Olá, gente,
Já lhes falei sobre o
livro que acabo de escrever, o Intuitor Bião - um Homem de Palavra. Postei até
alguma coisa dele, lembram-se? Bom, mandei o original para a editora. Então o
que acontece? Mandei o texto não revisado. Só que o texto revisado sumiu do
computador e do pen-drive. Perdi legal. Não dizem que, mais dias, menos dias,
todos têm de perder um arquivo? Pois chegou o mais dias pra mim. Não sou
relapso não, gente (ou sou?). Ocorre que eu tinha várias versões do texto.
Então saí deletando os textos desatualizados a fim de deixar só o oficial,
estão entendendo? Mas aí...
Bem, o certo é que já
estou no fim da nova revisão. O livro tem algumas mensagens ocultas, escritas
nas entrelinhas, coisa dum personagem meio biruta, o tal Intuitor Bião. No
texto abaixo, por exemplo, o Simônidas passa recados para a amante. Só a amante
vai entender. Depois o autor explica as entrelinhas, é evidente. Querem ler? A
história é divertidíssima, pessoal.
Boa leitura e um abraço,
Tião
Nossa, Mãe!
Crônica 5
Autor:
Simônidas Silva
Data: Quinta-feira, 05/05/2016
Está fazendo hoje, quinta-feira, 05 de maio de 2016,
quatro anos, três meses e dezoito dias que escrevi as primeiras bobagens acerca
de certas comemorações. Recordo-me porque as escrevinhei no auge da exaltação
pela apertada vitória do DNI no plebiscito da criação do dia do idiota. Todos
concordavam com a homenagem, o problema residia na denominação. DNI ou DIN? Ou
seja, Dia Nacional do Idiota, ou Dia do Idiota Nacional? Terminou dando o DNI.
Fiz apologia dos idiotas,
confessando-me o primeiro da fila. Os colegas gostaram e começaram a me dar corda. Nascia então a tola rotina de escrever sobre eventos semelhantes, como o Dia do Professor, Dia dos Pais, Natal. Semelhantes, mas de importância infinitamente menor, é evidente, pois nada se compara ao Dia do Idiota. A tola tolice (há tolices não tolas, acreditem) está nos textos idiotados, não no hábito de redigir. Escrever jamais será costume de babaca. O interessante é que não tenho o costume de revisar meus escritos. Recebo as críticas e boto a culpa no homenageado, afinal idiota sou. A culpa das bobices que ora rabiscarei recairá na mãe. Ou melhor, nas mães. Vou explicar.
confessando-me o primeiro da fila. Os colegas gostaram e começaram a me dar corda. Nascia então a tola rotina de escrever sobre eventos semelhantes, como o Dia do Professor, Dia dos Pais, Natal. Semelhantes, mas de importância infinitamente menor, é evidente, pois nada se compara ao Dia do Idiota. A tola tolice (há tolices não tolas, acreditem) está nos textos idiotados, não no hábito de redigir. Escrever jamais será costume de babaca. O interessante é que não tenho o costume de revisar meus escritos. Recebo as críticas e boto a culpa no homenageado, afinal idiota sou. A culpa das bobices que ora rabiscarei recairá na mãe. Ou melhor, nas mães. Vou explicar.
Hoje de manhã, lembrei-me da composição de meu
universo de leitores: treze. Quatro homens e nove mulheres. Dessas, cinco são
companheiras de trabalho. Uma em casa, minha mulher, outra em Cabral, no país
vizinho, uma no Brasil, e uma vizinha, amiga do peito, completam a soma das
complacentes.
Pois bem, ao ligar o computador, veio-me à mente que
sete dessas cobaias são mães. Nisso, o dedo maior-de-todos começou a se
impacientar e o fura-bolo a comichar. Doidos, pelo teclado, naturalmente. Já
falei disto noutros momentos, mas vou repetir. Sou dedógrafo, tremendo
cata-milho. Apenas esses dois dedinhos atendem aos meus neurônios. Pois bem, os
avexados indagavam-me a cada segundo se eu estava me ligando no domingo
seguinte, o domingo das mães.
“Queremos nos mexer, cara. Faça uma força aí pra dar à
luz uma prosa a respeito do dia das mães, meu. Não se preocupe com a extensão
do texto. A mulherada vai lê-lo com o carinho de mãe. Desde, é claro, que
escrito com afeto, tenha conteúdo e seja leve. É certo que antes de seus atuais
leitores, já testemunhamos alguns de seus manuscritos, até curtos, diga-se,
irem pra lixeira. Atitude de gente insensível, preguiçosa e mal-educada. Mas
isso é passado. Domingo será diferente. Até porque, mãe que é mãe não joga
filho de ninguém na sarjeta. Mesmo feio, troncho e desajeitado, ela o acolhe.
