COSTURAS ÍNTIMAS – UMA OBRA DE ARTE
Olá, gente,
Há anos, leio
um cronista daqui de Natal. O cara escreve para as meninas ver. Fiz um
comentário acerca de uma crônica dele (Da Carne). O texto se refere ao modismo
feminino de ter “vaginas mais elegantes, sedutoras”. Abaixo, o meu comentário e
a prosa do Serejo, identificada com o Aqui.
Nobre Serejo,
Meu primeiro
ato ao receber o Jornal de Hoje é dá uma espiada na chamada de
seu texto e no de Rubens Lemos. De lá me mando para a página treze ou
dezesseis. Ontem, trinta e um do oito do doze, Rubens falava duma fotografia;
você, duma vagina. Não tive dúvida: larguei a capa e corri pro treze, pra sua
vagina. Aqui.
Como
sempre faço com a prosa de vocês dois, fiquei lendo devagarzinho, saboreando as
palavras. Há escritos que não lemos (nada a ver com o Lemos do Rubens)
simplesmente os comemos, há de admitir o senhor, caro cronista. Sou vulgar, daí
nunca ter cometido o erro de desconhecer o corpo e, dele, o prazer da carne.
Quando li esse enunciado a fome apertou. Apertou, mas, paradoxalmente, comecei
a comer pelas beiradas, sem pressa, a exemplo do mingau, no mais das vezes de
leite de cabra, que D. Minervina, minha mãe, esfregava-me nos beiços, depois de
assoprá-lo, invariavelmente com o indicador. É evidente que o sopro era com a
boca, pois a missão do dedo era tão somente me servir o unguento. Uma delícia!
Pois muito
bem, com a boca cheia d’água, fui me enfronhando no vaginal texto. Vi-me,
senhor cronista, folheando sua apologia do corpo, surpreendi-me balançando o
sim de cabeça ao ler “O corpo, por maiores que sejam os pecados da carne, é
coisa de Deus”, flagrei-me matutando acerca das “estratégias e invenções sobre
o corpo”.
Agora, senhor
cronista,
hei de confessar uma coisinha, por isso já lhe peço vênia (Mensalão, seu danado!): estava
ficando agitado, porquanto a obra de arte de sua chamada, a vagina, não
aparecia. Tremendo quinal literário, pensei, pensando em ir ao Procon. Juro.
Mas eis que
acaricio o penúltimo parágrafo e me deparo com a dita cuja, representada pelas
costuras íntimas, as cirurgias vaginais. Diz o senhor: “O desejo das mulheres é
ter vaginas mais elegantes, com relevos proporcionais e sedutores na redução do
excesso de carne”. Olhem só onde essas meninas foram mexer, gente. Pelas
caridades!
Fiquei a
papear com os meus botões a respeito do corte inerente à raspagem das carninhas
excedentes. Vai dar rolo, disse um deles. E explicou: papudas e labiúdas, essas
bichinhas já vivem às turras com aquele apendicezinho masculino, imagine
esbeltas e graciosas. Por nada criam aquele clima e se agarram, quanto mais
agora, nossa amiga com o corte fashion, bela ao extremo, acrescentou outro
botãozinho.
Concordei com
os safados e vi o tal apendicezinho indo à forra. Para não ficar por baixo,
certamente o nervosinho vai partir pra cima e mandar fazer um corte nele
também. Um horizontalzinho viria a calhar, doutor, brincou o mais depravado de
meus botões.
Sei não,
senhor cronista, mas, com a segunda vênia (Mensalão, seu danado!), acho
que essa gentalha – gentalha, sim - está precisando de exemplar punição.
Prendamo-nas. Deixemo-nas a quatro paredes. Com o pular dos dias, elas, as
vaidosas gentalhas, haverão de assimilar o castigo, desistirão de brincar com a
natureza e farão as pazes. Mesmo brigando.
Mundo doidão.
O senhor tem razão, caro cronista. Doidice epidêmica, de mais a mais. Pega no
olhar, contamina no falar, derruba no ouvir.
Tô com pressa,
nobre cronista. Tenho consulta marcada com certa cirurgiã. Até outro dia e um
fraterno abraço.
Tião Carneiro
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