“Última flor do lácio, inculta e bela!”, escreveu Olavo
Bilac (1865-1918) no verso 1 do soneto “Língua Portuguesa”. Por óbvio, o poeta dizia
ser o português o último idioma derivado do latim vulgar falado no Lácio,
belíssima região italiana. Aprecie esta amostra no contexto do mestre. Aconteceu
na fazenda da azougada Leda, protagonista do episódio 3 da Sisi
Confidencial (Coisinhas). O diálogo se dá entre um quixotesco auditor e
o Alfredo, empregado da fazenda.
- Alfredo, onde você vai assim tão lesto, circunspecto e
assaz atribulado?
- Eu ia cagar, mas agora vou procurar um dicionário.
- Oh, Alfredo, não verbalize tamanha excrescência. Isso é um
tabuísmo.
- E que porra é tabuísmo, Dr. Cazumba Cabral?
- É uma verbalização deveras depreciativa, Alfredo, que
adentra o universo do disfemismo.
- Agora torou dentro. E que porra é esse tal de dismismo,
doutor?
- Disfemismo, Alfredo. Disfemismo é...
- Espere, Dr. Cazumba, espere. O doutor sabe o que é fiufiu,
foreba, fiofó, frezado, zoinho, boga, ruela, pisca-pisca, anel rosado, essas
coisas e outras?
- Não, Alfredo.
- Mas o doutor sabe o que é canto?
- Claro, Alfredo. Canto é uma quina, uma linha de convergência,
um ângulo...
- Pois é, Dr. Cazumba Cabral. Eu ia mandar o doutor tomar
num canto desses que falei, mas como o doutor não conhece essas coisinhas, vou
mandar o doutor tomar na sua linha de convergência. E vá logo, por causa de que
a coisa aqui já tá pronta faz um tempão.
No 11 do 24,
TC
Viram a do Alfredo, mas se não quiserem ver a do Bocage não vejam a postagem seguinte.
2 comentários:
Sensacional, Tião
Excelente!
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