Vamos lá! comece aí, homem! Estamos ansiosos para ajudá-lo no tributo às mães”,
choramingavam os dois pestinhas.
Consolei-os, disse-lhes que me comprazia com o pleito,
mas que aquela missão – louvação às mães - era extremamente espinhosa.
Entretanto, tentaria listar dois dedos de criancices.
Nada a ver com vocês dois, apressei-me em me corrigir,
ante o olhar de censura da devassa dupla. Apesar da correção, o maior-de-todos
se esticou e gesticulou-me obscenamente. O fura-bolo se levantou, pediu a
palavra, e tachou-me de descabeçado.
Falar ou redigir sobre as mães não é tarefa fácil.
Faltam os termos representativos do cotidiano delas. A menos que usemos
bordões, tipo: mãe, palavra doce... Ser mãe é padecer...
Que termo melhor descreve o estado mental da mulher
que recebe a notícia de que vai ser mãe? Encantamento, divinização, apoteose?
E o acompanhar no ventre o pulsar de uma bênção? Qual
seria a palavra correta? Fascinação, deslumbramento, êxtase?
Admirar, contemplar, apaixonar-se? Qual desses verbos
será mais conjugado quando a mãe vir o filho a seu lado?
É impossível encontrar a identificação certa, minhas
nobres. E esse é apenas um estagiozinho, um bebezinho do que é ser mãe.
Refiro-me a Mãe, assim com “M” maiúsculo e sem crase, e não ao simples ato
biológico de parir.
Desisto,
falei para meus botões. Ou melhor, para meus dedões.
Poderia muito bem ir à internet e copiar alguma
passagem sobre a história do dia das mães. Muita gente faz isso. Vão à internet
e começam a falar do movimento das mães inglesas, no século XVII. Outros se arvoram de sabidos e citam as
americanas Júlia Ward e Anna Jarvis como as percussoras. Há, ainda, os que
estufam o peito e mencionam o decreto do presidente Getúlio Vargas, em 1932,
como o introdutor dessa veneração no vizinho Brasil. Porém, eu, nem que a vaca
tussa, escreverei sobre tais fatos.
Parabéns pra vocês, mamães! Ou, como declamava Zé
Leão, o cantor brasileiro: “Mãe é uma flor só encontrada no jardim do coração”.
Desculpem-me, mães, mas longe de mim compactuar com tamanha pieguice. Nunca haverei
de dedilhar tais sentenças.
“Desistir, cara? E D. Rhea, bicho? Entendo ter sido
aquela festa a primeira homenagem prestada às mães. Por que não falas sobre
isso?”, sugeriu o Fura-bolo.
Matutei, matutei e terminei acatando a sugestão do
amigo Furão.
Há controvérsias, mas tudo leva a crer que o Furão
esteja certo. Conforme alguns historiadores, a primeira manifestação em louvor
às mães teria ocorrido na Grécia, há mais de dois mil anos a.C. Tudo começara
assim:
Durante o mês de outubro, os gregos faziam estrondosa
festa a fim de comemorar o aniversário de especialíssima mãe: a bonita, doce,
meiga, luminosa, sensual e carismática Dona Rhea, mulher de Seu Cronos, mãe de
nosso amigo Zeus, o deus ateu.
D. Rhea era fenomenal. Era tão bela (era tão linda, belas
alunas, que empatava com vocês na beleza. Só perdia no quesito charme) que as
compatriotas, enciumadas, espalharam calunioso boato. A poderosa, diziam as
boateiras, seria, vejam só a maldade, a mãe de todos os deuses gregos. Foi
necessário Seu Cronos chutar o pau da barraca e afirmar que D. Rhea sempre lhe
fora fiel e que lhe dera apenas um filho: o deus Zeus. Pelo fato de o pimpolho
ser um deus, e D. Rhea ser a expressão maior da beleza helênica, Seu Cronos
começou a chamá-la de deusa. Ainda hoje, deusa significa a mulher com os
atributos semelhantes aos da mãe do grande Zeus.
Zeus - vocês sabem, não? – é primo de Meus, cunhado de
Teus e concunhado de Seus.
Voltando às vassalagens à D. Rhea, em outubro de 2016
antes Dele, ou seja, 4032 anos atrás, aconteceu a mais espetacular daquelas
festanças. Celebravam-se naquele mês os trinta anos da majestosa Rhea.
D. Rhea não escondia a idade, mas guardava a
setecentas e vinte e duas chaves o dia de outubro em que aniversariava. Por
isso, em todos os dias de outubro a galera fazia festa no palácio do casal.
Ocorre que, para o 12 de outubro daquele 2016, domingão de sol, estava previsto
um jogão de futebreu. Jogaria Romateu, time do atacante Romeu, contra Frutaseu,
clube do goleiro Teseu. Romeu tinha 999 breus no currículo. Existia a
perspectiva, pois, de que o veterano jogador do Romateu marcasse o milésimo
breu.
