Este
texto é um jogo. É sério, gente. No fim do texto – finzinho mesmo – eu revelo o
jogo e o objetivo dele. Use mente e cérebro sem receio nenhum. Suspeite, desconfie,
codifique, descodifique.
Sugiro-lhe obstruir os costumeiros
circuitos dos tempos de colégio.
Tempo do jogo? Três minutos.
Comecemos?
Viver é um jogo entre
interesse e costume cujo juiz é o mestre contexto. Digo isso e logo percebo em muitos
ouvintes os gestos do ceticismo. Outros emitem um sim de quengo, contudo
reticente. Dizem:
Em tese é isso mesmo, TC.
Viver pode ser um estupendo jogo, sim, porém...
E você? Vem pro time dos irrestritos, corre pro grupo do ceticismo ou sobe no muro dos reticentes? Vê jogo nos políticos, meu nobre? E nos negócios de todos os tipos? E em certos templos religiosos? Vê? E, preciso dizer isto, meu nobre... E em escritores desprovidos de intelecto? Vê jogo nos textos deles?
Posso escrever um textinho
pro senhores, nobres céticos?
O cético, gente, vive
seguro de que o nobre jogo do conviver é puro miolo de pote. Opressores, resolvem
no grito os conflitos de interesses divergentes dos deles e dos seus. Elementos
de jogos como ceder, permitir e convencer inexistem nos sentimentos do cético.
Pois bem. Sou do time dos
irrestritos, reforço. Ocorre que sou suspeito. Vou dizer o motivo. Insólito e distinto
deste textinho, mesmo o termo jogo presente no motivo. Fiquei, gente, por quinze
outubros sobrevivendo de jogo. Jogo do bicho, informo. Fui vendedor, coletor e
conferente do jogo dos números.
Veio-me do jogo do bicho o
primor de mexer com números. Números invertidos e jogos complexos exigem tirocínio
de momento. Isso nos idos de 60 e 70. Outros contextos de tudo, né, gente?
Veio-me do jogo do bicho
o costume de ler, visto tempo eu ter em estoque. Começo com livrinhos de bolso
e termino com os preceitos econômicos do Keynes. No meio? No meio nome de pesos
e outros de pesos leves.
Veio-me do jogo do bicho
o ensino-mor: ler o mundo. Sou exímio leitor do mundo, gente.
Veio-me do jogo do bicho o
costume de ouvir.
Esse costume requer desenvolvimento.
Seguinte. Nos tempos idos, os sem internet, o povo vive sonhos. No dormir e no refletir.
Hoje o sonho é só o de fugir de desespero. O sonho é cúmplice do vendedor do
jogo do bicho. Sonhei com isso, isso, isso, Neguinho, que bicho que é? Meu
procedimento é dizer logo três bichos. Burro, porco e tigre, por exemplo. O
segredo do convencimento envelhece nos meus neurônios. É este, gente: umedecer.
ouvir, compreender. Envolver-se, enfim. Esse contexto é imperioso. E é simples
de entender. Sonho é um evento difuso, complexo, misterioso. O ouvinte, pois,
tem de comprometer-se com o silêncio. Interromper o interlocutor é desconstruir
o fluxo do mistério exposto. O risco de perder o freguês é enorme. Entendeu,
meu nobre?
Ouvir bem. Puto de um
princípio. De todos os jogos, penso.
Curioso como sofre de
remorsos o discípulo do jogo do bicho. Comuns contextos deste nível. Olhe só. O
sujeito sonhou com um peru morto no terreiro do vizinho. Bote 10 cruzeiros no peru,
Neguinho. Boto. Boto e entrego o jogo. Depois jogo-lhe o implícito:
Você disse, Guilherme,
que notou vestígios esquisitos no terreiro. Vestígios de pés pontudos, enormes,
sulcos profundos. Pensei com os meus botões: o Guilherme tem um jumento, é
vizinho do Figueredo, esses sulcos profundos podem muito bem ter vindo do...
É mesmo, Neguinho. Podem ter
sido do meu jumento, sim. Jogue 10 no burro.
Fui bom vendedor de ilusões,
gente. Irônico, né? De vender ilusões fui dez. De vender emoções sou zero.
Tirei 5, creio, no
serviço público. Fui vendedor de civismo, meu nobre. Fiquei muito tempo
vendendo o preceito de que o sujeito, ou o contribuinte, fosse fiel nos deveres
de recolhimentos de impostos. Levei do bicho - e usei - os princípios de jogos,
porém... Bom. 5 é pouco. O 7 do bicho é um conceito oportuno.
Ponderou, meu nobre, por
que me confessei suspeito de me dizer irrestrito defensor de jogos de viver?
Devo-lhes muito dos precedentes de ler e ouvir. Numeroso contingente de indivíduos
vive perdendo enlevo e riso por desconhecer imperceptíveis movimentos do jogo coletivo.
Entendem esse povo que um ser vencer é o mesmo que o outro ser perder. E nem
sempre isso ocorre.
No fim dum jogo bom, um
contendor rir. E o outro? Rir, é lógico. Esse é o jogo dos irrestritos.
No fim dum jogo ruim, um
contendor se emburrece. E o outro? Emburrece-se, é lógico. Isso pode ocorrer
nos jogos dos reticentes.
E o jogo dos céticos?
Conceito improprio neste momento. Digo em minutos.
Certo é que viver é
exibir interesse. O espírito dele é o de menos. O nome de interesse exposto é
jogo. Mesmo sem contendores explícitos. Esse tipo de jogo, o implícito, se deu,
meu nobre, entre cérebro e mente. Fugir do suposto perigo versus medir-se com o
suposto medo. Esse é o jogo dos nossos crupiês.
Acabou o texto, gente.
Ficou troncho, não ficou? Percebeu o motivo, não percebeu? Não? Pois diga! O
motivo, gente, é que o texto é um jogo. Disse que ia escrever a prosa pros
céticos só de sacanagem, pois céticos não sabem o que é jogo. Mas esperava mais
de vocês, irrestritos e reticentes.
O jogo consiste em você
encontrar certa anomalia no texto. Anomalia morfológica, fonética, coisa assim.
Quer relê-lo, meu nobre? Então volte pro começo da prosa. A anomalia, minha
nobre, é que o bicho foi escrito sem a letra “A”. Não se trata de presunção, deslumbramento,
essas coisas. E outras. É loucura mesmo. Agora posso dizer o motivo de não ter conceituado
os céticos. O cético, gente, não joga o jogo da vida. O negócio dele é mandar.
O cético odeia negociar, ceder, transigir. O cético é um ditador, gente, E na
palavra ditador tem “a”, né, pessoal?
Mas vocês, irrestritos e
reticentes, são bons de jogo. Tanto que... Veja no cabeçalho do Pocilga, nobre
e nobríssima. Têm três livros lá. A TAÇA, o COISAS e a SISI. Vocês são bons de
jogo. Conheço pelo faro.
Vou até botar meus
contados aqui que é pra você me fornecer um endereço a fim de que eu mande um
desses - ou os três - pra você. Zap (84) 98800-1610, imeio
tcarneirosilva@gmail.com. Agora, se detesta presente, compre o e-book nas Lojas
Kindle/Amazon.
Presente mesmo, pessoal.
Mando o livro ou os livros e, de lambuja, lhes dou a chave do meu PIX. Adoro vocês,
sabiam? Aí vocês - que também me adoram, sei disso - me presenteiam com um PIX
de 50, 100 ou 150 reais.
Cê que sabe,
No 8 do 24,
Abraços do TC
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