O JURAMENTO DA
POCILGA E O DO PORCO CARNEIRO
De quando em
quando, o Tião me azucrina. Pede que divulgue as besteiradas dele. Só porque
meu nome é Pocilga, ele imagina que minha gamela acolhe qualquer porcaria. Mas,
como amigo é pra essas coisas mesmo, como diz o Zé Alves, vejam a nova porcaria
do Tião, conquanto de vocês conhecida. Ao menos da maioria. Mas será esta a
última vez. Juro!
Vou dar as
principais informações da obra. (Ops! Obra?)
Título do
aporcalhado romance: QUÊ?! (Quer título mais imbecil?).
Vendas em formato
digital e impresso: www.clubedeautore.com.br. Veja Guia aqui em cima e leia as
10 primeiras páginas. E compre. Mas só se quiser, viu?
Preço: Impresso
40 paus. Digital 10 mangos (e-book, porém possível de ler na raiz do
computador). Mas vou logo dizendo, o acabamento do impresso ficou uma droga.
Ah, o azoreta
mandou publicar um trechinho safadinho aqui embaixo.
Leiam.
...
- Vai cair água, Elizabeth. Vamos para o meu
apartamento. Fernandinha está vindo ali. Vou pedir a conta.
“Seu apartamento? Seu Artur, Seu Artur...”, falou,
meio nervosa, e deu uma golada na caipirosca.
Fernandinha, menina, a chuva está num pé e noutro
para chegar. Vamos para o apartamento. Quer trazer a conta ou assino a comanda
na portaria?
- Na portaria, Artur. Vão para o chalé, é,
Elizabeth? Elizabeth, sinha danada!
- Vamos trabalhar, maldosa. Não acho correto
entrarmos juntos, Artur. Morro de vergonha. Faremos assim.
Vou conhecer o
chalé. Irei até a porta, dou um pulinho na rua, venho à recepção, dou uma de
tonta e pergunto ao Amélio o número de seu chalé. Estávamos juntos, viemos
embora, mas terminei esquecendo de lhe dar uma informação. Está bem assim,
Artur?
- Pois diga! Volta danada, Elizabeth. Esqueceu de
dar, é? E agora o nome daquilo é informação, é?
Saímos no chouto, sorrindo da lorota de Fernandinha,
eu chamando Elizabeth de boba:
- É mesmo, não é, Artur? Quanta bobagem! Ah, quer
saber...
8 – NO
APARTAMENTO COM ELIZABETH
-
Depressa, Dr. Artur. Vou contar até cinco. Ajoelhe-se, vire-se e venha
rastejando aos meus pés.
Entramos. Botava a mochila em cima de uma cadeira
quando ouvi a voz de Elizabeth às minhas costas. Falou sem um pingo de emoção:
- Tenho uma arma apontada para a cabeça do senhor,
Dr. Artur. Se não quiser morrer, ajoelhe-se, ponha as mãos na cabeça e vire-se
bem devagarzinho.
- Quê?!
- O senhor ouviu.
Fiquei uns dez segundos suspenso pela surpresa.
Pensei em rapidamente me virar, rindo, supondo ser de brincadeira a
intimidação. Mas a voz da gelada advertência e o sotaque da morte
desaconselhavam o gesto. Lembrei-me da pistola. Botara na virilha no tumulto do
santuário e esquecera de guardá-la na mochila. Fingiria me ajoelhar e rolaria
atirando. Se Elizabeth errar o primeiro tiro eu a acerto, haja vista ela me
imaginar desarmado. Deixe de brincadeira, Elizabeth, quis falar, pensando em
ganhar tempo.
Pensei e me voltei para os acontecimentos na hora do
atentado a Clóvis. Estávamos juntos. Chicão começou a discursar, Clóvis saiu
para apanhar o poema, Elizabeth foi em casa. Precisamente nessa ordem. Nesse
meio tempo, de doze a quinze minutos, atiraram em Clóvis. Elizabeth escreve
contos para o Panegírico Bar. Terá sido humilhada por algum escritor, a ponto
de se tornar inimiga de todos? Clóvis é gay. Terá ela pavor a gay, visto um
deles ter lhe tomado o marido? Caramba! Motivos não faltam. Ela ainda me
advertiu, na gruta, na hora de minha declaração amorosa. “Quem vê cara vê
coração, Artur?” Elizabeth é a sociopata de São Mateus, concluí. Não morrerei
de graça. Vou...
- Depressa, Dr. Artur. Vou contar até cinco.
Ajoelhe-se, vire-se e venha rastejando aos meus pés.
Rastejando? Rastejando terei mais poder de reação,
refleti, um pouco aliviado. Rastejo e atiro. Serei algum abestalhado para
morrer aos pés dela sem reagir? Ajoelhei-me, virei-me...
A pistola de brinquedo e o sorriso de verdade
acabaram com a aflição. Fechei os olhos, respirei forte. Era realmente
brincadeira. Inconsequente, mas era. A brincadeira continuou, agora com a
mulheríssima voz.
- De joelho, rastejando, jurando-me amar, Dr. Artur.
Só desta maneira vou acreditar no fulminante amor de vossa senhoria.
Entrei no clima, comecei a rastejar e a jurar amor.
Elizabeth, de pé, lindíssima, de pistola na mão
direita, pupilas dilatadas, derramando mulher, sorria ameninada. Cheguei aos
pés dela, apalpei-lhe os tornozelos. A ponta dos dedos, timidamente, como se
envergonhadas, começaram a avançar, desavergonhadas, a procura de um porto
seguro. Chegaram aos joelhos e ficaram paradas nas rótulas. Em seguida
retomaram a penosa exploração. Atingiram as coxas e se compadeceram com o
trejeito facial de Elizabeth a pedir pressa. Obedientes, tentaram correr.
Conseguiram. Conseguiram, mas toparam em algo sedoso. Embora a bermuda
folgadona lhes facilitasse a turnê, a folgada dona entendeu de liberá-la:
desabotoou-a e a gravidade fez o resto. Não perderam tempo com a sedosinha
intrometida, visto Elizabeth ter feito a azul celeste tomar o destino da
bermudona. Desnutridas, minhas pontinhas precisavam chegar aos seios, cuja
natureza é de magistral conforto. Neles, teriam acomodação de rainhas, com
direito a vitaminadas guloseimas.
Precisavam... Precisavam, mas sucumbiram. Calor
dilatante, mortas de cansadas, língua de fora, encontraram um providencial
riacho. Esbaldaram-se. Refrescaram-se. Divertiram-se.
Elizabeth largou a pistola e desmaiou. Ou fingiu,
não sei.
A exemplo da ponta de meus dedinhos, eu estava morto
de cansado, faminto e com a língua de fora. Mesmo assim, coloquei Elizabeth nos
braços, larguei a pistola no frigobar e a deitei na cama. Elizabeth, é lógico.
Elizabeth voltou a si. Ou fingiu, não sei.
Nada falamos. Ou melhor,
dissemos, porquanto nossos corpos puseram-se a falar, num blá-blá-blá infinito.
Cansados do bate boca, quedaram-se ao comprazimento. Ou melhor, pensaram.
Pelo menos o meu. Pois aí... Aí...
Aí...
É isso!
Quê?!
Está me chamando de maluco, é?
Abraços,
Tião
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