DE VIZINHOS E VISIONÁRIOS
Microconto, sabemos, é um gênero
literário em que mais importante que explicar é sugerir, deixando para o leitor
a tarefa de preencher as elipses narrativas e entender a história nas
entrelinhas da história escrita.
“Quando acordou o
dinossauro ainda estava lá”, do Monterroso, é tido como um dos mais
famosos microcontos.
Outro famosíssimo (apenas 26
letras, meu preferido) é o do Ernest hemingway: Vende-se: sapatos de
bebê, sem uso.
No Brasil, são muito apreciados
os micros do Dalton Trevisan.
Vou postar quatro criações minhas.
As três últimas não são bem microcontos, mas... Mas? Entendeu o espírito do
microconto? É isso! Vejam:
VI da janela a boca cheia de dentes do
pervertido, delegado. Era Raul, o ZINHO.
(Tião Carneiro)
Ontem,
20 do 8, foi o dia do VIZINHO, gente.
Vizinho: Merece prisão,
sim. Deu a surra só porque a bichinha brincava de alevantar a
saia dela. Delegado: farei a reconstituição. Segredo de Justiça. Agora
saia, saia... E saia. Como foi, minha filha?
(Tião Carneiro)
Ontem,
20 do 8, também foi o dia da besteira.
Prendam o cheio de dentes.
Não esperou. Correu cantando – Pare! Tá maluco? Metam-lhe o Seixo. Beleza!
Dizia o maluco.
(Tião Carneiro)
Hoje,
21 do 8, faz 24 anos que o Maluco Beleza mudou-se para outro apartamento.
Pegou um plano alto, criou
veredas e driblou os agentes – Corram, seus bundas moles. Simulem um
atropelamento e matem o corredor.
(Tião Carneiro)
Amanhã, 22 do 8, vai fazer 37
anos que Juscelino Kubistchek chegou a outro plano. E dia de pagar a prestação
de meu carro.
Abraços diários,
Tião
Nenhum comentário:
Postar um comentário