O escrevente
de prosa é um demente idiota, perdoem-me a rima. Falei escrevente, não escritor
de verdade. Esses aí... Bom, deixemos no ar os nossos Machados. Escrever é
vício, gente, conquanto alguém denomine de hábito o ato (e haja rima).
Vejam se
concordam comigo. Fico quarenta e oito minutos olhando balancetes, caceteio-me,
ponho-os de lado, dou uma balançada na encardida rede e passo dezessete minutos
a escrever besteiras. Mas cumpro as metas, estão pensando o quê? Isso é ou não
é sinal de idiotice? A alternância de atividades, e não cumprir as metas, pelo
amor de Deus! Escrevo pra mim, simplesmente pra desopilar, sem pensar, pois, em
agradar a seu ninguém. Mas se assim é, por que então postar as desopiladadas
neste blogue? A fim de tornar mais escancaradas as besteiras, ainda as publico
noutro espaço, no Canto do Escritor. Tão vendo só aonde vão as idiotices?
Quer mais? De
tempos em tempos, comparo os acessos feitos aqui com os cliques de lá. Fiz isso
agora. Fiquei intrigado. Observem. Fez um ano, postei aqui e lá o “SISTEMA,
SEU DANADO”. Lá, a danada foi acessada 1.217 vezes. Aqui 17, pode?
Caramba! Vou repostá-lo pra ver se o número sobe pelo menos pra vinte.
Vamos nessa? E
meus e-book ali em cima? Hein!
Hein! Hein!
SISTEMA,
SEU DANADO!
Sabem vocês qual
é a palavra mais poderosa da língua portuguesa? Não? Não é Comunicação,
como sempre imaginei. Chama-se Sistema, pessoal, a tal poderosona. Ah, mas
Sistema – com maiúscula, neste contexto - faz parte do sistema comunicativo,
dirão, e com razão, os senhores. É verdade. Mas o que quero dizer é que Sistema
é o mandachuva
da comunicação, o único representante dela que tem a coragem de
mostrar a cara, e de quem muitos se aproveitam, e bote muito nesse muito, para
justificar as safadezas, desculpar-se das incompetências, eximir-se das
imoralidades.
Sistema corta
dos dois lados, sabiam, meus nobres? Como assim? Ora como assim!
Tome-se como
exemplo o futebol, o jogo de ontem, Corinthians dois Boca Juniores zero,
vitória que servirá para o Timão ir a Tóquio a fim de que lhe seja tirado o
resto do cabaço, já que aquela disputa (ops) no Brasil não valeu, porque tão
somente uma cosquinha.
Pois muito
bem. Ou pouco mal? O que tem de neguinho dizendo que o Sistema dos corintianos
deu um nó tático (adoro nó tático) no Bocanos não está escrito. Outros dizem
que a bola do viril Sistema do Boca não soube penetrar na cautelosa baliza dos
Gaviões. Certo é que o voo (olhem o Sistema ortográfico, gente!) dos Gaviões
foi tão vigoroso que fez tremendo rombo na terra.
Então, o dar
pra lá dar pra cá do Corinthians fez o pobre Sistema se passar por gilete, né
não. Às vezes, chamam-no de fila da puta, outras, de meu amor. Pobre Sistema!
Já o vi chamá-lo de veado, acreditam? Foi sim. Ademar, meu colega de Receita
Federal, queria acessar o sistema de auto de infração. Errava a senha, por
certo. O sistema não lhe dava acesso. Ademar, aporrinhado todo, afasta a
cadeira, olha com pro computador, passa a mão no queixo e desabafa:
“Frescô!”
Exemplo de
política? Não seja por isso. Viram, meus nobríssimos, o abraço do Lula com o
Maluf? Pois então! O Sistema, que antes fez os caras trocarem libidinosos
tabefes verbais, deixando-os nus de civilidade, hoje, em pouco mais de um
minuto e parcos segundos, veste-os de indecência ética.
Então, o nu de
princípios e o manto de pragmatismo fizeram o infeliz do Sistema se passar por
gilete, né não?
Bom, ia ficar
por aqui, mas hoje, ao me levantar da tipoia para tomar um cafezinho, o danado
do Sistema começou a rir de mim. Estirou-me o dedo assim, ó! Vejam como foi:
Levantei-me e
vi a Cosern olhando o medidor de luz de minha vizinha de frente, que, por
sinal, estava aqui em casa. Existe, sim, vizinha de frente, ora! “Corre Amanda,
a Cosern vai cortar a tua luz”, alertei-a, brincando, naturalmente. Pois não é
que era verdade?
Amanda, gente,
tinha pagado em duplicidade a luz de abril. A de maio veio normal e a de junho
zerada, compensada que fora com o pagamento duplo. Só que o pagamento feito em
maio não entrou no Sistema de corte da Cosern. Amanda correu, na chuva,
diga-se, explicou a situação, mostrou a conta quitada, tudo bonitinho.
“Acontece que
temos ordem de cortar, senhora. O Sistema não considerou seu pagamento”, disse
D. Cosern, insensibilidade em pessoa, desconsiderando a honestidade da pontual
Amanda. “A senhora pode ir à minha sede e reclamar. Ou pagar de novo, o que
aconselho, pois assim fica mais fácil a luz ser religada ainda hoje. Depois a
senhora será ressarcida”.
D. Cosern
Falou, torceu o pescoço da cidadania da Amanda, botou-a no bisaco da prepotência
e cortou a luz. “Ah, na próxima conta virá 26 paus da taxa de religação”, disse
D. Cosern.
De quem foi a
culpa de a Amanda não assistir à novela? Do escroto Sistema, é claro! O Sistema
burocrático, cruel e boiola ganhou do Sistema prático, humano e fidedigno.
Não vou falar
do Sistema de Educação, tampouco do de Segurança, menos ainda do de Saúde,
visto estar com o sistema nervoso a flor da pele.
Sistema, seu
danado!
Até qualquer
dia, gente,
Tião Carneiro
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