Pois muito bem. Seu Cronos, Romateu roxo, assim como
D. Rhea, acha por bem levar a comemoração daquele dia para o Maracaneu, local
do jogo. Tarde de sol, TV ao vivo, terminados os panegíricos à D. Rhea, o breu
começa a rolar.
Breu vai, breu vem, partida emocionante, gregos
delirantes, eis que aos 45m48s do segundo tempo, Tadeu, o juiz, assinala um
pineu duvidoso contra o Frutaseu.
Arena
silenciosa, Romeu caminha lentamente para a marca do pineu. Nisso, no colo de
D. Rhea, Zeus, então com quinze meses, dá seu primeiro trovão:
“Sabe, mãe, não vou com a cara desse tal de Romeu.
Esse baixinho é muito folgado, mãe. Vai perder o pineu, a senhora vai ver.”
Deslumbrada com a fala do Zeus, D. Rhea fez-lhe um
afago no cocuruto, deu-lhe um sorriso de compreensão e voltou-se para o jogo.
Aí o Romeu... Bom, acho melhor reviver os minutos
seguintes no palavreado do narrador da partida, o grande Irineu:
“Bem, amigos. Chegou a hora tão esperada! Quem ficará
com a glória? O Romeu com o milésimo breu, ou o goleiro Teseu? Romeu ajeitou a
breu! Romeu beija a breu! Romeu se benzeu... Arremeteu... Correu... Defendeu
Teseu! E o Romeu perdeu o pineu! Romeu perdeu o pineu!”
“Num disse, mãe, estrondou Zeus. Romeu se...”
D. Rhea tascou-lhe um olhar de reprovação, ficou
preocupada, inquieta.
“Num disse, mãe, repetiu Zeus. O Romeu se...
escafedeu! O Romeu se foi! Cadê ele? Cadê ele, mãe? E cadê pai, mãe?”
Romeu e Seu Cronos estavam num bolo de jogadores.
Pressionavam o juiz a fim de que voltasse o pineu, sob o argumento de que o
goleiro, o Teseu, havia se mexido antes da cobrança do pineu. Para dissabor do
Zeus, o Tadeu mandou voltar a cobrança. Romeu bateu e de novo perdeu o pineu. Bom,
pra resumir, só na sétima cobrança o Romeu conseguiu fazer o gol. Zeus ficou
injuriado e foi tomar satisfação com o pai. Seu Cronos sorriu pro Zeus e
respondeu:
“Oh, Zeus, não vês que fiz isso em homenagem à Rhea?
Como torcedora do Romateu, ela merece essa vitória. Hoje o dia é de sua mãe,
meu filho.”
Esse fato ocorreu no segundo domingo de outubro.
Tempos depois, os lojistas mudaram a homenagem para o segundo domingo de maio,
mês de fracas vendas.
É isso.
Agora, nobres mães, situação constrangedora eu passei
há quinhentos e dezesseis meses e vinte e sete dias, quando estudava na Escola
Isolada Núcleo São Miguel, no Araçá. A professora, Dona Margarida, que Deus a
tenha, pediu à classe uma composição sobre o Dia das Mães.
A minha foi a última a ser corrigida. A princípio,
recebi mil parabéns de D. Margarida. “Excelente prólogo, Sr. Simônidas. Nota
dez!” Já no finalzinho da leitura, porém, ela fechou a cara, emburrou-se,
mirou-me e sapecou:
“Como soube disso, Seu Simônidas? Como descobriu que
tenho um filho? Ninguém conhece essa história. Você me ofendeu.”
O quê?, retruquei na bucha. Não falei isso não,
professora.
“Ofendeu-me, sim. Veja aqui. Leia isto.”
Realmente estava lá, legível e claro. Depois de me
solidarizar com tudo o que era mãe, concluí assim a sessão de parabéns: “Felicito
a professora Margarida, que mãe solteira que é...”
Professora, Desculpe. É que escrevi o termo “mãe” no
lugar inadequado da felicitação. Era para escrevê-lo antes de “professora” e
não antes de “solteira”. Eu quis dizer o seguinte: “Felicito a mãe da
professora Margarida, que solteira que é, não pode ser mãe.”
“Oh, Simônidas, está
desculpado. Peço-lhe tão-somente que guarde o segredo. Mas vou reprová-lo pela
imprecisão vocabular. Entre outras coisas, você disse que solteira não pode ser
mãe. Pode, sim. Olhe-me aqui como prova. O que não existe, Simas, é mãe sem
pai, isso sim.”
A senhora está confusa,
professora. Está reprovada também. Seu pai já morreu. Portanto, a senhora não
tem pai. No entanto, olhe-se aí como prova. O que não existe, professora, é mãe
sem homem. Não, não, ainda não é isso. O que quero lhe dizer é que para o ser
humano nascer é necessário um acontecimento que, costumo chamar de princípio
“2”, entre um homem e uma mulher.
