BEM, O AMADO
Tenho alguns amigos pra lá de esquisitos. Essa
esquisitice, aliás, é tão somente o troco passado a mim em razão de minha
crônica excentricidade. Excêntrico dum lado, esquisito do outro, seguimos o dia
a dia numa boa. Até porque se o cara não relevar certas coisinhas do amigo,
amigo não é. Não é, amigo? Você não está abonando este texto sem futuro? Então!
Existe
condenável bizarrice que não me larga o pé. A danada prende-me os pés e
priva-me de visitar os amigos. Raramente os visito, apenas quando me dá na
veneta, entenderam? Para você ter ideia, publiquei um livro, escrevi uma
dedicatória ao amigo Canindé, mas cadê encontrá-lo a fim de lhe dar o mimo? Não
sei onde o 365 (nº dele no Exército) está morando. Não nos vemos bote aí uns 15
anos.
Ao contrário
de mim e, porque não, de Canindé, há um amigo, comum, por sinal, que me visita
todos os dias. Muitas vezes, na hora mais inconveniente. Cinco horas da manhã e
o cara, o Bem, já fica a me chamar. Bem é como o azoreta me trata. Não só a
mim, mas também a todos que têm a graça de escutá-lo. Dia desses, discutimos
feio. Tudo porque o magricela passou vários dias me chamando na base da
cantoria. Com olhos remelados, levantei-me e lhe disse poucas e boas. Mas
terminamos na paz, é evidente.
Outra maluqueira
do avoado é dizer que viu a gente. Quando menos esperamos, ele chega de
mansinho e diz que nos viu, como se tivéssemos algo a esconder dele.
Agora mesmo,
10 e 12 da manhã, acabo de digitar a expressão “esconder dele”, o amarelado de
sobrancelha branca pousa no portão da área, lembra-se do dia anterior, ri pra
mim e tasca:
BEM! BEM! TE VI! TE VI! BEM-TE-VI! BEM-TE-VI!
Depois voou, mangando de mim.
Também quero
bem a você, tá?
Tião
2 comentários:
Olá, Tião. Saudade do Delta. Olhe, aquele meu comentário no SP não foi sobre o seu texto especificamente, mas sobre a sua sugestão de me premiarem. Ali é uma fogueira de egos, com máscaras de humildade. Tudo gente boa e talentosa, mas banhados de vaidade. Até um poeta de Salamanca, Alfredo Pérez, que escreveu um livro de poemas sobre mim, foi apontado como fake criado por mim para me elogiar. O próprio poeta mandou um texto da Espanha zonando com o poeta daqui que havia sugerido a suspeita. No mais, foi bom, pois descobri essa sua botija, que nada tem de pocilga, mas de pérolas. Meu abraço fraterno. François Silvestre.
Valeu pela espojada na despretensiosa pocilga, François. Sobre o nosso plurarizado espaço, sinto muito bem o calor vindo daquela fogueira. Mas sempre me esquivo.
Um abração, meu nobre François,
Tião
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