sábado, 16 de novembro de 2024

A Língua do Alfredo e a do Doutor CC

 


“Última flor do lácio, inculta e bela!”, escreveu Olavo Bilac (1865-1918) no verso 1 do soneto “Língua Portuguesa”. Por óbvio, o poeta dizia ser o português o último idioma derivado do latim vulgar falado no Lácio, belíssima região italiana. Aprecie esta amostra no contexto do mestre. Aconteceu na fazenda da azougada Leda, protagonista do episódio 3 da Sisi Confidencial (Coisinhas). O diálogo se dá entre um quixotesco auditor e o Alfredo, empregado da fazenda.

- Alfredo, onde você vai assim tão lesto, circunspecto e assaz atribulado?

- Eu ia cagar, mas agora vou procurar um dicionário.

- Oh, Alfredo, não verbalize tamanha excrescência. Isso é um tabuísmo.

- E que porra é tabuísmo, Dr. Cazumba Cabral?

- É uma verbalização deveras depreciativa, Alfredo, que adentra o universo do disfemismo.

- Agora torou dentro. E que porra é esse tal de dismismo, doutor?

- Disfemismo, Alfredo. Disfemismo é...

- Espere, Dr. Cazumba, espere. O doutor sabe o que é fiufiu, foreba, fiofó, frezado, zoinho, boga, ruela, pisca-pisca, anel rosado, essas coisas e outras?

- Não, Alfredo.

- Mas o doutor sabe o que é canto?

- Claro, Alfredo. Canto é uma quina, uma linha de convergência, um ângulo...

- Pois é, Dr. Cazumba Cabral. Eu ia mandar o doutor tomar num canto desses que falei, mas como o doutor não conhece essas coisinhas, vou mandar o doutor tomar na sua linha de convergência. E vá logo, por causa de que a coisa aqui já tá pronta faz um tempão.

 

No 11 do 24,

TC

Viram a do Alfredo, mas se não quiserem ver a do Bocage não vejam a postagem seguinte.


2 comentários:

Anônimo disse...

Sensacional, Tião

Anônimo disse...

Excelente!