da frente do biombo. Biombo, barraco, boteco, botequim, pouco interessa o nome, é só a denominação carinhosa pelo qual chamo o prazeroso ambiente. O que importa é a cerva geladinha da silva e o papo da galera. A galera, na verdade, não é tão grande assim. Somos seis gatos pingados. Eu, os dois genros dela, o vizinho, o Kerginaldo e um dos piadistas da turma, o China, chamado de fecha-bar pela Marluce.
é legal, embora ela seja amarrada pra burro. A luta é grande, minha nobre, pra gente fazer com que ela ligue o único bico de luz da frente do biombo. Biombo, barraco, boteco, botequim, pouco interessa o nome, é só a denominação carinhosa pelo qual chamo o prazeroso ambiente. O que importa é a cerva geladinha da silva e o papo da galera. A galera, na verdade, não é tão grande assim. Somos seis gatos pingados. Eu, os dois genros dela, o vizinho, o Kerginaldo e um dos piadistas da turma, o China, chamado de fecha-bar pela Marluce.
A sessão de
riso, aliás, (ou crônica dura!) tem a ver com esse nosso amigo, o China. O
problema, meus nobres, é que o China conta umas piadas sem graça é quer porque
quer que a gente ria, tá ligado? Gente boa, o China. O sangue bom é professor
de Educação Física e, dizem, bate um bolão. “Dizem, não, Tião”, disse-me,
sorrindo com os olhos, a Cíntia, filha da Marluce. “Um dia desse eu passei na
frente da academia que ele trabalha e o vi batendo bola. Uma bola gigante,
Tião. Do tamanho de um pneu de trator, acredita?” Esbocei um risinho, pensando
que aquilo era brincadeira da Cíntia, mas o Renato e o Kerginaldo foram
taxativos: “É verdade, Tião. Estamos cansados de vê-lo tentando levantar essa
bola.”
Bom, voltando
à sessão de riso, estávamos no boteco, emborcando umas e outras, o China
contando as insossas piadas. Nisso, chega um amigo do Pedrão, o marido da
Marluce. O sujeito, agalegado, meio chumbado, havia ganhado uma nota no jogo do
bicho. Estava bebemorando. O cara ria, mais ria, ria adoidado. O riso do
sortudo, meus nobres, era engraçado demais: começava agudo, dava um silvo de
alerta e terminava no mais dissonante dos sons. O bom é que o Francisco, outro
péssimo contador de piadas, contava uma lorota sobre a profissão do China
quando o risador chegou.
Fazendo um
parêntesis, Francisco se imagina um piadista de primeira por conta da
gargalhada da mulher dele, a Edvânia. A gargalhada da Edvânia, gente, é
daquelas que dobram, tá ligado? Então o Francisco conta uma piada, escuta a
gargalhada da mulher e pensa que ela está rindo da piada dele. Só que ela está
rindo pra não chorar, sacaram?
Muito bem, o
Francisco contava uma piada a respeito de academia quando o risadeiro sortudo
chegou e começou a rir. Aí, começamos a rir da risada do risadeiro, mas o
Francisco e o China estavam pensando que o riso vinha da piada deles, estão
entendendo? A piada, tirada da
internet, suponho, até que era boa, mas... Quer saber, vou transcrever a piada
pra vocês.
Por que será que é mais fácil frequentar um bar
do que uma academia?
Para resolver esse grande dilema, foi necessário frequentar os dois (o bar e a
academia) por uma semana.
Vejam o resultado desta importante pesquisa:
Vantagem numérica:
- Existem mais bares do que academias.
Logo, é mais fácil encontrar um bar no seu caminho.
*1x0
pro bar.**
Ambiente:
- No bar, todo mundo está alegre. É o lugar onde a dureza do dia-a-dia amolece
no primeiro gole de cerveja.
- Na academia, todo mundo fica suando, carregando peso, bufando e fazendo cara
feia.
*2x0.**
Amizade simples e sincera:
- No bar, ninguém fica reparando se você está usando o tênis da moda. Os
companheiros do bar só reparam se o seu copo está cheio ou vazio. *3x0..*
Compaixão:
- Você já ganhou alguma saideira na academia?
Alguém já te deu uma semana de ginástica de graça?
- No bar, com certeza, você já ganhou uma cerveja 'por conta'.
*4x0.*
Liberdade:
- Você pode falar palavrão na academia?
*5x0*.
Libertinagem e democracia:
- No bar, você pode dividir um banco com outra pessoa do sexo oposto, ou do
mesmo sexo, problema é seu...
- Na academia, dividir um aparelho dá até briga.
*6x0.**
Saúde:
- Você já viu um 'barista' (frequentador de bar) reclamando de dores
musculares, joelho bichado, tendinite?
*7x0.*
Saudosismo:
- Alguém já tocou a sua música romântica preferida na academia? É só 'bate-estaca'
, né?
*8x0.*
Emoção:
- Onde você comemora a vitória do seu time?
No bar ou na academia?
*9x0.*
Memória:
- Você já aprontou algo na academia digno de contar para os seus netos?
*10x0
pro BAR!!!**
A cada
placarzinho desses a risada da turma dobrava. Foi hilário, gente. Juro que não
sei do que a ríamos mais. Se das gaitadas do risador, se das gargalhadas da
Edvânia, se da cara de satisfação do Francisco e do China.
Então
aconteceu! Aconteceu, minhas nobres. Escutamos um rangido daqueles fedorentos,
tá ligado? Só vi neguinho tampando o nariz e correndo pra rua. Nisso, certa
pessoa cujo nome tem “a” entrou de casa adentro com as passadas bem miudinhas,
segurando a coisa. Entrou, mas o rasto ficou. Ficou, mas certo “cheirinho”
permaneceu. Não só o "cheirinho”,
mas também o tirinete de som.
Também
tampando o nariz, fiquei falando para os meus botões: se eu morresse hoje não
sabia que risada emite esse tipo de som. Nem sempre o riso é o melhor remédio,
pensei.
“Que coisa!”
Ouvi essa
exclamação. Juro que ouvi. E era uma voz feminina. Só não deu pra saber se
vinha de dentro ou de fora da casa. Mas que a voz estava com a gente antes do
festival de puns, ah, isso é certo.
Um 2012
perfumado, de muitos cheiros, de centena de risos, de milhares de sorrisos, de
milhões de gargalhadas. Isso é o que desejo a todos vocês.
Um abraço
silencioso, cheiroso e risonho,
Tião
2 comentários:
Tião, muito bom.....
Maravilha , esta história e sei que estou fazendo parte dela....
Sim, não esqueça de estar hoje no BAR da MARLUCE..
Feliz 2012, muita Saúde, Paz , Alegria e Dinheiro no bolso.
Abs! CYNTIA PEREIRA
É claro que vc faz parte da história, embora a Cíntia do texto esteja escrito com "i" e o seu seja com "y". É que detesto "y". O bicho se parece demais com um garrancho. Afinal foi vc quem descobriu o bolão que o China bate. Se não fosse vc, a gente ia pensar que o danado joga futebol muito bem. Tem mais uma coisinha: tem "a" em seu nome, lembre-se. Quem sabe se não foi vc que correu...
É isso,
Abraço fraterno,
Tião
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