“Princípio 2? O que é isso,
Simas?”
Não tenho a menor ideia,
professora. Falei por falar.
D. Margarida me chamou de
maluco e disse que ia almoçar.
Eu caí na risada e fui tomar
um caldo de cana no Biombo do Galego. Enquanto Galego botava a cana no moinho,
eu matutava de onde tinha tirado aquela conversa de princípio 2. Então se
tornou inevitável a analogia idiota – idiota? – entre o filho da professora
Margarida e o caldo de cana do Galego. O princípio 2 tinha estado presente nos
dois casos. No primeiro, um homem e uma mulher se roçando. Resultado: filho. No
segundo, roçando-se a máquina e a cana-de-açúcar. Resultado. Caldo de cana.
Até hoje o princípio 2 não
arreda o pé de minha cachola. Nossa existência é formada de 2. O Dono do Mundo
é imortal Nobel cósmico de economia. Parcimonioso, criou tudo e todos com
apenas dois conceitos. Querem ver uma amostra, queridas mães? Direi em outra
oportunidade, está certo?
Mães, rogo-lhes desculpas
pela fuga do tema. É que vocês me estimulam, aí eu me empolgo e acabo passando
dos limites.
Não poderia terminar este
texto sem falar de minha mãe. Peço-lhes permissão para transcrever uma bolinha
que batemos. Começou assim:
Sabe, mãe, tenho sido bom
filho, modéstia à parte. Mas não posso falar o mesmo de meu irmão. O cabra anda
muito arredio, só quer saber de dinheiro, vive passando por cima de todos. Sei,
sei, a senhora conhece a história. Aquela forma de castigá-lo não serviu de
alerta, mãe. Ele está pior em tudo.
“Nossa, mãe!”, disse-lhe,
naquela oportunidade. A senhora vai fazer isso com seu filho?
“É claro, meu filho. Pra
tudo tem limite. O que seu irmão está pensando? Será ele o dono do mundo, por
acaso? Apliquei-lhe vários castigos, mas, como bem disse você, seu irmão está
pior em tudo. O desrespeito por mim acentuou-se a tal ponto que nem a bênção
ele me dá mais.
“Seu irmão, Simônidas, pensa
que nada me deve, que a comida deste casebre veio do nada, que não temos de
pagar a conta d’água, que a energia não tem custo, que, enfim, não preciso
manter o equilíbrio dessas coisas a fim de deixá-los saudáveis.
“Na última discussão, o
ingrato, meu filho, jogou estas palavras na minha cara”:
A senhora, mãe, é rica. Sua
fortuna não sucumbirá. Só os trouxas daqui caem na conversa dos panfleteiros
deste lugarzinho. Pra mim, a senhora é apenas e tão somente um mero conceito.
“Está vendo, Simônidas, como
seu irmão falou comigo. Dei-lhe um beijo em cada face, disse-lhe que discordava
das ideias dele, mas o direito de opinar lhe era assegurado. A pessoa acredita
no que quer, resumi.
“Agora, Simônidas, as
circunstâncias, as novas ocorrências, a junção dos fatos, certamente devido as
atitudes do desnaturado, estão me levando a tomar radicais providências. Com
uma diferença, meu filho. O castigo daquele tempo afetou somente seu irmão.
Este não. Estou sendo obrigada, obrigada, viu, a punir a família inteira.
“Nada me machucou mais do
que ouvir de meu próprio filho a desastrosa frase de que sou apenas um mero
conceito. Mas, bobona, estava disposta a relevar a desfeita, porém... Desculpe,
meu filho, porém...”
Ah, mãe, chore não, mulher.
Chore não, senão eu...
Bom, esse papo ocorreu há
poucos dias. Disse-lhes que não as parabenizaria, não foi? Mas estou
arrependido, juro. Parabéns pra vocês, mães?
Desejo toda a
bem-aventurança possível à mãe de maior coração do mundo, de força descomunal e
de justiça infalível.
Ajoelho-me, congratulo-me,
bato palmas e me emociono com Ela, a minha primeira mãe.
DOU-LHE OS PARABÉNS, MÃE
NATUREZA!
Ps. Ah, sim, perguntei àqueles dois, ao Fura-bolo e ao Maior-de-todos,
qual era a opinião deles sobre este escrito. Responderam-me desta forma:
“Superação, Sr. Simônidas. Superação é a palavra correta. Dessa vez o
senhor se superou no besteirol. As mães mereciam coisa melhor. O texto é a
prova inconteste de seu talento idiota. Não resta dúvida de que votou certo ao
optar pela criação do Dia Nacional dos Idiotas (DNI)”.
Cristal, 05 de maio de 2016,
Simônidas Silva
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