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O PUM DO BOI COMEDOR DE CAPIM
Lá vem fuleiragem, deve estar
pensando assim, não? As aparências enganam, minha nobre. Não há fuleiragem alguma
no pum de nosso boi. O cabeçalho é atípico, reconheço, mas
a intenção é tão somente
tangê-lo para as linhas a seguir. Algumas de informações científicas, por
certo, mas que não o impede de ser coçado por aquela pulguinha atrás da orelha
e daí liberar o risinho irônico.
Agora, caso não conheça
suficientemente o assunto, sugiro parar no risinho e não sair por aí despejando
afirmativas capengas. Dar uma de especialista sobre o que não conhece, meu
nobre, é pura imbecilidade. A menos, exceto, salvante, afora, senão, tirante e
expressões correlatas, se estiver no único espaço da suprema liberdade de
expressão: barzinho ou boteco. Aqui até ironizar e mentir você pode. Você, viu?
Eu, quando muito, ironizo.
Então, foi com um risinho de canto
de boca que li esta chamada da Tribuna do Norte: Para especialistas, churrasco de domingo é vilão do
aquecimento global.
Encontrava-me aboletado no Boteco
891. Lia líquidos e o jornal de 3 do 11 de 16. Tangi-me para a matéria:
“Picanha, fraldinha, maminha. Carne, enfim, desde a criação do gado até a mesa
do brasileiro é responsável pela liberação de grande quantidade de gases que
causam o aquecimento global, segundo o Observatório do Clima (OC) – rede que
reúne 40 organizações da sociedade civil”.
Nossa! Caramba! Surpreendi-me e fui
adiante: “A Agropecuária é responsável por 69% das emissões de gases no
Brasil”.
Nossa, 69%! Que precisão! Fosse ao
menos cerca de 70%! Uma das coordenadoras do estudo põe parte da culpa no
sistema digestivo dos animais. E explica: “O gado bovino, quando se alimenta do
capim, elimina metano por meio do arroto e do pum. Não é como nos carros, que
vemos uma fumaça cinza, mas é poluente”.
Ah, bom! Fiquei pensando quão
nocivo é fiofó do boi. Muito diferente do dos humanos, posto já provado por A
mais B que o nosso pum é extremamente benéfico ao coração de quem o cheira. Duvida? Então leia o AP 39 aqui.
Deviam ter posto a Avicultura nessa pesquisa, pensei. Pensava e me perguntava
de quanto seria o dano estufa causado pelo pum dos frangos, se é que frango –
de pena – solta pum. Sabe me informar, meu nobre? Pensei ainda nos “ambientalistas”
que frequentam o domingueiro churrasco aqui de casa, já que vou abolir a
picanha. Quero só ver a popa. Do jeito que os caras gostam de carne! E as caras,
que é para ser sincero e não parecer machista. Falar em machista, tenho que
resumir um episódio por mim presenciado há poucos dias no MPbar. É rapidinho. E hilário.
Discussão entre machistas e
feministas, Blidenor e Ricardo, defensores das mulheres, faziam o panegírico
feminino. De olhos miúdos, Blidenor levanta-se, sunga as calças, olha ao redor,
fabrica suspense e, lembrando-se de recente leitura filosófica, suponho,
encerra assim o louvor:
“O machismo, pessoal, é a suposição
de que homens são superiores a mulheres. Já o feminismo é a suposição de que mulheres
e homens são iguais. Portanto, machismo não é o contrário de feminismo. O contrário
de machismo, meus caros, é inteligência”.
Palmas e assovios, não se conteve a
jovem acompanhante do Ricardo, o outro intransigente patrono da mulherada, e
tascou um beijo no Blidenor. Ricardo fez uma careta, pegou-a pelo braço e saíram
gesticulando. O que ninguém sabe.
Bem, voltando à vaca fria - ou ao
boi peidão -, transcrevo a observação final da coordenadora: “Cada bife que a
gente come é responsável por impacto ambiental. Não comemos camarão e lagosta
todo o dia, por que temos a necessidade de comer uma quantidade diária de carne
bovina”?
Sentença lapidar, gente. Dançaste feio,
aquecimento global.
De hoje em diante, aqui em casa só
vai rolar camarão e lagosta. E a porta da rua é a serventia da casa para quem
deles fizer beicinho. Adeus, carne de bufões.
Satisfeito com o rascunho desta
tronchura no celular, tomo uma copada de cerveja e peço outra:
- Traz mais uma, Vanessa. Bem geladinha.
Gentil, Vanessa encheu meu copo e recomendou:
Acaba de sair uma costela de boi ao
forno. Supimpa. Vai?
Bom, não sei o que a Vanessa viu em
mim. Algo terrível, imagino, do contrário não teria feito o sinal da cruz, dado
um passinho atrás e exclamado:
- Vixe! Sangue de Cristo tem poder.
Carnívoro novembro/16,
TC
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