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ANO NOVO
E aí, pessoal,
Faz um tempão que o
Pocilga não publica nada. Inventei de fazer uma reforma aqui em casa, então o
bicho pegou: o blá-blá-blá de marteletes, furadeiras, martelos e aparentados não
deixa cristão algum ficar em paz. Fofoca demais essa galera, gente. Como deram
uma trégua, aproveito-a para lhes desejar um 2019 cheio de realizações. Que seus
sonhos se realizem, meus nobres e minhas nobres (ninguém nunca falou isso).
A fim de fugir um
pouquinho da formalidade, escrevi uns microcontos em alusão a 2019. Pra descontrair,
certo?
Microconto, sabem
todos, é um conto pixototinho. A ideia é que com o mínimo de palavras seja
apresentado um contexto ficcional incomum. Embora o microconto não seja
reconhecido como gênero literário específico, fica manifesto que as suas
características são diferentes das de um "conto simplesmente
pequeno". No microconto o essencial é sugerir. A intenção é convocar o
leitor para ser cúmplice do autor, atribuindo-lhe a tarefa de rechear o
textinho com a sua vivência. O conto vive mandando o microconto se enxergar,
deixar de se amostrar, mas o bicho não toma jeito. Aqui, acolá aparece um
metido a lhe fazer afago.
O microconto requer
leveza, concisão, precisão, originalidade, impacto, inteligência. Exige, pois,
tudo de que não sou capaz. Mas como sou metido...
Agora, não resta
dúvida de que "bolar" um microconto é agradável exercício de
percepção. Espero de você, leitor, tão afetuosa atividade. Mande-me seu
microconto (pelo blogue ou por imeio) que terei a satisfação de
publicá-lo.
Vejam como sou metido.
Viva 2019.
1) NA PRESTAÇÃO DE
CONTAS
Oito – Fizeram tudo
no meu 8, em 8 minutos, no maior blá-blá-blá. Do amor bolaram a paixão, jogaram
um balde daquela calda quente em cima de mim e se danaram a rir, Senhor. Senhor
– Você não falou nada, seu bundão redonda? Oito - Como, Senhor? Imobilizado
pela chave de braço, pelo mata-leão, pelo jogo de pernas, pela falta de ar? Só me
restava gemer, Senhor: Ai... Ai... Ai... (TC).
2) NO NASCIMENTO
Ufa!
Até que enfim! Que solzão é um, meu Deus! Será que as cotoveladas valerão a
pena? Espero não me arrepender. Droga! Já? (TC)
3) NA
PASSAGEM
Olhem!
Nossa! O que o 9 traz naquele cabeção, vô? – Esperança, minha filha – Tomara que
esperança não vire lambança, vô. (TC)
4) NOS PREPARATIVOS
a) Faço amor em caldas.
Embalo em bisnaga. Alugo e vendo. Sobra do 8. É pegar ou largar. (TC).
b) Gritava e se
sacudia. Queria o quê? Se um ferro lhe espetava a barriga! – Que o
churrasqueiro fosse mais cuidadoso, ué! (TC).
5) NA
VIRADA
a) Virou-se e anteviu o
fracasso. Ficou com pena. E com uma raiva! (TC).
b) Enfim adormeceu. Mas ela não arredou pé dali.
(TC).
c) Brigaram tanto
que morreram
ensanguentados, porém abraçados. – Verdade? - Mentira, meu! Tás nessa! Daí a um
tempinho, já em 2019, voltaram pro agarra-agarra. (TC).
6) PELA MANHÃ
a) A coitada se
achava... Posava de superior achando que era amada. Mal sabia que a educação
que não tinha, os outros usavam para suportá-la. (Pontos de vista, Leila, Canto
do Escritor).
c) Lembrou-se
da noite anterior, lembrou-se que ele se foi e disse pra imagem refletida: o
amor acabou... Então, pensou... Às favas com ele! Eu me sou e eu me
basto. Pensou mais um pouquinho e resmungou... Só falta eu me convencer disto.
E começou a escovar os dentes. (Olhou-se no espelho, Zélia Maria Freire,
Recanto das Letras).
d) Entendi. Mas, bom, é. Enfim...
TC
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