DE OLHAR
Há poucos dias
escrevi um texto sobre implicância. Implicava com os capacetes usados por
políticos e administradores em visitas a determinadas obras. Não sei se aí onde
você mora é assim, meu nobre, mas aqui em Natal, por conta da Copa, todo o santo
dia os jornais escancaram fotos de políticos e afins a fim de mostrar serviço
com capacete no quengo. Em alguns até que a couraça assenta legal, visto
guardar perfeita sintonia com a cara de pau do dono da cachola. Mas isso é
outra história. O motor de minha implicância se baseava... Quer saber, se
quiserem conhecer os motivos “capacateiem” aqui, na velha IMPLICÂNCIA.
Minha
implicância agora segue o mesmo diapasão dos capacetes (diapasão, que bela
palavra, hein!). Ou seja, fotografias. Passo horas aqui em meu cantinho a
folhear revistas e jornais a procura de fotos. De gente, sim, porque de
cachorros e gatos, pela sinceridade exposta, não têm graça alguma. Bons mesmos
são os retratos dos humanos.
Convido-a,
minha nobre, para apreciar as colunas sociais dos jornais de sua cidade. Comece
pelo arreganhado dos dentes. Evidentemente que dos fotografados - os seus
somente serão mostrados se conseguir rir depois de analisar a pouse dos pousados.
Dos dentes, passe para os olhos. Feito isso, dente por dente,
olho por olho,
contemple o conjunto facial. Em seguida você me diz quantos sorrisos forçados
notou, quantos risos soberbos contou, quanta sinceridade risonha observou. A
sinceridade você verá nos olhos do clicado. Os olhos não mentem nem que a vaca
tussa. Ainda que haja uma galera que dê uma tossidinha básica e finja a mil por
hora. Vale a pena perder uns minutinhos e observar certas fotos, viu?
Rola muito
sorriso falso nessas fotos, gente. Pouco importa o motivo, posto o nosso olhar
aqui não ser o de julgador, mas tão somente o de observador.
Bom, pretendia
falar mais alguma coisa sobre a implicância com o olhar das fotos, mas ficarei
por aqui. A razão é simples, pessoal. Vou explicar. Eu tinha cerca de 10
leitores. Dava-me por satisfeito, até porque não sou escritor, e sim reles
rascunhador de babaquices. Embora escreva para o contemplar mangoceiro de
minhas risadas e a fim de acolher o olhar zombeteiro de meu ego, não serei
hipócrita de dizer que não estarei nem aí para um carinho literário. Gostava,
sim. E gosto. Não vou mentir! Então! Meus 10 foram escasseando, escasseando,
escasseando e... Escasseou de vez. Hoje tenho apenas três. Três e olhe lá! Foi
só criar um blogue e até os olhares por cima do ombro sumiram.
Pois bem,
encontrei-me com um dos escasseandos domingo passado. Começamos a tomar um
gela, aí lá pras tantas o escasseador mirou-me com um olhar quebrado e abriu o
jogo.
“Depois do
blogue, Tião, teus textos ficaram grande demais, bicho. E sem nexo, de mais a
mais. Um saco te ler, cara.” Entenderam agora por que brequei o fluxo
besteiral?
Tive uma raiva
do bicho! Olhei-o de cima a baixo e... Bom, deu-me uma vontade ferina de sair
na porrada com o peste. Tive e deu-me, mas amarelei, juro. No mais das vezes
sou frouxo assim. Sorte foi a namorada do olhar de peixe ter posto um olhar
lânguido pra mim e ter batido uma foto do azoreta. Havia pouquinho tempo eu
estava olhando a careta do safado. Ora achava que os olhos dele diziam a verdade,
e minhas prosas estão realmente um saco, ora percebia o fingimento do olhar, e
me via aliviado.
De qualquer
forma, sinto-me precisando de um freiozinho. E de ficar mais atento às fotos. E
de ficar na minha quando as críticas chegarem. E de lhe agradecer o olhar de
ternura.
De olhar para
o futuro e de olhos abertos,
Tião
Um comentário:
Meu caro amigo Tião: Na verdade, nos tempos atuais, a implicância virou o xarme da modernidade. Implicamos com tudo, com a vida, com o amigo, com a família, e principalmente, com nós mesmos. Na verdade, quem não implica hoje em dia não aplica seu jeito de ser....coisas de flamenguista, meu caro escriba e amigo tricolor Tião!!!
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