Tenho o costume de levar um bolinho de batata
(uma delícia, gente. Encheu a boca d’água, não?) para os colegas de trabalho. O
bolo vai sempre acompanhado de um texto, cuja leitura é o ingresso para
saborear o bolo. Os avessos a leituras me dão um quinal e comem a guloseima de
graça, mas isso é outra história.
Bom, veremos o que escrevi ontem, Dia
Internacional da Mulher. Não significa homenagem a elas. São simples e descontraídos microcontos com
incursões no universo feminino. Em apologia DELAS, há alguns textos aqui em
embaixo. Sugiro CRÔNICOS
ASSALTOS E O ASSALTO DA CRÔNICA.
Vejamos agora a brincadeira:
Olá, minhas nobres,
Como sabemos, microconto é uma espécie
de conto muito pequeno. Embora a teoria literária ainda não o reconheça como um
gênero literário à parte, fica evidente que as características do MICRO são
diferentes das de um pequeno conto. Naquele, muito mais importante
que mostrar é sugerir, instigar e deixar com o leitor a tarefa de preencher as
elipses narrativas e entender a história por trás da história escrita.
Augusto Monterroso, guatemalteco, é apontado como
autor do mais famoso microconto, escrito com apenas trinta e sete letras: Quando
acordou o dinossauro ainda estava lá.
O estadunidense Ernest Hemingway é autor de outro
famoso microconto. Com apenas vinte e seis letras, ele nos faz pensar numa
trágica história familiar: Vende-se: sapatos de bebê, sem uso.
Então!
Vamos de bolo literário? Boas mordidas e boa leitura.
1.
Pecador – Fizeram tudo no dia 8, em 8 minutos, no maior blá-blá-blá, rindo. Do
amor bolaram a paixão, jogaram um balde daquela calda quente em cima de nós e
se danaram a rir. Senhor – Vocês não falaram nada? Como? Imobilizados pela
chave de braço, pelo mata-leão, pelo jogo de pernas, pela falta de ar? Só nos
restava gemer: Ai... Ai... Ai... (Guerra dos sexos, Tião).
2. Cheirosíssima, ameninada, fez um risinho, babou-se, não resistiu...
Tascou na boca... Mordeu. – Ui! Nossa!! E aí? Gostou? –
Pois diga! Cadê os dentes? Fez uma careta, todos riram, a mãe beijou-a, botou-a
no colo e comeu o pedacinho do bolo. (Reunião de família, Tião).
3. O
capim jaz solitário. O pé de Gabiroba olha de soslaio: “caraio!” Por pouco não
foi pro balaio. Foice. (Foi-se, Sandra, Recanto das Letras)
4. Lembrou-se
da noite anterior, lembrou-se que ele se foi e disse pra imagem
refletida: o amor acabou... Então, pensou... Às favas com ele! Eu
me sou e eu me basto. Pensou mais um pouquinho e resmungou... Só falta eu me
convencer disto. E começou a escovar os dentes. (Olhou-se no espelho, Zélia
Maria Freire, Recanto das Letras).
5. Santa mãe! Até que
enfim! Que solzão é um, meu Deus! Será que as cotoveladas valerão a pena?
Espero não me arrepender. Droga! Já? (Abençoada e uterina disputa, Tião).
6. Brigaram tanto que
morreram ensanguentados, porém abraçados. – Verdade? - Mentira, meu! Tás nessa!
Daí a um tempinho voltaram pro agarra-agarra. (Briga de gente grande, Tião)
7. Casal assistia "Estômago". Ao final, o homem: -
A mulher passou o filme comendo e sendo comida. A acompanhante: - Achei que
apenas ela comia. (Comida, Luzia, Canto do Escritor).
8. Senhor, o
exame exige imobilidade total. Sua sogra é capaz de ficar sem se mexer? Claro!
Ela só mexe a boca quando quer encher o saco. (Exame, Rubo Medina, Recanto das
Letras).
9. A coitada se achava... Posava de
superior achando que era amada. Mal sabia que a educação que não tinha, os
outros usavam para suportá-la. (Pontos de vista, Leila, Canto do Escritor).
Parabéns e beijos pras meninas, as
lindas e as extremamente lindas, internacionalmente homenageadas no dia de
hoje. Até pela belíssima LUA, já notaram? (Pros marmanchos nem água, ou melhor,
só bolo, embora eu não seja machista),
8/3/2012,
Tião
uas
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